O universo Marvel na Netflix possui erros e acertos. O principal erro e que acontece em praticamente todas as séries é não saber definir um vilão ou uma ameaça que motiva as ações dos respectivos heróis. Os Defensores sofreu para alinhar qual seria a ameaça para a reunião dos vigilantes. O mesmo acontece na segunda temporada de Jessica Jones, que em seu primeiro ano introduziu um dos melhores vilões de todo o universo Marvel (incluindo no cinema), Kilgrave, interpretado brilhantemente por David Tennant. Seu desfecho trágico no primeiro ano foi precipitado, quando se poderia trabalhar muito mais da relação doentia com Jessica.

O primeiro ano mostra Jones (Krysten Ritter) lutando para superar um passado de abusos e violência sexual. Ao superar esses traumas, ela acredita ser capaz de seguir em frente como uma mulher normal, mas seu passado obscuro novamente vem à tona quando Trish (Rachael Taylor), sua irmã adotiva, descobre informações sobre o inexplicável acidente que lhe garantiu poderes sobre-humanos.

Um dos pontos altos desta temporada é explorar com eficiência o passado dos personagens, destaque para o excelente episódio 7, revelando que Jessica Jones e Trish comeram do pão que o diabo amassou. Ambas são vulneráveis, tem traumas praticamente irreversíveis, mas escolheram por cicatrizar as feridas e seguiram em frente. Por outro lado, isso mascara que a narrativa custou a definir quem seria o vilão da trama. Tudo bem que Jessica Jones não é melhor exemplo do clássico super-herói. Ela apresenta histórias peculiares e que sempre focam na imperfeição da detetive. Porém, sempre há uma ameaça para ela investigar.

A série joga várias potenciais ameaças durante os 13 episódios como a instituição da IGH, Karl e Alissa. Até o décimo episódio fica confuso entender quem Jessica Jones precisa enfrentar. Até aí, a narrativa oscila com episódios eletrizantes e outros preguiçosos. 8 ou 10 episódios bastariam para este ano, que ajudariam a reparar tais falhas de construção de narrativa. Quando a dificuldade de encontrar um vilão é bem clara, eles recorrem para Kilgrave. Sua participação é pontual e ajuda a esclarecer alguns pontos em aberto do ano anterior.

A segunda temporada de Jessica Jones se sustenta no seu melhor: a força do elenco. Krysten Ritter continua soberba, em uma atuação que trabalha de forma eficaz o lado durão e doce da personagem. Dos Defensores é disparado a que tem o maior carisma. Rachael Taylor evolui no papel de Trish, embora prejudicada em alguns episódios por exageros e escolhas precipitadas como a relação mais próxima de Eka Darville (Malcom). Carrie-Anne Moss introduz um arco interessante de Jeri, que funciona bem como uma história paralela. Janet McTeer é a novidade do elenco como a misteriosa Alissa, em uma performance magnética que aos poucos vai pavimentando que a personagem é muito mais do que aparenta ser.

Apesar de oscilar bastante, a segunda temporada de Jessica Jones deixa espaço para uma promissora terceira temporada. Assim como no primeiro ano, a série conquista pela humanidade e espontaneidade de personagens que buscam superar seus demônios internos. Lançado no Dia Internacional das Mulheres, Jessica Jones tem como grande mérito provar que personagens femininas podem ser mais do que um mero par romântico dos heróis. Jones quebra esse arquétipo tipicamente masculino e se sente livre para fazer o que bem quer.

3

Bom

Apesar de oscilar bastante, a segunda temporada de Jessica Jones deixa espaço para uma promissora terceira temporada. Assim como no primeiro ano, a série conquista pela humanidade e espontaneidade de personagens que buscam superar seus demônios internos. Lançado no Dia Internacional das Mulheres, Jessica Jones tem como grande mérito provar que personagens femininas podem ser mais do que um mero par romântico dos heróis. Jones quebra esse arquétipo tipicamente masculino e se sente livre para fazer o que bem quer. 

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