O Desaparecimento de Josef Mengele: Uma graphic novel inquietante e necessária
Divulgação/Pipoca & Nanquim
O Desaparecimento de Josef Mengele: Uma graphic novel inquietante e necessária
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O Desaparecimento de Josef Mengele: Uma graphic novel inquietante e necessária

O Desaparecimento de Josef Mengele, graphic novel assinada por Matz, Jörg Mailliet e Sandra Desmazières, adapta o romance de Olivier Guez, lançado originalmente em 2017. A HQ transforma um dos capítulos mais revoltantes da história contemporânea em uma experiência visual densa, fria e profundamente angustiante. E talvez esse seja seu maior mérito: jamais permitir que o leitor encontre conforto.

O Desaparecimento de Josef Mengele: Uma graphic novel inquietante e necessária

Para quem já conhece o livro de Guez (tem crítica da obra aqui), a adaptação surge quase como uma expansão sensorial daquela investigação histórica. Afinal, o romance original já possuía um ritmo impressionante, acompanhando os rastros do capitão da SS Josef Mengele após a queda do Terceiro Reich. Aqui, porém, a linguagem dos quadrinhos acrescenta uma camada emocional brutal. O horror deixa de existir apenas nas palavras e ganha rostos, sombras, olhares e silêncios que ecoam pelas páginas. E, honestamente, há momentos em que a ausência de diálogos pesa mais do que qualquer discurso.

Conhecido mundialmente como o “Anjo da Morte”, Mengele foi um dos nomes mais monstruosos ligados ao Holocausto. Em Auschwitz, era ele quem decidia quem viveria, quem morreria e quem serviria como cobaia para seus experimentos desumanos. Os autores entendem que não é preciso exagerar para causar impacto. Basta mostrar a banalidade do horror. Basta observar como Mengele enxergava pessoas como peças descartáveis. E é justamente nessa frieza burocrática do mal que a obra encontra sua força mais perturbadora.

O Desaparecimento de Josef Mengele desmonta qualquer ideia de que ele simplesmente “sumiu do mapa”. Existia uma engrenagem inteira trabalhando para protegê-lo. Uma rede internacional de simpatizantes do nazifascismo e aliados que garantiram documentos falsos, esconderijos e rotas de fuga pela América do Sul. Buenos Aires surge quase como um personagem próprio da história: uma cidade que acolhia fugitivos nazistas enquanto o mundo tentava fingir que os horrores da guerra pertenciam apenas ao passado.

E aí reside um dos elementos mais assustadores da obra: a impunidade. Porque O Desaparecimento de Josef Mengele não é apenas sobre um criminoso de guerra escondido. É sobre a capacidade humana de normalizar o absurdo quando isso convém politicamente. Conforme os anos avançam, vemos Mengele transitando entre Argentina, Paraguai e Brasil, assumindo novas identidades, e observando o cerco internacional se fechar lentamente. Só que o mais impressionante é perceber como, mesmo acuado, ele jamais demonstra arrependimento verdadeiro. Em nenhum instante a obra tenta humanizá-lo no sentido de absolvição moral.

O Desaparecimento de Josef Mengele funciona como reflexão política extremamente atual. Porque ler essa obra em 2026 inevitavelmente provoca paralelos desconfortáveis com o crescimento de discursos extremistas ao redor do mundo. A HQ nos lembra que o fascismo não desaparece magicamente após guerras. Ele sobrevive em redes de apoio, em negacionismos, em silêncios convenientes e na tentativa constante de reescrever a história.

Publicada no Brasil pela Pipoca & Nanquim, a graphic novel é uma leitura pesada, incômoda e absolutamente necessária.


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