Maldição da Múmia
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Maldição da Múmia
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Maldição da Múmia tem muito gore e pouca personalidade

Um prólogo situa uma família egípcia nos alicerces da história que estamos prestes a acompanhar. Quando chegam em casa, em sua fazenda de nectarinas perto de um oásis, encontram o canário de estimação quase morto em uma poça de sangue escuro. Isso é um sinal que leva os pais a verificarem o antigo sarcófago de basalto no labirinto arqueológico sob a casa. O domínio que o artefato exerce sobre a família e os deveres que eles devem cumprir para manter seu espírito maligno em silêncio serão explicados mais tarde no filme…

Então, a Maldição da Múmia mostra o sequestro de Katie (Emily Mitchell), filha do casal Charlie Cannon (Jack Reynor) e Larissa (Laia Costa). A família estava morando no Egito há cinco meses por conta do trabalho dele como repórter de TV. A pequena foi roubada por uma feiticeira (Hayat Kamille) e matriarca da família mostrada no início do filme, mas o casal fica anos sem saber dessa informação. Sem esperanças de encontrar Katie, a família Cannon se muda para uma casa isolada e repleta de espaços entre paredes nos arredores de Albuquerque, Novo México.

Um quarto foi deixado para Katie na esperança de que ela possa retornar um dia, mas os Cannon agora têm outra filha de oito anos, Maud (Billie Roy) e seu filho Sebastián (Shylo Molina) se tornou um adolescente temperamental. A mãe de Larissa, Carmen (Verónica Falcón), se mudou para morar com eles. Embora ainda vivam o luto e não consigam superar a perda da filha, a vida continua da maneira mais normal possível, ainda que Larissa evite sair de férias na tentativa de proteger os filhos. Até que Charlie recebe um telefonema da obstinada detetive Dalia Zaki (May Calamawy), ainda determinada a resolver o caso de sua filha.

Katie (agora interpretada por Natalie Grace) literalmente caiu do céu, relata a detetive Zaki na ligação, e está pronta para voltar para casa. Após um acidente de avião, a garota foi encontrada dentro de um sarcófago de 3.000 anos com seu corpo atrofiado por desnutrição e uma suspeita de que seja vítima de tráfico humano. Desembrulhada de bandagens viscosas cobertas com inscrições hieráticas que datam de séculos atrás e praticamente mumificada, a garota acorda quando o sarcófago é aberto. Como as pessoas em filmes de terror costumam ser completamente sem noção, eles levam Katie de volta para casa, afinal acreditam que o amor da família vai fazer com que ela se recupere.

Seus membros estão contorcidos e o rosto permanece em uma estranha careta, além disso, ela só consegue se comunicar através de estalos de dentes e respirações ofegantes. Diante da condição física debilitada da filha, Charlie e Larissa estão dispostos a fazer o que for preciso para que Katie se sinta segura novamente, incluindo ignorar as várias coisas perturbadoras que Katie faz. É um caso clássico de possessão, mas o alívio de tê-la de volta obscurecem qualquer medo que possam ter dela… até certo ponto. Depois de vê-la ingerir um escorpião vivo, Charlie é o primeiro a sugerir que talvez precisem transferi-la para um lugar melhor equipado para cuidar dela. Mas Larissa, uma enfermeira sempre pronta com uma seringa cheia de sedativos, é inflexível quanto à permanência de Katie em casa. Depois de um tempo, a ignorância deliberada deles chega a ser quase cômica.

Charlie consulta um especialista em arqueologia (Mark Mitchinson), que revela a existência de um espírito maligno chamado Nasmaranian, uma sombra que se movia entre os vivos, conhecido como “o destruidor de famílias” e que se acreditava ter sido contido há muito tempo. Mesmo antes disso, fica bem claro que Katie está mexendo com a cabeça dos moradores da casa, transformando-os em cúmplices demoníacos. Então, finalmente os Cannon resolvem fazer alguma coisa, mas talvez seja tarde demais…

Lee Cronin é um cineasta irlandês que, até agora, dirigiu apenas dois longas, The Hole in the Ground e A Morte do Demônio: A Ascensão. Em Maldição da Múmia, ele entrega um filme surpreendentemente longo para uma proposta tão superficial, além de deixar muito evidentes as influências de clássicos como O Exorcista, A Profecia e até do próprio A Morte do Demônio. Seu estilo parece priorizar a carnificina grotesca, que aqui surge em abundância, mas de forma tão exagerada e irreal que perde parte do impacto. As cenas em que a pele se desprende como bandagens de uma múmia são visualmente perturbadoras e chegam a causar repulsa, mas, fora esse choque inicial, o filme recorre a uma fórmula já bastante conhecida.

Ainda assim, há méritos. A obra constrói uma atmosfera mais épica do que o padrão recente do terror comercial, lembrando uma época em que filmes de monstros eram tratados como grandes produções de estúdio. Em vários momentos, o visual é genuinamente deslumbrante. O problema é que essa grandiosidade estética não compensa a falta de um roteiro à altura. Falta coesão e falta tensão bem construída, elementos que dariam peso emocional à narrativa. No fim, o longa não se firma como uma proposta nova ou ousada dentro do gênero, mas sim como uma colagem de referências a filmes melhores. E, curiosamente, apesar do título, nem chega a funcionar plenamente como um verdadeiro filme de múmia.

Maldição da Múmia chega aos cinemas brasileiros também em IMAX a partir do dia 16 de abril de 2026, com distribuição da Warner Bros. Pictures.

2.5

Regular

Lee Cronin aposta no horror grotesco em Maldição da Múmia, mas exagera na carnificina a ponto de esvaziar o impacto. Apesar do visual em grande parte bem feito e da atmosfera mais épica que o terror convencional, o filme sofre com um roteiro fraco e pouco coeso. No fim, soa como uma colagem de referências, sem identidade própria nem força como filme de múmia.

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