A artista franco-iraniana Marjane Satrapi, autora da aclamada graphic novel Persépolis, morreu nesta quinta-feira (4), aos 56 anos. A informação foi confirmada por familiares em comunicado enviado à Agência France-Presse (AFP). Segundo a nota, a quadrinista “morreu de tristeza” pouco mais de um ano após a morte de seu marido, Mattias Ripa, produtor, ator e roteirista que faleceu em 8 de abril de 2025.
A notícia abalou fãs de quadrinhos, literatura e cinema ao redor do mundo. Afinal, Satrapi não foi apenas uma artista talentosa: ela se tornou uma voz fundamental para compreender a realidade do Irã contemporâneo e os impactos das transformações políticas e sociais vividas pelo país nas últimas décadas.
Marjane Satrapi alcançou reconhecimento internacional com Persépolis, obra autobiográfica publicada originalmente na França entre 2000 e 2003 pela editora L’Association. Com uma narrativa poderosa e visualmente marcante, a graphic novel retrata sua infância e adolescência durante um dos períodos mais turbulentos da história iraniana, marcado pela Revolução Islâmica de 1979 e pela Guerra Irã-Iraque.
A HQ conquistou leitores em diversos países e ajudou a ampliar o reconhecimento das histórias em quadrinhos como uma forma legítima e impactante de expressão artística e jornalística.
Nascida em Rasht, no Irã, em 22 de novembro de 1969, Satrapi tornou-se conhecida por suas críticas ao regime teocrático iraniano e pela defesa da liberdade de expressão. Em 1994, mudou-se para a França, país onde reconstruiria sua trajetória artística e profissional. Doze anos depois, conquistou oficialmente a cidadania francesa, consolidando uma relação que seria fundamental para sua carreira internacional.
Além dos quadrinhos, Marjane Satrapi também deixou sua marca no cinema. Em 2007, ela codirigiu ao lado de Vincent Paronnaud a adaptação animada de Persépolis, levando sua história autobiográfica para as telas. O longa recebeu aclamação da crítica mundial, conquistou o Prêmio do Júri no Festival de Cannes e ainda garantiu uma indicação ao Oscar de Melhor Animação.