Em que século estamos? Parece uma pergunta estranha de se fazer, certo? A dúvida permanece quando encontramos comentários homofóbicos sobre um filme ou um livro. Quando lemos matérias sobre um filme, e o mais importante sobre ele, de acordo com tais matérias, é que o protagonista é homossexual, tal pergunta se faz necessária. Após ler inúmeras críticas sobre o Com Amor, Simon, me perguntei em que século estamos. Em uma história repleta de amor, compaixão, amizade e coragem, a opção sexual da pessoa não é lá tão relevante. Se a história de amor de Simon fosse com uma garota, certamente o livro seria apenas mais um do gênero. Entretanto, como em pleno século XXI ainda há quem trate “ser gay” como algo diferente. Acima de tudo, Com Amor, Simon é uma ótima adaptação, repleta de ensinamentos, amor e amizade. Um filme realmente necessário.

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O Filme

O filme se baseia no livro “Simon vs. a Agenda Homo Sapiens”, de Becky Albertalli. Para entender o título anterior, recomendamos ler a história original (já falamos dela no Ler é Bom, Vai!).  Simon tem a típica vida de um adolescente norte-americano de classe média alta. É bonito, tem pais modernos e divertidos, uma irmã e um cachorro extremamente fofos, mora em uma casa enorme, tem seu próprio carro e amigos incríveis. Como todo adolescente, ele está passando pelas experiências de se apaixonar pela primeira vez. O que poderiam ser momentos prazerosos, para Simon são angustiantes.

Com medo da reação dos amigos, da família e dos outros alunos, o menino esconde que é gay. Guardando seus sentimentos para si, ele vê a oportunidade de dividi-los com alguém quando uma postagem surge no site de fofocas do colégio. Um outro aluno resolve desabafar sobre ser gay e ter de viver com isso em segredo.

De forma anônima, Simon vira Jacques e começa a se comunicar com o autor do post, que o responde sob o pseudônimo de Blue. A troca de emails se transforma em rotina e não demora para sentimentos surgirem. Os dois meninos começam a se apaixonar um pelo outro, embora não saibam quem são. Tudo ia bem, até Simon deixar o email aberto no computador da escola. Um outro aluno lê as conversas e ameaça divulgá-las caso Simon não ajude-o a sair com sua amiga Abby. Tendo de mentir para seus melhores amigos, ele começa a se questionar sobre “sair ou não do armário”. Além disso, ele teme que a descoberta das mensagens acabe com seu relacionamento com Blue.

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O Que Achamos?

Com Amor, Simon é simplesmente maravilhoso. Os assuntos são abordados de forma sutil e verdadeira, desestigmatizando o tabu que gira em torno do assunto principal. O relacionamento de Simon com as pessoas ao seu redor é a verdadeira questão do filme.

O mais especial do filme está em sua singularidade. Produções LGBT em geral seguem uma mesma linha: duas pessoas, que descobrem o amor uma na outra, mas que não podem ficar juntas por aceitação da família. Com Amor, Simon foge da curva e entrega algo único. As pessoas ao redor do menino são as melhores possíveis e o recebem de braços abertos. O medo de não ser aceito está dentro dele, dando ao público uma visão completamente diferente do “problema”.

Durante uma passagem do filme, o protagonista levanta uma questão extremamente importante. Por que só os homossexuais precisam se assumir perante a família e amigos? Por que ser hétero é tratado como o normal e os heterossexuais nã o precisam revelar nada a ninguém? Quando paramos pra pensar no significado de tais perguntas, percebemos que o filme cumpriu seu propósito. Além de entreter, o longa veio para ensinar o público. Quantos Simons não existem espalhados por aí? Escondidos e calados pelo medo de não serem aceitos? Se você for um deles e estiver lendo isso, assista a Com Amor, Simon nos cinemas. Vai valer a pena, eu prometo.

ALERTA DE SPOILER ALERTA DE SPOILER ALERTA DE SPOILER ALERTA DE SPOILER

Como toda adaptação, há momentos de discrepância em relação ao livro. Uma delas foi, para mim, o único ponto negativo do filme. Quando Simon encontra Bram na festa com uma menina, logo descarta a possibilidade dele ser Blue. No final do filme, descobrimos que era ele desde o começo e que no episódio da festa estava apenas confuso. Quem teve a chance de ler o livro de Becky Albertalli, sabe que Blue nunca teve dúvidas em relação a sua sexualidade. Por que criar essa dúvida no personagem, uma vez que o mesmo sempre esteve muito certo daquilo que queria?

FIM DO SPOILER.

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O Elenco

Com Amor, Simon não poderia ter um protagonista melhor. Nick Robinson conseguiu entregar exatamente o personagem que imaginávamos. Não é fácil assumir a responsabilidade da liderança em uma produção, principalmente quando ela carrega o nome de seu personagem. O jeito carismático e doce do ator se encaixou perfeitamente com a personalidade de Simon e não demora para nos identificarmos com ele. Depois de vermos o show de interpretação que Katherine Langford deu como Hannah Baker em 13 Reasons Why, não era de se surpreender que ela agisse de igual forma em seu próximo trabalho, Mesmo não tendo tantas cenas como na produção anterior, ela é exatamente o que a personagem exigia que fosse.

O quarteto é completado por Abby (Alexandra Shipp) e Nick (Jorge Lendeborg Jr.). A forma como os quatro amigos se comportam é muito natural, parecendo que realmente estão vivendo aquele momento. Tudo flui de forma orgânica, dando até mesmo para esquecer que estamos vendo uma história de ficção. Mesmo assumindo o papel de “vilão”, Logan Miller entrega uma atuação muito boa e divertida como Martin. Suas feições conseguem nos fazer odiá-lo rapidamente, o que indica o trabalho bem feito do ator.

Momentos de descontração e gargalhadas são essenciais para aliviar o clima do roteiro. Boa parte destes acontece graças a Jennifer Garner e Josh Duhamel. Embora apareçam pouco, terminam o filme nos fazendo desejar que fossem nossos pais. Com uma dose certa de comédia e responsabilidade, protagonizam algumas das cenas mais emocionantes do longa.

4

Ótimo

Com Amor, Simon conseguiu adaptar muito bem o livro de Becky Albertalli. Com a dose certa de romance, companheirismo, coragem e diversão, o filme nos faz sair do cinema mais felizes (e com vontade de vê-lo de novo).

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