Depois de muitas ideias desenvolvidas para filmes e séries que nunca deram certo nos últimos anos, Mulher-Maravilha finalmente ganha seu filme solo. Contudo, o longa veio sob muita pressão por fazer parte do Universo DC no cinema que não vem agradando tanto. O Homem de Aço (2013), Batman vs Superman (2016) e Esquadrão Suicida (2016) foram produções irregulares que não souberam explorar o potencial que tinham. A esperança de que dias melhores estariam por vir ficou sob os ombros da Amazona de Themyscira, que não decepciona.

Dirigido por Patty Jenkins, Mulher-Maravilha consegue o que as outras adaptações não conseguiram, explorar com eficiência a origem da personagem (sem perder sua essência) com um roteiro coerente. Fica a sensação de que este é o primeiro filme do DC Universe, podendo descartar sem rancor os três longas anteriores.

A DC resgata os tempos aureos no que diz respeito a filme de origem. Há muita semelhança com Superman (1978) e Batman (1989) com uma narrativa que vai agradar os fãs de quadrinhos e os leigos do ramo. Uma história fechada e sem invenções. Além disso, a produção resgata o tom de aventura de Indiana Jones com cenas empolgantes de ação e boas doses de humor.

Escrito por Allan Heinberg, a trama começa com uma apresentação redonda sobre a origem das Amazonas. Diana ainda criança desejando ser uma grande guerreira, mas é superprotegida por sua mãe, a rainha Hipólita (Connie Nielsen). Porém, sua tia Antíope (Robin Wright) percebe o potencial na garota e começa a treina-la secretamente. Assim, a pequena criança cresceu e seu amadurecimento e primeira missão surge com a chegada de Steve Trevor (Chris Pine), um espião que trabalha para a inteligência britânica que roubou um caderno com anotações de experimentos da Doutora Veneno (Elena Anaya) sob liderança do General Ludendorff (Danny Huston) que pode ocasionar na morte de milhões durante a Primeira Guerra Mundial. Após ser perseguido por alemães, Steve acaba sendo abatido e seu avião cai na ilha de Themyscira, quando é salvo por Diana (Gal Gadot). Percebendo que uma guerra está acontecendo sob o possível comando de Ares, o Deus da Guerra, a princesa Amazona decide viajar para Londres com Steve para impedir seus planos e salvar a humanidade.

Patty Jenkins acerta em cheio em situar o longa durante a Primeira Guerra Mundial. Sob a perspectiva de Diana, que acabara de conhecer o mundo dos homens, ela sente a atrocidade, a perda e dor que aquela guerra ocasionou. Todos saíram derrotados. Contudo, é na presença dos companheiros Steve Trevor, Etta Candy (Lucy Davis), Sameer (Saïd Taghmaoui), Charlie (Ewen Bremner) e o Chefe (Eugene Brave Rock), que a heroína percebe o lado mais sereno, belo e singelo da humanidade, o que a motiva a se tornar a protetora dos que necessitam e impedir os planos do vilão Ares.

A trama consegue balancear com eficiência o drama e o humor. O tom de cada cena é acertado pela força do elenco. E, se tratando de uma época de bastante opressão dos homens contra as mulheres, o filme aproveita para dar alfinetadas desde a restrição por roupas e a falta do direito de opinar com um tom sarcástico, mas que impõe uma conscientização para os dias atuais.

Se alguns disseram que Gal Gadot entrou muda e saiu calada em Batman vs Superman (mais por conta de uma falha do roteiro picotado do que da atriz), aqui ela mostra a força da Amazona em uma atuação que representa a força feminina. Ao final, fica a lição de que as mulheres não precisam de super poderes para serem heroínas. Há uma força interior capaz de contagiar e cativar, e isso que Diana faz. Ela tem personalidade, tem carisma, é independente e não baixa a guarda jamais quando se sente oprimida.

Outra atuação importante é de Chris Pine como Steve Trevor. Sua relação com Diana é eficaz, equilibrada e sincera. Há uma boa sintonia com Gal Gadot, que resultam em ótimas cenas dramáticas e bem humoradas.

As sequências de ação abusam do slow-motion, mas são bem criativas, pois conseguem explorar o potencial da força de Diana Prince e das Amazonas. As cenas durante as trincheiras são um dos pontos altos do longa.

O único problema do longa está em seu ato final. O desfecho com Ares representa a mesma falha de outrora em filmes de super-heróis: não fazer um vilão à altura de seu herói. Toda a importância dada ao personagem na sequência inicial é destruída em mostra-lo como uma ameaça comum. Muito barulho por nada e nem a batalha chega a empolgar tanto.

Ao final, Mulher-Maravilha é o filme mais importante do universo DC depois de Batman – O Cavaleiro das Trevas. Ambos criaram um estilo próprio, mas sem desconstruir características que definem seus heróis e os fizeram se tornar tão importantes. Um filme para Warner Bros/DC Films se orgulhar, porque pela primeira vez há uma grande heroína, e que se mostra mais imponente que Batman e Superman. É a razão para continuar acreditando no universo cinematográfico da DC. Que venha Liga da Justiça, pois queremos mais Mulher-Maravilha, mais Gal Gadot!

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