“Não há nada como a respiração profunda depois de dar uma gargalhada. Nada no mundo se compara à barriga dolorida pelas razões certas ” 

Faz muito tempo desde que adicionei As Vantagens de ser Invisível a minha lista de leitura. Me encantei pelo filme de 2012 e desde então só venho ouvido comentários positivos a respeito da obra literária original. E todos estavam certos.

O livro é contado por Charlie, um solitário adolescente de 15 anos, começando a amadurecer e conhecer os prazeres e decepções da vida. Desde a primeira morte de um amigo ao primeiro amor, o jovem vivencia as típicas aventuras da adolescência e expressa suas opiniões em uma espécie de diário, a quem chama de amigo. A grande busca de Charlie é em relação a sua existência : Quem sou eu ? Por que eu sou assim ? Através de suas histórias, ele nos mostra não apenas as respostas, mas também um novo lado de sua personalidade. É através da amizade entre Sam e Patrick, dois irmãos dispostos a viver todas essas aventuras e mais um pouco, que o menino encontra o que precisava : amigos e oportunidades.

As Vantagens de Ser Invisível é um livro que nos faz pensar, em todos os parâmetros possíveis. Até que ponto estamos certos ou errados em formar opiniões precoces sobre os outros ? Charlie é extremamente inteligente, porém inocente, o que o faz enxergar toda e qualquer situação com o coração aberto. Ele tem sua rotina modificada por Sam e Patrick, mas se propões até mesmo a fumar para se integrar no grupo dos amigos. O processo de aprendizagem, mudança e transformação de Charlie é o carro chave do livro, e a maneira como ele lida com isso é que nos ensina um pouco mais sobre a vida.

  “Só preciso saber que existe alguém que ouve e entende, e não tenta dormir com as pessoas, mesmo que tenha oportunidade. Preciso saber que essas pessoas existem. “

Não pensem que Charlie é puro por ter vivido pouco, pois enfrentou situações que muitos a sua volta não vivenciaram, como o suicídio do melhor amigo e a morte da tia, de quem ele era muito próximo. O menino aprendeu a viver a vida de sua própria maneira, internalizando suas emoções e passando-as para seu melhor amigo. A maneira de narrar de Charlie é tão simples e bonita, que nos sentimos parte de seu dia a dia, a medida que as páginas vão passando.

Não pensem, porém, que estamos lidando com um livro infantil. Stephen Chbosky conseguiu abordar temas complicados e polêmicos, como homossexualidade, gravidez na adolescência e violência doméstica, sem perder a principal essência da história. A maneira como Charlie lida com todos esses impasses faz parte da construção de sua imagem, defrontando-se com os problemas e resolvendo-os de sua maneira. Para ele, o bem estar de seus amigos é muito importante, por mais que as vezes ele haja por impulso.

— Posso fazer uma pergunta?
— Sim, Charlie.
— Porque as pessoas legais escolhem amar as pessoas erradas?
Silêncio.
— Bem… Nós aceitamos o amor que achamos merecer.

Algumas questões ficaram em aberto no fim, deixando até mesmo um lado negativo na maneira como tudo terminou. Temas não abordados completamente, mas que foram onipresentes durante toda a trama, permaneceram sem resposta, como por exemplo, o fato de Charlie ter ou não alguma doença. Mais de uma vez ele apresentou crises e foi parar no hospital, porém, até hoje não sabemos o real motivo das mesmas. Ficou claro desde o início que ele era diferente dos outros, por meio de sua maneira de pensar e enxergar as coisas, mas isso se retém apenas ao lado psicológico ou existe uma razão física para tal ?

As Vantagens de Ser Invisível é um livro simples, porém cheio de conteúdo. Foi muito bem adaptado ao cinema, o que só aumentou a grandiosidade que a obra adquiriu. São poucas as páginas que a compõe, entretanto, as mesmas transbordam pureza e maestria pelas palavras de Chbosky. Todos deveríamos ter um amigo como Charlie, ou até mesmo, ter um lado Charlie dentro de nós. As vezes, as soluções são as mais simples possíveis, nós é que tendemos a complicá-las.

“Eu sei que tudo isso serão apenas histórias algum dia. E nossas fotos se tornarão velhas fotografias. E todos nós nos tornaremos mãe ou pai de alguém. Mas agora, exatamente agora, esses momentos não são histórias. Está acontecendo. Eu posso ver. E nesse momento, eu juro, nós somos infinitos.”

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