Duna, de Frank Herbert

Poucos livros são tão essenciais a ficção científica moderna como Duna, de Frank Herbert. Com um cenário muito rico e criativa, onde a ambientação e o clima ajudam a fortalecer uma história que mescla intriga palaciana com elementos religiosos.

Intriga no espaço e no deserto

Em um futuro muito distante, quando a humanidade já se espalhou pelas estrelas e a Terra é apenas uma lembrança (as datas usadas falam do ano dez mil, mas o livro não especifica se isso é depois de Cristo ou existe outro marco), a sociedade é sustentada por quatro pilares: o imperador, as casas nobres, a Guilda Espacial e as Bene Gesserit. O imperador centraliza o poder, as casas nobres lutam entre si por destaque, mas respeitando a autoridade do monarca, a Guilda Espacial tem o monopólio da viagem espacial e do banco do império, e as Bene Gesserit são uma parte de ordem de mulheres com poderes e propósitos estranhos.

As duas casas principais são a casa dos Atreides e dos Harkonnen, os primeiros considerados uma casa justa e honrada, enquanto os segundos são vistos como degenerados e traiçoeiros. Parte de uma armação envolvendo o imperador e os Harkonnen, a casa de Atreides ganha o planeta de Arrakis.

Conhecido como Duna, o planeta Arrakis é composto por um gigantesco deserto, praticamente nenhuma água, algumas cidades e uma população de beduínos, os fremen. As condições desse planeta são severas ao ponto de qualquer um que sair no deserto vai morrer em poucas horas, se não devidamente protegido por um traje isolante que reaproveita a água do próprio corpo. Mas também é o único lugar da galáxia que se encontra a especiaria, que a Guilda usa para as viagens espaciais. Sem a especiaria é impossível viajar, então ela é o bem mais precioso que existe.

Heróis e vilões memoráveis

Fora do conhecimento do imperador, da Guilda e das casas nobres, as Bene Gesserit estão catalogando e mesclando as linhagens nobres. Elas procuram criar um homem especial, que chamam de Kwisatz Haderach e será capaz de ter os poderes de controle de mentes e previsão do futuro que elas possuem, assim como uma capacidade limitada de onisciência. Para chegar a esse escolhido, elas vão ter que mesclar os Harkonnen e os Atreides.

Lady Jéssica é uma Bene Gesserit, e também concubina do duque Leto Atreides. A missão que foi designada pelas suas superiores foi ter uma filha mulher, que posteriormente iria procriar com o herdeiro Harkonnen para gerar o escolhido. Jéssica, porém, decidiu ter um filho homem, para dar ao duque um herdeiro. Nasceu dessa união Paul, herdeiro da casa Atreides. Existe a suspeita, entre as Bene Gesserit, que ele pode ser o Kwisatz Haderach profetizado.

O duque, Jéssica e Paul, cercados de uma companhia de personagens memoráveis, como Thufir Hawat, Gurney Halleck, Duncan Idaho e o dr. Wellington Yueh partem para Arrakis para tomar posse do antigo feudo Harkonnen, caindo intencionalmente em uma armadilha cuidadosamente preparada pelo barão Vladimir Harkonnen, que envolve ajuda de tropas da guarda imperial e traição de um membro do círculo interno do duque.

O barão é uma figura terrível, morbidamente obesa que precisa de suportes antigravidade para suportar o próprio peso, e passa seu tempo tramando e abusando sexualmente de escravos. Ao seu lado está seu herdeiro e sobrinho Feyd-Rautha, um jovem apaixonado por lutar na arena de gladiadores (mas sempre drogando seus adversários para garantir sua vitória), seu harém e que passa seu tempo planejando derrubar seu tio e usurpar seu poder.

O deserto de Duna

Já em Arrakis, Paul ficará sabendo que é parte de uma lenda local: um forasteiro, filho de uma Bene Gesserit, será o messias que vai liderar o povo. Ele profetiza que será conhecido por eles como Muad’Dib, “aquele que aponta os caminhos”.

Ele e sua mãe precisam se esconder entre os fremen, aprendendo os costumes de Duna. Quase não existe água no planeta, então ela é o bem mais valioso que eles conhecem. São um povo dividido em tribos, que mora disperso, em pequenos povoados do deserto.

Os fremen são um povo guerreiro, e seus líderes sempre são decididos através do combate, assim como diversas contendas entre eles. São duelos individuais, onde os dois homens lutam armados apenas com facas.

Com exceção de morte em duelo, quando alguém morre ele é triturado e sua água é dividida pelo resto da tribo, independente de quem seja. Existe o ditado “a carne é do homem, a água é da tribo”.

No deserto também moram os vermes gigantes. Eles caçam e destroem qualquer coisa que invada seu território, seja animal ou máquina, o que torna a extração de especiaria algo muito difícil, pois ela surge apenas no deserto mais profundo. Os fremen, porém, sabem como evitar os vermes, e até mesmo os usam como montaria.

Uma grande fantasia

Pode parecer muita informação, e é mesmo. Herbert segue a escola de Tolkien (autor de O Senhor dos Anéis), explicando muito pouco e deixando a ambientação e a imaginação do leitor tomar conta. No final existem apêndices e um glosário, mas não são tão necessários para uma compreensão da história.

O importante é deixar a ambientação e a história levar você. São grandes personagens e um cenário muito rico e criativo, com elementos de fantasia medieval e ficção científica. Pensem numa mistura de O Senhor dos Anéis, com Game of Thrones, Star Wars e As Mil e Uma Noites.

Se existe algum problema nesse livro é que parece que a história demora para engrenar. O Herbert não tem medo de primeiro apresentar seu cenários e personagens, antes de começar com os conflitos. Isso torna o início do livro um pouco arrastado. Mas quando engrena.

Duna, de Frank Herbert é um clássico. Conheça, você não vai se arrepender.

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