Os fãs de Power Rangers receberam uma notícia nada animadora. O Disney+ decidiu não seguir adiante com a série live-action da franquia, que vinha sendo desenvolvida há cerca de um ano e meio pela plataforma de streaming.
O projeto contava com Jonathan E. Steinberg e Dan Shotz como roteiristas e produtores executivos, dupla que atualmente ocupa as mesmas funções em Percy Jackson e os Olimpianos, uma das apostas mais fortes da Disney para o público jovem. A produção estava sob responsabilidade da 20th Television, estúdio pertencente ao mesmo grupo da Disney.
Segundo o Deadline, a decisão do Disney+ teria sido motivada principalmente por questões comerciais e orçamentárias, e não por problemas relacionados ao roteiro ou à direção criativa da adaptação.
Além disso, a plataforma de streaming não possui os direitos da propriedade intelectual. A marca Power Rangers pertence à Hasbro, e isso significa que parte do retorno financeiro e estratégico da franquia não ficaria integralmente com a Disney.
Curiosamente, o cancelamento acontece em um momento em que o Disney+ vem ampliando sua estratégia de conteúdo. A plataforma, que inicialmente priorizava apenas propriedades da própria Disney, Marvel, Pixar, Star Wars e National Geographic, tem demonstrado maior interesse em franquias externas.
Nos últimos meses, o streaming fechou acordos de desenvolvimento para séries baseadas em Uma Garota Encantada e Gasparzinho, sinalizando uma abertura maior para propriedades intelectuais de terceiros.
A Hasbro busca há algum tempo uma nova adaptação live-action de Power Rangers. Antes mesmo do envolvimento do Disney+, a Netflix chegou a desenvolver uma proposta para transformar a franquia em uma série original, mas o projeto também acabou não avançando.
A série original dos anos 90, Mighty Morphin Power Rangers, foi inspirada no programa infantil japonês Super Sentai – inclusive utilizando cenas da produção nipônica. A trama seguia um grupo de cinco adolescentes que ganhavam poderes para se transformar em super-heróis, os Power Rangers, e contavam com o auxílio de robôs gigantes (os Zords) para combater o mal. A franquia ganhou duas adaptações para o cinema na década de 1990: a primeira, em 1995, com o elenco original da série, e a segunda, em 1997, com apenas alguns membros do grupo inicial.
Em 2017, a Lionsgate e a Saban Films tentaram reviver a franquia com um filme que apostou em uma abordagem mais sombria e voltada para o público jovem adulto. Apesar das expectativas, o longa arrecadou apenas US$ 142 milhões mundialmente, com um orçamento de US$ 100 milhões, frustrando os planos de expandir o universo cinematográfico. Em 2018, a Hasbro adquiriu os direitos de Power Rangers em um acordo estratégico para explorar todo o potencial da marca em múltiplas plataformas, desde brinquedos até produções audiovisuais.