A parceria entre Marvel e Capcom abalou as estruturas dos jogos de luta no começo dos anos 90. X-Men: Children of Atom foi o primeiro capítulo da icônica empreitada entre as empresas. Alguns anos depois, chegava X-Men Vs. Street Fighter, que pela primeira vez, colocava vários heróis de ambos universos para saírem na porrada e que foi um sucesso retumbante. Plantado o cenário favorável, a Casa das Ideias e o lar do Mega Man resolveram apostar em seu projeto mais ambicioso, Marvel Vs. Capcom. O primeiro crossover juntava vários heróis e foi um sucesso absurdo, deixando muitos jovens dos anos 90 vidrados em suas tvs de tubo e nos arcades.

Depois de duas continuações de bastante sucesso, Marvel e Capcom resolveram voltar com a parceria (que parecia improvável) e unir novamente os dois universos em Marvel Vs. Capcom: Infinite. Seguindo a onda de histórias em jogos de luta, o novo game usa as Joias do Infinito da Realidade e do Espaço para fundir dois vilões, Ultron (inimigo dos Vingadores) e Sigma (inimigo do Mega Man X), em Ultron-Sigima. Além da fusão dos vilões, as joias também fundem os dois universos e os heróis se vem obrigados a cooperar para derrotar o vilão e restaurar seus mundos.

A premissa da história é de fato interessante e tem momentos empolgantes, entretanto, a construção narrativa deixa um pouco a desejar, com personagens que surgem, literalmente do nada e com situações, que não fazem muito sentido. Outro ponto negativo, é que a história é relativamente curta e não oferece um desfecho adequado (cheiro de DLC futuro). Nem mesmo o tradicional modo arcade conta com a cenas finais, o que deixa uma tristeza nos fãs mais saudosistas e uma sensação de que falta algo.

Além do mais, a total ausência dos X-Men é notada a todo momento. Fica difícil imaginar um jogo das duas empresas que não conte com: Wolverine, Ciclope, Magneto, Fênix, Gambit e tantos outros. É evidente que a opção da Marvel em não usar os mutantes reflete o conturbado momento editorial da Casa das Ideias, mas privar o público dos personagens que iniciaram a tão frutífera parceria entre as empresas é uma decisão bem anticlimática.

Em termos de jogabilidade, o game deixou de ser tão frenético e tem um ritmo mais cadenciado, o que pode desagradar os fãs mais antigos. Agora também é mais fácil executar combos, tanto no chão, quanto no ar, o que pode facilitar a vida de novos jogadores. A antiga dinâmica de três personagens foi substituída por apenas dois, mas a nova mecânica de assistência funciona bem e deixa a experiência bem divertida. Outro acerto é a volta das Joias do Infinito, que já tinham sido usadas em Marvel Super Heroes de 1995. O uso dos artefatos pode deixar algumas lutas bem peculiares e enfurecer alguns jogadores.

A Capcom aprendeu bastante com o polêmico lançamento de Street Fighter V, ou seja, logo de cara o game já apresenta o básico para um bom jogo de luta: história, arcade, versus offline e online (que funciona bem) e uma galeria de conteúdos como: cenas da campanha e imagens conceituais, que não acrescentam muito ao jogo. Mesmo assim, fica bem claro que DLCs serão lançados e alguns personagens já foram confirmados como conteúdo adicional.

Durante o período de testes, os jogadores reclamaram bastante dos rostos dos personagens. Por se tratar de uma versão beta, a Capcom pode melhorar as fisionomias dos personagens, entretanto, em termos gerais os gráficos não impressionam, mesmo tendo alguns cenários como, Valkanda e a Dimensão Makkai, que chegam a saltar aos olhos. As trilhas sonoras clássicas dos personagens foram modernizadas, mas ainda conversam com os fãs mais antigos e empolgam bastante durante as lutas.

É inegável, que Marvel Vs. Capcom: Infinite é um jogo extremamente divertido e que está apto para todos os públicos. Entretanto, a campanha curta, a falta de um modo arcade mais robusto, a ausência dos X-Men, e o foco exagerado nos personagens dos filmes da Marvel deixam o jogo com uma sensação constante de que poderia ter sido melhor.

Marvel Vs. Capcom: Infinite está disponível para Playstation 4, Xbox One e PC.

3

Bom

É inegável, que Marvel Vs. Capcom: Infinite é um jogo extremamente divertido e que está apto para todos os públicos. Entretanto, a campanha curta, a falta de um modo arcade mais robusto, a ausência dos X-Men, e o foco exagerado nos personagens dos filmes da Marvel deixam o jogo com uma sensação constante de que poderia ter sido melhor.

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