Finalmente, depois tantos erros e tropeços, a DC lançou algo digno de nota máxima. Após a péssima recepção de Batman vs Superman e Esquadrão Suicida, quando a empresa anunciou o filme solo de Mulher-Maravilha todos ficamos apreensivos, mesmo com todos os indícios possíveis de que algo bom iria sair. Felizmente, para a alegria geral da nação, assim como a protagonista representou na história uma salvação para o que estava praticamente perdido, a nova produção é a luz no fim do túnel obscuro de filmes recentes da DC. Em meio a um cardápio de filmes de heróis, e digo me referindo aos do gênero masculino, Mulher-Maravilha veio para desconstruir toda e qualquer opinião remanescente sobre um possível sexo frágil.

Seja no mundo das séries ou dos filmes, poucas são as vezes onde vemos um artigo diferente precedendo o nome do herói. Entretanto, o fato da protagonista da vez ser uma mulher não deveria ser assim tão digno de destaque, apenas algo rotineiro e presente no cotidiano como tantos outros. E é exatamente isso que a diretora Patty Jenkins tenta mostrar a todos com a trama, seja por meio das inúmeras cenas de ação da personagem ou pela descrença dos homens em relação a guerreira que está em sua frente. Em uma época onde mulheres “serviam” para cuidar da casa e dos filhos, ter uma que não apenas fosse para guerra como também acabasse com ela, é em suas devidas proporções um reflexo do que ainda enfrentamos na sociedade. Jenkins não precisou apelar para argumentos feministas e/ou piegas em sua produção, pois Diana Prince fala por si só em cada momento onde segue seu instinto, seja ele aprovado ou não pelo público masculino a seu redor.

Um dos diversos pontos positivos do filme é a independência em relação aos quadrinhos, o que acaba por agradar todos os públicos. Os fãs aficcionados pela história de Diana terão seus ideais retratados na tela da melhor forma possível, respeitando o material original e apenas melhorando-o. Ao mesmo tempo, quem ainda não conhecia nada da heroína além do tradicional símbolo e das roupas vermelhas e azuis, terá a chance de ver a criança crescendo e sendo treinada na ilha Themyscira – muito bem representada pelo lugar paradisíaco escolhido nas filmagens – até sua chegada ao “mundo real”, em Londres. A excelente escolha de cenário e os gráficos maravilhosos são acompanhados por uma uma trilha sonora de arrepiar todos os fios de cabelo. Temos desde o clássico tema da personagem composto por Hans Zimmer, e que corroborou para a formação da imagem da Mulher-Maravilha em Batman vs Superman, até uma música composta pela Sia, ou seja, nada que pudesse deixar a desejar!

O filme possuí diversos elementos chave que juntos formaram a bela produção final, mas não podemos deixar de citar a responsável por tudo isso ao lado da diretora. O que falar da beleza estonteante de Gal Gadot? Com trejeitos delicados e ao mesmo tempo intensos e precisos, ela atribui a personagem as expressões no momento certo. Gadot é uma grande guerreira nas cenas de batalhas e explosões; enquanto sabe ser a mulher digna de olhares, elegante e poderosa em um vestido longo. Diana é ingênua e passa a conhecer o mundo pelos olhos de Steve Trevor (Chris Pine), provocando muitas risadas no público e dando o tom de comédia necessário para não se tornar algo bobo. A jovem israelense de 32 anos encarou um papel já interpretado por Lynda Carter e não deixou o peso do nome atrapalhar. Sua atuação é sem sobra de dúvida o maior acerto do filme e serviu de lição para todos que criticaram sua escalação. Que seja nossa Mulher-Maravilha por um bom tempo!

Por mais que todos os holofotes estejam virados para a heroína, não podemos deixar de dar os devidos créditos a seus colegas de elenco. A química entre Chris Pine e Gal Gadot é para romântico nenhum botar defeito, fazendo dele o parceiro ideal para os impulsos de Diana. São entre os dois os momentos de diversão e carinho que servem para amenizar o clima tenso das cenas de ação, e até mesmo quem não é fã de romance se pegará torcendo pelo casal.

Os personagens mais vazios de Mulher-Maravilha são os vilões. Mesmo sendo interpretados por atores de enorme talento, os mesmos não conseguem mostrar tudo aquilo que são capazes e vivem figuras um tanto infantis. Elena Anaya é a Dra. Isabel Maru, ou Doutora Veneno, e mais parece uma cientista louca de um filme de comédia; Danny Huston vive o famoso ditador e general alemão Erich Ludendorff, temido desde os minutos iniciais do filme, mas que não provoca medo nenhum em quem está assistindo.

O verdadeiro vilão é revelado apenas nos minutos finais, por mais que pequenas dicas dêem a entender quem ele é desde o início. David Thewlis abandonou o lado mocinho do Professor Lupin na saga Harry Potter, para viver Ares, o deus da guerra segundo a Mitologia Grega. Ao lado de Gal Gadot, ele protagoniza os momentos de maior ação e efeitos especiais de todo o filme, principalmente quando assume a forma monstruosa do Deus. Entretanto, mesmo com todo o talento já conhecido de Thewlis, Ares não consegue se tornar um vilão emblemático e memorável em um filme da DC, proporcionando ainda mais destaque ao casal principal.

Em suma, Mulher-Maravilha é o filme da heroína que todos precisávamos – principalmente a DC -, surgindo em uma época onde outros semelhantes não emplacaram tanto quanto prometido. Gal Gadot é a nossa nova Mulher-Maravilha e espera-se que permaneça no papel pelo máximo de tempo possível. Com uma trilha sonora invejável, efeitos especiais e visuais adequados para as cenas de ação e um roteiro para fã nenhum botar defeito, a produção merece todas as críticas positivas que vem recebendo pelo mundo. Em um universo rodeado por heróis do sexo masculino foi a do feminino que sobressaiu, já caracterizando a nova história da DC como memorável e necessária nos dias de hoje. Palmas para a Mulher-Maravilha.

 

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