On My Block

É praticamente impossível se referir aos Estados Unidos sem mencionar seu “lado latino”. O país pode até ter o inglês como língua oficial, mas cada vez mais o espanhol vem ganhando espaço. Tal mudança pode ser percebida nas ruas, nas músicas e também nas produções audiovisuais. Chega a ser engraçado observarmos o posicionamento do presidente norte-americano, tamanha é a presença latina no país. Goste ele ou não, a nova produção da Netflix está cheia de referências a cultura latina, começando pelos inúmeros diálogos em espanhol. On My Block entrou no cardápio de séries originais da plataforma há pouco, mas esperamos que fique por um tempo. Não chamou tanto a atenção do público como deveria, pois além de muito boa, o seriado é muito divertido.

Reprodução/Netflix

A Série

O cenário de On My Block é formado pelos guetos de Los Angeles. Um grupo de amigos têm de enfrentar o desafio diário de ser adolescente, com tudo o que tem direito. Muitas primeiras vezes tangenciam os diálogos do grupo, desde o primeiro beijo até o primeiro assassinato. Os amigos estão prestes a entrar no ensino médio, adicionando mais preocupações a sua extensa lista. Como se tudo não fosse suficiente, eles vivem em um bairro barra pesada, dominado por gangues e traficantes armados até os dentes.

O grupo é formado por Cesar (Diego Tinoco), Ruby (Jason Genao)Monse (Sierra Capri) e Jamal (Brett Gray). Tudo seguia nos conformes até a menina tirar o aparelho dos dentes e começar a se produzir mais. A garota, que antes passa despercebida, passa a chamar a atenção de um dos membros do grupo e isso mexe a com a amizade do quarteto. A família de Cesar está longe de ser um exemplo para a comunidade. O menino é irmão de Oscar (Julio Macias), o líder de uma das gangues mais perigosas do bairro. Para honrar a tradição, ele deve se tornar um membro da gangue como o irmão e para isso, certos rituais precisam ser cumpridos.

Jamal por sua vez, enfrenta o desafio de ser a ovelha negra da família. Filho de um ex-astro de futebol americano, ele se martiriza por odiar o esporte amado pelo pai. Por outro lado, o problema de Ruby está longe de ser tão sério quanto o dos amigos. Sua prima se mudou para sua casa e ele simplesmente se apaixona a primeira vista. Com os hormônios a flor da pele, se torna cada vez mais difícil controlar os sentimentos (e o corpo) perto de Olivia (Ronni Hawk).

Reprodução/Netflix

O Que Achamos?

Primeiramente, precisamos falar na importância de On My Block. Muitos jovens vivem a realidade enfrentada pelos personagens, com consequências infinitamente piores. Sabemos que estamos diante de uma produção fictícia, contudo, só o fato de tal realidade ser representada em uma gigante como a Netflix, já é extremamente importante.

A série ganha o público na simplicidade e no divertimento. Todos os sentimentos estão misturados e bem organizados na trama, expostos no momento certo. Não são precisos grandes efeitos audiovisuais, apenas a rotina complicada de um grupo de adolescentes. Quando diálogos em espanhol são criados, cenas carregadas de dramaticidade, parece que estamos diante de uma novela mexicana. Não pensem, porém, que isso é algo negativo. Quando somamos tais atributos com os recursos da Netflix, o resultado é bastante surpreendente.

Criada por Lauren Lungerich, On My Block não tem nenhum nome conhecido no elenco. A inocência dos adolescentes nos primeiros episódios é fundamental para a mudança que passam no decorrer da trama. Embora tenha diversas histórias paralelas, a série se baseia na transformação dos amigos. Do mesmo modo que cada um tem seu próprio drama, eles se juntam e tentam ao máximo resolver o do outro.

Desde já, podemos adiantar que On My Block não é o besteirol que parece ser. Há a ironia, o sarcasmo e a diversão, entretanto, o que há por trás disso é ainda melhor. Os episódios duram cerca de trinta minutos e antes que percebamos, já estamos indo para o próximo. Dessa forma, recomendamos que dê uma chance para a nova produção da Netflix. É gostosa de assistir, rápida – mas não tanto -, e certamente surpreendente. Diante de assuntos tão sérios, é reconfortante saber que ainda podemos lidar com eles da melhor maneira possível.

Ao mesmo tempo em que On My Block fala sobre vidas alheias, ela nos ajuda a melhor a nossa própria.

Reprodução/Netflix

Semelhanças?

De uns tempos para cá, a Netflix parece ter adotado uma fórmula para algumas de suas produções. Juntamente com Stranger Things e Everything Sucks!, voltamos a ter o grupo formado por três meninos e uma menina, onde um menino é negro. Ao mesmo tempo, tem-se mistério, perigo e probabilidades reais de morte presentes na vida dos jovens, apesar da pouca idade. Da mesma forma que aconteceu nas outras duas produções, a entrada de uma menina “estranha” atrapalha a amizade dos amigos, formada desde crianças. Esperamos que a fórmula continue a se repetir, pois até agora tem dado certo. E assim como aconteceu com Stranger Things, torcemos para que as outras duas produções ganhem uma continuação!

Comentários

Notícias relacionadas