Hope – O Primeiro Impacto
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Hope – O Primeiro Impacto
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Hope – O Primeiro Impacto, uma ficção científica diferente e frenética

Hope – O Primeiro Impacto é um blockbuster sul-coreano bastante singular, que aposta em uma ficção científica com criaturas diferente de quase tudo o que já vimos. A história se passa na pequena cidade de Hope Harbor, situada próxima à fronteira com a Coreia do Norte. A região é cercada por arame farpado e minas terrestres não detonadas, fazendo com que seus moradores estejam acostumados a viver em constante estado de alerta. O problema é que o inimigo mais perigoso não vem do outro lado da fronteira, mas dos céus.

Tudo começa quando o chefe de polícia Bum-seok (Hwang Jung-min) chega ao local onde um animal aparenta ter sido abatido. Um touro foi brutalmente mutilado e apresenta enormes marcas de garras pelo corpo. A carcaça foi encontrada por um grupo de cinco caçadores liderado por Sung-ki (Zo In-sung), que insiste que o responsável é um tigre à solta. Bum-seok, porém, não parece convencido.

Ao investigar um pouco mais, ele encontra outros indícios de que algo está causando estragos na região. Enquanto Sung-ki e seus companheiros entram na floresta em busca do suposto tigre, Bum-seok é informado por sua colega Sung-ae (Hoyeon) de que a cidade já está mergulhada em pânico. Pouco depois, ele chega ao centro comercial e se depara com um cenário que mais parece uma zona de guerra.

É então que descobrimos que existe uma criatura à solta, devastando tudo e todos em seu caminho. Os moradores precisam se esconder, fugir ou se unir para tentar enfrentar a ameaça. O mais interessante, entretanto, é a maneira como o filme escolhe apresentar esse perigo. A narrativa acompanha principalmente o ponto de vista de Bum-seok, que não consegue enxergar o monstro. Consequentemente, o público também permanece no escuro sobre sua aparência, testemunhando apenas o rastro de destruição e carnificina deixado por ele.

Essa escolha funciona muito bem. Ao esconder durante tanto tempo aquilo que está causando o pânico em Hope Harbor, o diretor Na Hong-jin consegue alimentar nossa curiosidade e construir uma tensão genuína. São cerca de 45 minutos de preparação até que a criatura seja finalmente mostrada, e esse é um dos grandes acertos do filme.

O problema é que, quando finalmente podemos vê-la, parte dessa imersão se perde por causa de uma computação gráfica bastante precária. Com o tempo, é possível até se acostumar com o visual, mas alguns closes excessivos inevitavelmente chamam atenção para a fragilidade dos efeitos. O design da criatura é diferente e, em alguns momentos, até bastante interessante, mas sua execução deixa muito a desejar.

Enquanto Bum-seok tenta, sem muito sucesso, controlar a situação, Sung-ae descobre que pode haver mais de uma criatura e que elas não são exatamente aquilo que parecem. Paralelamente, o grupo de caçadores na floresta faz uma descoberta capaz de mudar completamente o rumo dos acontecimentos. A trama passa a mergulhar cada vez mais na ficção científica, até que o terceiro ato apresenta uma reviravolta drástica, alterando a perspectiva sobre praticamente tudo o que vimos anteriormente.

O desfecho surge de maneira bastante abrupta e deixa claro que o filme pretende continuar essa história em uma possível sequência. A necessidade desse gancho, entretanto, não é tão evidente, especialmente porque ele aparece depois de uma narrativa que já é longa e bastante carregada de acontecimentos. Com 160 minutos de duração, Hope – O Primeiro Impacto definitivamente poderia ser mais curto. Ainda assim, é difícil dizer que o filme seja entediante. Pode ser confuso em alguns momentos, mas jamais vai ter deixar aborrecido.

As atuações são competentes, embora nenhum dos intérpretes chegue a impressionar de maneira particularmente marcante. Hwang Jung-min faz um trabalho sólido ao transmitir a autoridade de Bum-seok pelo maior tempo possível, ainda que tenha alguns momentos bem pastelão. Já Hoyeon funciona quase como uma representante do público, descobrindo novas informações à medida que a história avança. ela também é ótima atirando, como enfermeira e como motorista. Já as participações de Cameron Britton, Michael Fassbender, Taylor Russell e Alicia Vikander certamente não são o que você imagina — e é melhor não revelar mais do que isso.

É inegável que Hope – O Primeiro Impacto seja um pouco longo, que ele apresenta um CGI bastante irregular e que termina de maneira abrupta, deixando um gancho cuja importância ainda não está muito clara. Ao mesmo tempo, há muitas sequências genuinamente divertidas, momentos de tensão bastante eficientes e uma sensação constante de que estamos diante de algo diferente. Existe uma ambição evidente na obra, e mesmo quando o filme deixa suas limitações expostas, há algo a ser admirado em sua disposição para correr riscos e fugir do caminho mais convencional. Um filme suficientemente ousado e imprevisível para manter a atenção até o fim.

Hope – O Primeiro Impacto chega aos cinemas em 8 de outubro nos cinemas, com distribuição da Imagem Filmes.

 

3.5

Muito bom

Hope – O Primeiro Impacto é uma ficção científica ambiciosa e imprevisível, que constrói muito bem a tensão. Apesar do CGI precário, da duração excessiva e de um desfecho abrupto, o filme compensa com sequências empolgantes e uma atmosfera de constante perigo. Irregular, mas divertido e ousado, é uma experiência que consegue prender a atenção até o fim.

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