Toda convenção grande de jogos tem a mesma cena se repetindo em algum canto do pavilhão: uma fila de gente sentada no chão, celular ou notebook no colo, tentando entrar no wifi do evento porque o pacote de dados já era desde a hora do almoço. Faz sentido, o wifi público está ali, geralmente sem senha ou com uma senha impressa em cartaz gigante na entrada, e ninguém para para pensar no que está acontecendo por trás daquela conexão antes de abrir o app da loja ou o launcher do jogo.
O problema é que uma rede aberta, com centenas de pessoas conectadas ao mesmo tempo, é um ambiente bem confortável para quem quer bisbilhotar tráfego alheio, e em convenções isso fica ainda mais fácil porque, com tanta gente tentando se conectar, é comum aparecer mais de uma rede com nome parecido com o oficial do evento, sem que ninguém confira qual delas é a de verdade antes de clicar em conectar.
Por que você corre riscos
Quem joga costuma ter contas com valor real embutido nelas, seja em skins, itens, moedas do jogo ou saldo de carteira digital, e é justamente esse tipo de conta que vale a pena roubar, porque dá para revender item por item num mercado paralelo sem que a vítima perceba de imediato. Por exemplo, é altamente lucrativo para cibercriminosos roubar contas de Fortnite, uma vez que muitos jogadores gastam muito dinheiro real para ampliar sua coleção de personagens e músicas. Se o login da Steam, da conta da Riot, do PSN ou do Xbox trafegar sem proteção numa rede que outra pessoa está monitorando, aquele acesso pode ser capturado ali mesmo, no meio da fila do autógrafo ou enquanto você está testando um jogo no estande ao lado.
Tem também o hábito, meio automático, de aproveitar o tempo parado na convenção para resolver outras coisas, como checar o extrato do banco ou confirmar um pagamento que ficou pendente, sem lembrar que a rede que você está usando não é a mesma de casa nem a do escritório, onde talvez exista algum tipo de proteção corporativa por trás. Numa convenção, o que existe é uma rede compartilhada com desconhecidos, e cada aplicativo aberto ali carrega esse risco junto.
Reduzindo o seu
Dá para reduzir bastante esse tipo de exposição sem abrir mão de usar a internet do evento, embora a solução mais direta continue sendo simples: uma vpn cria um túnel criptografado entre o aparelho e a internet, então mesmo que alguém esteja capturando o tráfego daquela rede aberta, o que sai do seu celular chega ilegível para quem estiver espionando. Vale ativar antes mesmo de entrar na rede do evento, não depois de já ter aberto o launcher ou feito login em algo importante.
Outro cuidado que ajuda, mesmo sem depender de nenhuma ferramenta extra, é desconfiar de qualquer rede com nome quase igual ao oficial, prestar atenção se o evento pede autenticação por captive portal (aquela página que abre pedindo e-mail ou clique antes de liberar o acesso), evitar deixar o wifi do celular configurado para conectar automaticamente em redes conhecidas, já que um nome copiado engana o aparelho tanto quanto engana a pessoa, e perguntar na organização do evento, quando dá, qual é o nome exato da rede antes de sair testando as que aparecem na lista.