Durante o último State of Play, realizado no dia 12, a Santa Monica Studio surpreendeu a comunidade gamer ao apresentar duas novidades que rapidamente incendiaram as redes sociais e reacenderam o entusiasmo em torno de uma das franquias mais importantes da história do PlayStation. Além do aguardado remake da trilogia grega de God of War, o evento revelou — e disponibilizou imediatamente na PlayStation Store — God of War: Sons of Sparta, um projeto menor em escala, mas carregado de simbolismo e curiosidade: um spin-off que explora a juventude de Kratos e Deimos sob a ótica de um metroidvania em pixel art. A proposta, embora inesperada, demonstra uma tentativa interessante de expandir o universo da franquia para novas linguagens de gameplay, oferecendo aos fãs um olhar mais intimista sobre o passado dos irmãos espartanos.

Desenvolvido pela Mega Cat Studios, o jogo aposta em uma narrativa focada na relação entre os irmãos ainda jovens, apresentando uma jornada em que ambos percorrem Esparta em busca de Vasalis, um garoto desaparecido misteriosamente. A história trabalha com um contraste emocional bastante eficiente: Kratos é retratado como um guerreiro moldado pela rigidez da cultura espartana, disciplinado e pragmático, enquanto Deimos surge como uma figura mais sensível e impulsiva, guiada pela empatia e pelo desejo de ajudar um amigo. Esse embate de personalidades é explorado com inteligência ao longo da campanha e acaba se tornando o grande motor dramático da experiência, adicionando camadas interessantes ao desenvolvimento psicológico de personagens que, no futuro, seriam definidos por traumas e tragédias.
Em termos de gameplay, Sons of Sparta adota uma abordagem bastante tradicional dentro do gênero metroidvania. O jogador recebe liberdade para explorar regiões interconectadas de Esparta, descobrir passagens secretas, abrir baús, coletar relíquias e adquirir melhorias de habilidades. Kratos utiliza uma lança e um escudo espartano como equipamentos principais, possibilitando ataques diretos, esquivas e bloqueios defensivos que estruturam o sistema de combate. No entanto, é justamente nesse ponto que o jogo levanta alguns questionamentos relevantes: apesar da presença de upgrades, a evolução do personagem não altera de forma significativa a dinâmica das batalhas, oferecendo apenas variações pontuais de movimentos e técnicas, o que pode gerar certa sensação de repetição após algumas horas de progressão.
Visualmente, o jogo aposta em um estilo pixelado extremamente charmoso e carregado de identidade, evocando a estética dos clássicos 16-bit enquanto adapta a brutalidade da franquia para uma linguagem mais estilizada. Embora tecnicamente competente, o título acaba ficando um pouco atrás de outros representantes recentes do gênero no que diz respeito à variedade de cenários e inimigos, dois fatores que poderiam ampliar significativamente a sensação de descoberta — elemento essencial em qualquer metroidvania. Ainda assim, a simplicidade visual parece ter sido uma escolha consciente de design, reforçando a proposta de um spin-off menor, mais nostálgico e focado na atmosfera do que na grandiosidade técnica.
Se existe um aspecto em que God of War: Sons of Sparta realmente se destaca, é na trilha sonora. As composições evocam diretamente a identidade musical da trilogia grega original, combinando corais épicos, percussões marcantes e melodias que remetem imediatamente ao sentimento de grandiosidade que definiu a franquia em seus primeiros anos. Em diversos momentos, a sensação é genuinamente a de revisitar aquele período clássico da saga, criando uma ponte emocional poderosa entre o passado e o presente da série, algo que poucos spin-offs conseguem alcançar com tanta eficiência.
A campanha principal pode durar cerca de 20 horas, tempo considerável para um projeto de menor orçamento, especialmente considerando a presença de exploração adicional liberada após a conclusão da história. Esse fator amplia a longevidade do jogo e incentiva o retorno às áreas anteriores para descobrir segredos, completar upgrades e explorar regiões antes inacessíveis, mantendo o espírito de progressão contínua característico do gênero.
Para os fãs mais dedicados de God of War, Sons of Sparta funciona como um capítulo complementar interessante, capaz de aprofundar a mitologia da franquia sem a pressão de carregar o peso de um título principal. O preço de lançamento — R$ 169,90 — pode causar certo estranhamento considerando o escopo do projeto, mas promoções futuras provavelmente tornarão a aquisição mais atraente. Ainda assim, para quem deseja revisitar a Esparta clássica e acompanhar um raro momento de humanidade entre Kratos e Deimos, o jogo entrega uma experiência nostálgica, sólida e genuinamente relevante dentro do universo da série.
Mesmo com limitações estruturais e certa repetição no combate, God of War: Sons of Sparta é um experimento criativo que amplia a franquia de forma respeitosa e emocionalmente significativa — uma aventura que, especialmente para fãs antigos, vale a jornada.
BOM
Mesmo com limitações estruturais e certa repetição no combate, God of War: Sons of Sparta é um experimento criativo que amplia a franquia de forma respeitosa e emocionalmente significativa — uma aventura que, especialmente para fãs antigos, vale a jornada.