Era Uma Vez Minha 1ª Vez transforma descoberta da juventude em uma comédia datada
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Era Uma Vez Minha 1ª Vez transforma descoberta da juventude em uma comédia datada
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Era Uma Vez Minha 1ª Vez transforma descoberta da juventude em uma comédia datada

Existem histórias sobre adolescência que envelhecem junto com quem as lê. Você volta para elas anos depois e percebe que, apesar das mudanças, alguns sentimentos continuam exatamente no mesmo lugar. O medo de não se encaixar, a ansiedade diante do desconhecido, a pressão dos amigos, o primeiro amor, as inseguranças com o próprio corpo e aquela sensação de que todo mundo parece saber o que está fazendo, menos você. É justamente nesse território que Thalita Rebouças construiu boa parte de sua trajetória literária.

A autora brasileira tem uma habilidade particular para falar com o público jovem sem tratar adolescentes como crianças. Seus livros conseguem abordar descobertas, relacionamentos e os inevitáveis ritos de passagem dessa fase com leveza, humor e uma linguagem acessível. Por isso, Era Uma Vez Minha 1ª Vez, adaptação de sua própria obra, chega ao cinema com uma premissa que poderia render muito mais do que uma simples comédia adolescente sobre virgindade.

O problema é que o filme dirigido por Claudia Castro, a partir do roteiro de Thalita Rebouças e João Paulo Horta, parece não confiar completamente nesse potencial. Em vez de atualizar a discussão para uma geração que cresceu cercada por redes sociais, novas formas de relacionamento e uma conversa muito mais aberta sobre sexualidade, o longa frequentemente transmite a impressão de ter atravessado um portal diretamente para os anos 1990, e não necessariamente para a parte mais interessante deles.

Era Uma Vez Minha 1ª Vez transforma descoberta da juventude em uma comédia datada

Era Uma Vez Minha 1ª Vez acompanha Teresa, Clara, Tuca e Patty, interpretadas por Letícia Braga, Castorine, Lívia Silva e Duda Matte, respectivamente. As quatro amigas estabelecem um pacto para perder a virgindade antes da formatura, colocando sobre si mesmas um prazo que transforma uma experiência íntima em uma espécie de corrida contra o relógio.

A premissa, por si só, não é necessariamente um problema. Pelo contrário. Existe bastante material dramático aí. A ideia poderia servir para discutir pressão social, expectativas, insegurança, descoberta da própria sexualidade, medo de decepcionar os amigos e, principalmente, a percepção equivocada de que existe uma idade “certa” para determinadas experiências.

E o filme até tenta chegar nesse lugar.

Cada uma das garotas passa a enfrentar seus próprios dilemas, relacionamentos e inseguranças, e aos poucos percebe que não existe uma fórmula para crescer. Algumas descobertas chegam antes, outras depois. Algumas relações permanecem, outras terminam. E aquilo que parece urgente aos 17 anos pode ganhar outra dimensão alguns anos mais tarde.

É uma mensagem importante.

Só que a forma encontrada pelo longa para desenvolvê-la nem sempre acompanha a maturidade da ideia.

Em diversos momentos, Era Uma Vez Minha 1ª Vez parece muito mais interessado na situação cômica de quatro adolescentes desesperadas para cumprir um pacto do que nas razões que fizeram essas garotas acreditar que precisavam fazer isso. E aí está o principal problema da produção: existe uma história muito mais interessante escondida dentro do filme.

Se o roteiro tropeça, o elenco faz o possível para manter a produção de pé.

O principal mérito está justamente na química entre Letícia Braga, Castorine, Lívia Silva e Duda Matte. O quarteto funciona como grupo, e existe uma naturalidade na relação entre as personagens que ajuda a tornar a amizade delas convincente.

E aqui vale destacar Letícia Braga, conhecida principalmente pelo trabalho em D.P.A. — Detetives do Prédio Azul. A atriz encontra um dos momentos mais delicados do longa e demonstra que existe uma intérprete capaz de entregar muito mais quando o roteiro deixa o humor de lado.

Em uma das cenas mais emocionais do filme, sua personagem precisa lidar com uma situação que representa um medo bastante real para muitas adolescentes. Letícia não transforma o momento em exagero melodramático.

Era Uma Vez Minha 1ª Vez não precisava ser um drama adolescente sério e pesado para funcionar. O humor sempre fez parte do universo de Thalita Rebouças. A autora sabe trabalhar situações constrangedoras, exageradas e engraçadas sem necessariamente diminuir a importância dos sentimentos de seus personagens.

O problema está no desequilíbrio.

A comparação com filmes como American Pie surge quase naturalmente, não porque as duas produções tenham exatamente a mesma proposta, mas porque existe uma estrutura semelhante na maneira como a adolescência e o sexo são transformados em fonte de situações constrangedoras e piadas.

A diferença é que Era Uma Vez Minha 1ª Vez possui uma oportunidade muito maior de fazer algo diferente.

Ele não precisa simplesmente repetir uma fórmula que o cinema adolescente já explorou inúmeras vezes.

Era Uma Vez Minha 1ª Vez tinha a chance de falar sobre a primeira vez sem transformar a experiência em uma corrida. Tinha a oportunidade de mostrar que amadurecer não significa simplesmente cumprir determinadas etapas, mas entender seus próprios limites, desejos e sentimentos.

No entanto, entre algumas boas atuações, momentos sinceramente tocantes e uma estética que parece ter ficado presa em outra década, o filme acaba ficando no meio do caminho.

E talvez essa seja a maior ironia: uma história sobre descobrir o próprio tempo acaba sendo contada com pressa demais para encontrar o seu.

Era Uma Vez Minha 1ª Vez chega nesta quinta-feira nos cinemas.

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REGULAR

Era Uma Vez Minha 1ª Vez tinha a chance de falar sobre a primeira vez sem transformar a experiência em uma corrida. Tinha a oportunidade de mostrar que amadurecer não significa simplesmente cumprir determinadas etapas, mas entender seus próprios limites, desejos e sentimentos.

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