That ’90s Show: Parte 2 | Crítica That ’90s Show: Parte 2 | Crítica

That ’90s Show: Parte 2 | Crítica

A travessia da nostalgia à originalidade
Divulgação/Netflix

Lançado em janeiro de 2023, That ’90s Show chegou com a difícil missão de ser um derivado digno de That ’70s Show. O desafio era hercúleo: capturar a magia da série original enquanto apresentava algo novo e relevante para uma nova geração. A primeira parte da série jogou de maneira segura, aproveitando as participações especiais do elenco original para criar uma nostalgia instantânea e eficaz. O apelo a fãs antigos foi claro, e ver rostos conhecidos como Topher Grace, Ashton Kutcher, e Mila Kunis trouxe uma sensação de conforto e familiaridade que fez a estreia ser bem recebida. Contudo, essa dependência dos antigos personagens levantou questões sobre a capacidade da nova série em se sustentar por si só.

That ’90s Show: Parte 2 | Crítica

Quando a parte 2 chegou à Netflix no último dia 27 de junho, os fãs foram presenteados com uma evolução significativa. Os novos oito episódios demonstram uma confiança renovada, destacando o humor e carisma do novo elenco, deixando para trás a necessidade de se apoiar nos personagens da série original. That ’90s Show segue o exemplo de Fuller House, outra série derivada que conseguiu trilhar seu próprio caminho sem depender excessivamente de sua predecessora. Embora as referências e aparições da série original ainda estejam presentes, elas se tornam mais um deleite ocasional do que um pilar estrutural da narrativa.

Na continuação da trama, Leia (Callie Haverda) retorna à casa dos avós, Kitty e Red Forman, magistralmente interpretados por Debra Jo Rupp e Kurtwood Smith. Chegando lá, Leia é confrontada por um turbilhão de emoções, principalmente em relação a Nate (Maxwell Acee Donovan) e Jay (Mace Coronel). Este triângulo amoroso é o coração pulsante da narrativa, explorando os temas de autodescoberta e os altos e baixos do amor adolescente com uma autenticidade encantadora. Paralelamente, a série não deixa de lado Gwen (Ashley Aufderheide), que embarca em uma jornada de descoberta do amor de uma forma que é ao mesmo tempo inesperada e genuína, ampliando o espectro emocional da série.

A grande sacada da série reside na sua habilidade em capturar o amadurecimento dos adolescentes de uma maneira que é ao mesmo tempo divertida e ressonante com os anos 90. As referências culturais, a moda, e o estilo de vida da década são retratados com uma precisão nostálgica, que é ao mesmo tempo cativante e autenticamente divertida. A participação especial da cantora e atriz Lisa Loeb é um toque brilhante, oferecendo um sabor genuíno dos anos 90 que adiciona uma camada extra de autenticidade à série.

Apesar do novo elenco brilhar intensamente, Red e Kitty continuam sendo a verdadeira alma de That ’90s Show. A química inegável entre Kurtwood Smith e Debra Jo Rupp é uma força gravitacional que mantém a série coesa e envolvente. A dinâmica entre os veteranos e os adolescentes oferece uma abundância de momentos hilários, misturando sabiamente o humor clássico com novas situações que refletem os desafios e prazeres dos anos 90.

Com oito episódios que são um convite irresistível à maratona, That ’90s Show encontra seu caminho fora da sombra de sua predecessora e abraça plenamente as aventuras e desventuras da família Forman. O episódio final da parte 2 encapsula perfeitamente a essência da série e é um verdadeiro presente para os nostálgicos dos anos 90, culminando com uma participação especial que não só surpreende, mas também celebra a era com um toque de emoção e alegria.

3.5

BOM

Com oito episódios que são um convite irresistível à maratona, That ’90s Show encontra seu caminho fora da sombra de sua predecessora e abraça plenamente as aventuras e desventuras da família Forman.