Labirinto dos Garotos Perdidos chega aos cinemas no dia 04 de junho.
Às vésperas do vestibular, Miguel (Giuliano Garutti) precisa de um lugar para se hospedar e encontra esse refúgio na casa de Pedro (Lucas Bocalon), com quem vem trocando interações em aplicativos de namoro. No entanto, Pedro se mostra uma pessoa bem diferente daquela que Miguel pensou conhecer.
Enquanto tenta entender o que sua relação com Pedro significa, Miguel sai em busca de encontros e afetos que se tornam cada vez mais intensos e estranhos, ao mesmo tempo em que um assassino está à solta em busca de pessoas como ele.
Labirinto dos Garotos Perdidos parte da ideia comum aos filmes de descoberta da sexualidade, mas subverte essa narrativa em uma trama intensa, intrigante e desafiadora. O clima de tensão se faz presente desde os primeiros momentos do longa e, no decorrer de sua duração, a sensação de opressão cresce à medida que os encontros de Miguel se tornam cada vez mais estranhos.
A direção e o roteiro de Matheus Marchetti são eficientes ao criar o mistério e manter a incerteza sempre à espreita. No entanto, próximo ao desfecho, o último encontro de Miguel parece desconexo dos anteriores e do tom que o filme vinha seguindo, gerando certo estranhamento por conta do aspecto mais cômico dessa cena. Assim que esse “episódio” termina, porém, o longa retoma o caminho que vinha construindo, assumindo, novamente, o teor artístico, musical e introspectivo; acompanhado da intensidade imposta desde o início, o que acaba tornando o encontro anterior ainda mais deslocado.
Giuliano Garutti é convincente e eletrizante como Miguel, a sensação é que Giuliano vai ficando cada vez mais confortável no papel na medida em que Miguel vai descobrindo novas aventuras. Isso faz com que a relação do espectador/personagem se torne mais próxima. Um dos pontos que também auxiliam nessa proximidade é a escolha dos diálogos. As falas cruas e corriqueiras parecem estranhas quando vemos na tela pela primeira vez, mas são elas que, no decorrer do filme, afirmam a intenção mais intimista do filme.
Algo que não deve, de forma alguma, ser deixado de lado quando falamos sobre Labirinto dos Garotos Perdidos é a sua trilha sonora, sendo uma personagem própria. Com músicas autorais e algumas versões, a trilha sonora se torna uma linha que vai nos guiar ao longo dessa história. Todas as canções possuem uma intenção muito bem definida e aplicada na trama, nos ajudando a entender sobre as motivações dos personagens bem como seus sentimentos.
Mesmo com alguns tropeços no fluxo narrativo, Labirinto dos Garotos Perdidos é uma experiência singular, instigante e que rompe padrões e tabus sobre sexualidade. A mistura entre poesia, suspense, desejo e vulnerabilidade é um retrato inquietante sobre uma fase da vida que é comum para todos independentemente da orientação sexual. Matheus Marchetti constrói uma obra incômoda e fascinante, que seguirá com o espectador mesmo após o final do filme.
BOM
Mesmo com alguns tropeços no fluxo narrativo, Labirinto dos Garotos Perdidos é uma experiência singular, instigante e que rompe padrões e tabus sobre sexualidade. A mistura entre poesia, suspense, desejo e vulnerabilidade é um retrato inquietante sobre uma fase da vida que é comum para todos independentemente da orientação sexual. Matheus Marchetti constrói uma obra incômoda e fascinante, que seguirá com o espectador mesmo após o final do filme.