Paramount Skydance deve adquirir a Warner Bros. Discovery após desistência da Netflix
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Paramount Skydance deve adquirir a Warner Bros. Discovery após desistência da Netflix
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Paramount Skydance deve adquirir a Warner Bros. Discovery após desistência da Netflix

A indústria do entretenimento foi sacudida por uma reviravolta digna de roteiro hollywoodiano. A Paramount Skydance está prestes a assumir o controle total da Warner Bros. Discovery (WBD) após a surpreendente decisão da Netflix de abandonar oficialmente a disputa pela companhia — mesmo depois de já ter firmado um acordo preliminar em dezembro para adquirir a maior parte dos ativos da gigante. As informações são da Variety.

A mudança de rumo aconteceu em uma tarde tensa no mercado financeiro norte-americano. A Netflix optou por não elevar sua proposta depois que o conselho da WBD classificou a última oferta da Paramount Skydance como uma “proposta superior” àquela já negociada com o serviço de streaming.

A oferta que mudou o jogo

A proposta final da Paramount, apresentada em 24 de fevereiro, foi estimada em aproximadamente US$ 111 bilhões pela totalidade da Warner Bros. Discovery, incluindo seus canais lineares de TV a cabo. O valor representa um salto significativo em relação ao acordo da Netflix, avaliado em cerca de US$ 83 bilhões, que previa a incorporação da Warner Bros. e da HBO Max ao ecossistema da plataforma.

Entre os pontos considerados mais atrativos pelo conselho da WBD estão:

US$ 31 por ação em dinheiro

Multa regulatória elevada para US$ 7 bilhões, caso a transação não seja concluída

Compromisso de pagamento da multa de rescisão de US$ 2,8 bilhões que a WBD teria de pagar à Netflix

A estratégia da Paramount foi agressiva e, acima de tudo, estruturada para minimizar riscos regulatórios — um fator decisivo em um momento em que as autoridades americanas analisam com rigor operações bilionárias no setor de mídia.

A reação da Netflix: disciplina financeira acima de tudo

Em comunicado conjunto, os co-CEOs Ted Sarandos e Greg Peters afirmaram que o acordo negociado com a Warner Bros. Discovery teria criado valor para os acionistas e apresentado um caminho claro para aprovação regulatória. No entanto, reforçaram que a empresa manteve sua disciplina financeira.

A mensagem foi clara: a aquisição era desejável, mas não indispensável.

A Netflix destacou ainda que seus negócios seguem saudáveis, impulsionados por crescimento orgânico e por um investimento estimado em US$ 20 bilhões em filmes e séries em 2025, além da retomada do programa de recompra de ações.

A decisão chama atenção porque Sarandos esteve em Washington na manhã da própria quinta-feira em que o acordo foi abandonado, buscando interlocução política para fortalecer a viabilidade da fusão. Ainda assim, a companhia optou por não entrar em um leilão que elevaria excessivamente o valor final da operação.

Na minha avaliação, trata-se de um movimento coerente com o histórico da empresa: a Netflix raramente age por impulso. Mesmo em um cenário de consolidação acelerada, a gigante do streaming prefere fortalecer seu catálogo e sua base global a assumir riscos financeiros de proporções colossais.

O discurso da Warner Bros. Discovery

O CEO da WBD, David Zaslav, tratou de adotar um tom diplomático, elogiando a Netflix e seus executivos pela condução do processo. Ao mesmo tempo, destacou o “valor imenso” que a combinação com a Paramount Skydance poderá gerar aos acionistas.

Já Samuel A. Di Piazza Jr., presidente do conselho da companhia, enfatizou o rigor do processo conduzido nos últimos cinco meses, classificando a iminente fusão como histórica.

Impactos para Hollywood e o mercado de streaming

A possível incorporação da Warner Bros. Discovery pela Paramount Skydance representa um novo capítulo na consolidação da indústria audiovisual. Depois da aquisição da 20th Century Fox pela Disney e da fusão entre WarnerMedia e Discovery, o setor parece caminhar para um cenário com menos players, porém mais robustos financeiramente.

No entanto, há um lado preocupante: a significativa sobreposição de operações — especialmente nas áreas de produção e programação — pode resultar em uma nova onda de demissões. A indústria já enfrentou cortes expressivos nos últimos anos, e outra reestruturação pode impactar profundamente profissionais criativos e técnicos.

Do ponto de vista estratégico, a decisão da Netflix também revela algo maior: o streaming já não depende exclusivamente da aquisição de estúdios tradicionais para garantir relevância. A empresa construiu um modelo de produção própria globalizada que se sustenta sem precisar absorver um conglomerado histórico.

Por outro lado, a Paramount aposta na consolidação como caminho para competir em escala global. A fusão pode fortalecer o portfólio, ampliar o poder de negociação com exibidores e reforçar o catálogo em um mercado cada vez mais fragmentado.

Uma nova configuração do poder em Hollywood

Se confirmada, a fusão sinaliza que Hollywood está entrando em uma fase de reorganização estrutural profunda. A absorção de um dos estúdios mais emblemáticos do cinema por outro conglomerado tradicional marca o fim de uma era e o início de outra.

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