Pensei muito a respeito de qual livro começaria o Ler é Bom, Vai! esse ano. Resolvi falar de um dos últimos que li em 2017 e que me agradou bastante, principalmente sendo da autora que é. Nunca escondi o fato de que sou fã do trabalho de JoJo Moyes. Mesmo tendo que ler temas diferentes entre um livro e outro, sempre acabo retomando ao romance clássico e improvável da autora. Depois de ler O Navio das Noivas, precisava de algo que me fizesse voltar a amar Moyes como antes e para isso escolhi Um mais Um. Publicado originalmente em 27 de fevereiro de 2014, o livro retoma algo que me atraiu logo na primeira vez em que peguei algo dela para ler: a originalidade. Mesmo se tratando de um romance, onde o final é possível se prever logo, a maneira como a história se desenvolve e chega ao desfecho é incrível. Sem dúvidas, começamos com o pé direito.

“Fazendo faxinas de manhã e trabalhando como garçonete em um pub à noite, Jess mal ganha o suficiente para sustentar a filha Tanzie e o enteado Nicky, que ela cria há oito anos. Jess está muito preocupada com o sensível Nicky, um adolescente gótico e mal-humorado que vive apanhando dos colegas. Já Tanzie, o pequeno prodígio da matemática, tem outro problema: ela acabou de receber uma generosa bolsa de estudos em uma escola particular, mas Jess não tem condições de pagar a diferença. Sua única esperança é que a menina vença uma Olimpíada de Matemática que será disputada na Escócia. Enquanto isso, um dos clientes de faxina de Jess decide se refugiar em sua casa de veraneio por causa de uma denúncia de práticas ilegais envolvendo sua empresa. Entre ele e Jess ocorre o que pode ser chamado de ódio à primeira vista. Mas quando Ed fica bêbado no pub em que Jess trabalha, ela faz questão de deixá-lo em casa, em segurança. Ed oferece uma carona a Jess, os filhos e o enorme cão da família até a cidade onde acontecerá o torneio. Começa então uma viagem repleta de enjoos, comida ruim e engarrafamentos.”

A leitura de Um mais Um foi uma daquelas gratas surpresas que o universo dos livros nos proporciona. Depois da breve decepção que tive com o anterior de Moyes, estava com as expectativas bem baixas. O que mais me encantou nesta obra foi a veracidade em relação ao cotidiano da sociedade. Pessoas reais com problemas reais. Mesmo com uma pegada no estilo Romeu e Julieta, estamos longe de amores impossíveis dramáticos. Nessa história temos dois seres humanos carentes, passando por problemas em realidades diferentes, mas que possuem igual gravidade. Enquanto Jess luta para ganhar dinheiro e oferecer uma vida decente a seus filhos, Ed tenta corrigir um erro do passado que irá assombrá-lo para sempre. Não é difícil imaginar que o casal terminará junto (não diga que é spoiler, antes de ler a primeira página já dá para tirar essa conclusão), mas é a quantidade de empecilhos e emoções que surgem entre eles que nos impede de largar o livro.

Diferente de outras personagens femininas de JoJo, Jesse está longe de viver uma vida “invejável”, muito pelo contrário. A rotina da dona de casa é comum a muitas mulheres. Ter de fazer o papel de pai, mãe e madrasta, enquanto luta para manter um prato de comida, cama e roupa lavada para os dois mais novos, não é fácil. Ela abdicou dos prazeres e privilégios próprios em prol dos filhos, assim como muitas o fazem atualmente. E mesmo quando encontrou a oportunidade de ter uma vida fácil, Jess não a agarrou com tanta facilidade, relutando para ter alguém ao seu lado que a impedisse de lutar.

Divulgação/Intrínseca

Não só de assuntos sérios e tristes que Um Mais Um fala sobre. O desenvolvimento entre Jess e Ed requer muito humor e piadinhas da filha mais nova para surgir. Tanzie quebra o gelo nos momentos de tensão e a ingenuidade de criança não a deixa pensar antes de soltar suas dúvidas. O preconceito sofrido pela menina por ser filha da faxineira é outro assunto bem abordado no livro, mostrando que a crueldade do ser humano surge muito antes da fase adulta. A importância da menina é tanta que ela tem a chance de narrar os próprios capítulos, assim como Ed, Jess e o enteado Nick. A menina é um prodígio da matemática e tem de enfrentar uma pressão digna de gente grande. Se ganhar, irá tirar um peso das costas da mãe e ingressar em uma das faculdades mais caras do país. Caso perca, terá de lidar com o fracasso da derrota, além de voltar para a escola mediana em que estuda.

Nick é, em minha opinião, o personagem mais complexo de todos. A história do jovem demora para ser explorada com afinco, só acontecendo quando as coisas fogem do controle. Apesar da pouca idade, o garoto sofre o pior dos bullyings por parte de seus vizinhos. Ameaças virtuais e físicas, agressões em ambos os sentidos, além de ameaças a outros membros de sua família, que surgem quando ele menos espera. Mesmo não sendo filho biológico de Jess, ela o trata como tal e se desespera por não conseguir acabar com os infortúnios do menino. É apenas com a chegada de outro homem na família que Nick começa a se abrir e enxerga até uma luz no fim do túnel. A viagem surge para infelicidade do garoto, mas o que ele descobre nela é que não está sozinho no mundo, como imaginava.

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O romance, como já foi mencionado, é bem previsível, o que não tira o charme e a curiosidade que despertam no leitor. Ed e Jess são, como muitos casais famosos da atualidade, de mundos e realidades completamente diferentes. Quando os cotidianos são cruzados, percebem que tem muito a aprender um com o outro – assim como nós. Um Mais Um é mais um daqueles livros que nos relembra o porque de amarmos JoJo. A intensidade dos sentimentos, a veracidade das situações e a realidade dos personagens nos fazem devorar as páginas da maneira mais rápida possível.

  • Muito Bom
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