Preciso começar dizendo que O Sorveteiro é um dos filmes mais toscos que vi este ano, mas isso não é algo ruim o tempo todo. O fato do filme não se levar nada à sério e ter algumas das mortes mais bizarras dos últimos tempos, faz com que risadas sejam garantidas. Nele, um sorveteiro misterioso e de aparência sinistra (Ari Millen) chega a um bairro residencial e, quando as crianças locais provam suas guloseimas amaldiçoadas, transformam-se em assassinos selvagens semelhantes a zumbis.
Após um jogo de baseball infantil, o treinador do time vencedor oferece sorvete a todos os jogadores de ambas as equipes, comprando-o de um caminhão colorido que passa pelo local. Outras crianças que assistiam à partida também se juntam ao grupo e todos se lambuzam com picolés coloridos. O vendedor de sorvete ostenta um bigode sinistro, tem um jeito afeminado e não profere uma única palavra, limitando-se a sorrir largamente (e de forma sinistra) enquanto distribui casquinhas geladas e cremosas.
Jared (Charlie Zeltzer), um garoto magricela e de língua afiada, nota que os nomes dos sorvetes são estranhos e incluem fotos de animais como cobras, ratos, morcegos e aranhas. O garoto é um dos poucos que não tomam a sobremesa e ele explica que é intolerante à lactose. Sua irmã mais velha, Lizzie (Sarah Abbott), paixonite de vários colegas dele, vai buscá-lo e acaba tomando um sorvete para provocar o irmão. No caminho de volta para casa, eles veem a líder de torcida Mia (Kiori Mirza Waldman) vomitando à beira da estrada.
Após voltarem para casa, uma conversa à mesa estabelece a vida doméstica de Jared. Ambos se dão bem com os pais, Marty (Eli Roth) e Alison (Karen Cliché), que descobrimos ser advogados. Ele vai dormir e tudo está normal. Na manhã seguinte, enquanto Jared vai de bicicleta para a escola, ele vê vários colegas com manchas coloridas e granulados secos em volta da boca. Eles estão agindo de forma estranha.
Na escola, Jared, Mia e Tommy (Shiloh O’Reilly) são as únicas crianças que vemos agindo normalmente. Por alguma razão, seus amigos os estão ignorando. Os professores ficam fartos do comportamento estranho e presumem que as crianças estão metidas em alguma piada ou algum tipo de flashmob macabro. Então, as crianças hipnotizadas escutam a música do caminhão de sorvetes e começam a atacar os professores e, mais tarde, os pais, com todas as armas improvisadas que conseguem encontrar. Um rastro de corpos mutilados é deixado pelo caminho.
Logo eles percebem que os colegas enfeitiçados querem fazê-los ingerir sorvetes para transformá-los também em assassinos. Mia é bulímica e ensina a todos as melhores formas de vomitar, caso sejam contaminados. Dica que também ajuda a irmã de Jared, pois os sorvetes amaldiçoados não funcionam com adolescentes, apenas os paralisam.
Jared e seus novos amigos e sua irmã tentam descobrir como acabar com essa loucura que tomou conta da cidade e impedir que ela se espalhe ainda mais. O grupo chega a fazer alianças de conveniência com seus antigos algozes, como Sebastian (Sonam Kalsang), o valentão que roubou a bicicleta de Jared, e Chris (Dylan Hawco), o ex-namorado de Lizzie, um sujeito egocêntrico e fútil. Só que não importa se você é bonzinho ou malvado: no final, todo mundo acaba retalhado.
O Sorveteiro é o filme de terror mais sangrento e violento que vi em muito tempo, ainda que as cores sejam vibrantes e a atmosfera nostálgica. Os efeitos especiais são bem-feitos, mas possuem aquela estética de filme de baixo orçamento. Não dá pra defender os diálogos, que são muito bobos e preguiçosos ou a arte gerada por IA. Mas, para ser sincera, a experiência é satisfatória, mesmo que não haja nada realmente surpreendente ou essencial neste filme.
Com distribuição Diamond Films, O Sorveteiro estreia nos cinemas em 3 de setembro.
Regular
O Sorveteiro é um terror trash que mistura violência extrema, humor absurdo e uma atmosfera nostálgica para contar a história de crianças transformadas em assassinos por sorvetes amaldiçoados. Apesar dos diálogos fracos, da estética de baixo orçamento e do uso questionável de IA, as mortes bizarras garantem bons momentos de diversão.