Quando a porta vermelha se fechou, uma ainda mais perigosa se abriu. É com essa chamada e premissa que somos apresentados a Sobrenatural: Agora entre Nós, sexto longa da franquia criada por Leigh Whannell em 2008.
Na trama, seguimos a história de Gemma (Amelia Eve) que, quando criança, viu sua mãe tirando a própria vida na sua frente. Agora, adulta e mãe, Gemma tenta lidar com o trauma e proporcionar uma infância melhor para sua filha, ao mesmo tempo em que passa a lidar com as visões do Além e se encontra seguindo os mesmos passos que levaram sua mãe à morte.
A franquia Sobrenatural é reconhecida por tratar de traumas geracionais e relações familiares, e aqui, em Sobrenatural: Agora entre Nós, isso não poderia ser diferente. No entanto, diferentemente de seus antecessores, o sexto filme trabalha com esses temas de forma mais madura e traz dramas familiares ainda mais pesados e complexos daqueles vistos anteriormente, apesar de cambalear em seu ritmo e intenção em alguns momentos.
Aqui, temos o filme mais sofisticado da franquia. A direção e o roteiro de Jacob Chase seguem as normas já muito bem estabelecidas nesse universo, ao mesmo tempo em que surfa em novas ideias que foram muito bem aproveitadas e serviram para aprimorar o resultado final.
Sobrenatural: Agora Entre Nós bebe da fonte de diversos subgêneros do terror, desde sequências em que a câmera simula os movimentos found footage, o uso da câmera na mão tremulando junto ao movimento da personagem, até mesmo se aventurando no hype dos espaços limiares que se tornaram tendências nos últimos anos e, por fim, investe em uma sequência de body horror que não deixa a desejar em nada na agonia e no grotesco.
Essa escolha de surfar entre os subgêneros é o que vai culminar no acerto do filme: quase todos os sustos funcionam muito bem. Apesar dos jumpscares clássicos e já batidos, o filme investe em algumas cenas mais tensas, em que o susto é postergado até que a tensão chegue ao ápice, até a guarda abaixar. Vale ressaltar a qualidade da cena presente no trailer, onde a personagem de Amelia está em um longo corredor, e que funciona ainda mais no filme.
Apesar de ter mencionado o tema central ser o trauma familiar, esse detalhe é tratado de forma banal e não temos grandes resoluções ou discussões acerca disso. Em determinado momento o filme deixa de lado essa discussão e investe em “aparições especiais” dos demônios dos filmes anteriores. Abdicando, assim, de uma profundidade que poderia ser interessante de ser vista em um filme como esse.
Mesmo com um roteiro que caí nos clichês e que tem medo de inovar ao adentrar temas mais complexos, Sobrenatural: Agora Entre Nós tem ótimos sustos e consegue cativar tanto os fãs mais assíduos da franquia quanto o público geral.
Muito bom!
Sobrenatural: Agora Entre Nós mergulha em traumas geracionais, relações familiares e terrores que atravessam gerações. Com uma abordagem mais madura, o filme mistura diferentes subgêneros do horror, aposta em sequências sufocantes e entrega alguns dos melhores sustos da série.