Golpe Explosivo começa com uma equipe de construção escavando uma rua no centro de Londres, então um dos homens se depara com algo alarmante: uma bomba não detonada, presumivelmente um resquício subterrâneo dos bombardeios da Segunda Guerra Mundial. O major do Exército Britânico especializado em explosivos, Will Trantor (Aaron Taylor-Johnson), é chamado para avaliar a ameaça. Sua missão é determinar se o artefato pode ser desarmado ou se será necessária uma explosão controlada antes que alguém se machuque. Ele pede para que uma área grande da cidade seja evacuada, caso as coisas saiam do controle. Prevendo o pior cenário possível, Trantor ordena a evacuação de uma grande área da cidade. Para isso, conta com o apoio da polícia local, liderada pela superintendente Zuzana (Gugu Mbatha-Raw), responsável por conduzir moradores e trabalhadores para a segurança do Hyde Park.
Confiante em sua própria experiência, Will Trantor rapidamente assume o controle da operação. Ele dispensa os operários, transforma a sala do encarregado em centro de comando, coordena seu esquadrão antibombas e até encomenda pizzas e bebidas para celebrar o que acredita ser uma missão já resolvida. O grande problema de sua postura é a arrogância: ele ignora qualquer opinião que contrarie suas conclusões. Assim, quando um de seus cabos sugere que os componentes químicos da bomba indicam que ela é muito mais recente do que uma relíquia da guerra, Trantor descarta o alerta sem hesitar e segue convencido de que tem tudo sob controle.
Enquanto isso, a área demarcada é evacuada com eficiência para evitar uma tragédia caso a bomba exploda antes que Trantor e sua equipe consigam neutralizá-la. Com essa parte da cidade completamente vazia e vulnerável, um grupo de ladrões de banco, comandados por X (Sam Worthington), usa o evento incomum como cobertura para um sofisticado roubo relâmpago. Usando o apartamento vazio de Rahim (Elham Ehsas) como ponto de acesso, os ladrões perfuram o cofre de um banco vizinho com equipamentos industriais e roubam uma enorme quantidade de joias em questão de minutos. O que começou como uma operação de desarmamento rapidamente se transforma em uma investigação policial ligada ao que pode ser o roubo do século.

O filme alterna constantemente entre três núcleos principais: o interior subterrâneo do cofre do banco, a escavação onde a bomba está localizada e a moderna central da polícia, repleta de monitores e sistemas de vigilância que fornecem pistas importantes sobre o verdadeiro plano em andamento. Quando a bomba finalmente explode, a narrativa muda de foco e passa a acompanhar a caçada aos criminosos, levantando a suspeita de que o artefato fazia parte de algo muito maior desde o início. Ao mesmo tempo, acompanhamos os conflitos internos do grupo, especialmente a desconfiança crescente de X em relação ao comparsa Karalis (Theo James), que pode estar planejando trair os próprios parceiros.
O roteirista Ben Hopkins e o diretor David Mackenzie, constroem uma trama intensa, violenta e cheia de reviravoltas. Desde o início, o público sabe da existência da bomba, mas o verdadeiro suspense está em entender como ela se conecta ao esquema criminoso maior. As surpresas vão muito além da simples expectativa sobre quando (ou se) a bomba irá explodir. Parte do charme de Golpe Explosivo está justamente em observar os diferentes acontecimentos se encaixando aos poucos, enquanto os próprios personagens tentam compreender o quebra-cabeça diante deles.
Mesmo quando a narrativa desacelera momentaneamente para explorar as consequências dos acontecimentos, a tensão continua aumentando através de perseguições, traições e decisões imprevisíveis. O longa ainda reserva um epílogo que retorna ao passado para amarrar as pontas soltas deixadas ao longo da história. No fim, Golpe Explosivo entrega exatamente o que promete: um suspense eletrizante, repleto de ação, personagens ambíguos e um jogo constante de desconfiança, em que ninguém parece totalmente inocente. Justamente por isso o entretenimento funciona tão bem.
Golpe Explosivo estreia em 28 de maio, com distribuição da Diamond Films.
Bom
Golpe Explosivo mistura tensão policial e filme de assalto ao transformar uma suposta bomba da Segunda Guerra em cortina para um roubo sofisticado em Londres. A direção de David Mackenzie mantém ritmo intenso com reviravoltas, traições e personagens moralmente ambíguos, enquanto o roteiro evita entregar todas as respostas de imediato. Mesmo exagerando em algumas conveniências narrativas, o filme funciona como entretenimento eficiente, sustentado pela ação dinâmica e pelo suspense constante.