Desde que tentou criar seu universo estendido no cinema a partir de 2013 com Homem de Aço, a DC só apanhou da Marvel Studios e das críticas da imprensa e do público. Ainda não foram efetivos em criar um universo compacto de seus principais heróis dos quadrinhos. Bem, Mulher-Maravilha e Liga da Justiça foram sopros de esperança, mas ainda muito longe do que DC pode oferecer com toda a riqueza de histórias e personagens à disposição.

Se no cinema tudo ainda está confuso, na TV é só aplausos. Praticamente na mesma época, em 2012, Greg Berlanti assumiu a produção de Arrow, o pontapé inicial para o universo compartilhado da TV, seguido de Flash, DC’s Legends of Tomorrow e Supergirl. Ao lado de Marc Guggenheim e Andrew Krisberg, Berlanti despertou o interesse por super-heróis do público alvo da CW: o adolescente. Os adultos até podem não se identificar tanto com as séries pela pegada mais teen, mas não há o que reclamar acerca do respeito que eles mantiveram da mitologia dos heróis.

A escolha de Berlanti não poderia ter sido melhor. Afinal de contas, ele é um bom contador de histórias. Um de seus grandes sucessos nas telinhas é a série Everwood, que está na lista de favoritos de muita gente que estava na adolescência nos anos 2000. O produtor consegue se comunicar como ninguém com o público jovem. Bastou se aprofundar no universo dos quadrinhos para tornar o casamento perfeito. Com a chegada das outras séries, ficou fácil para o trio desenvolver um dos conceitos mais legais da DC, as Terras paralelas, mas precisamente, o multiverso.

Ao trazer isso para a TV, Berlanti e cia ensinam para os produtores da Warner Bros. no cinema que basta fazer um bom feijão com arroz para sair uma boa história de super-herói. Em poucos episódios, o público da CW (que boa parte não são leitores de quadrinhos) entenderam o conceito de multiverso e que existem 52 Terras paralelas. Além disso, eles honram a história da DC, homenageando os grandes quadrinistas da Era de Ouro. E o mais bacana: fazer com o que o público se interesse por todas as séries. Não basta apenas assistir uma ou outra, é preciso ficar antenado em todas porque virá o crossover.

Foto: Jack Rowand/The CW

Crise na Terra-X foi o grande evento da DC do ano, mesmo com Mulher-Maravilha e Liga da Justiça chegando nos cinemas. O resgate do otimismo, a esperança e o respeito com os heróis chega a emocionar quem passou anos e anos lendo os quadrinhos da DC e, observar que tudo aquilo foi reverenciado.

Dividido em quatro partes, a trama é ambientada durante o casamento de Barry Allen e Iris West, que reúne todos os seus amigos poderosos de Central City, Star City e National City. Porém, a cerimônia é interrompida quando são atacados por nazistas, que vieram da Terra-X, um universo onde Hitler venceu a guerra e dominou as principais potências mundiais. Pra piorar, eles descobrem a existência de sósias nazistas, dificultando ainda mais a missão de proteger a Terra-1.

Foto: Bettina Strauss/The CW

Enquanto o crossover do ano anterior deu mais ênfase aos erros de Barry quando criou o ponto de ignição, Crise na Terra-X trabalhou com mais segurança cada personagem de suas respectivas séries. Todos tem aquele “momento de brilhar”. Além disso, as qualidades de cada um, principalmente trabalhando em equipe, é trabalhada com maestria.

O roteiro trata com delicadeza o nazismo, muito discutido nos últimos meses quando ataques de supremacistas brancos ocorreram nos EUA. Com uma censura baixa, há um pequeno vislumbre dos campos de concentração e pequena aula de história do que aconteceu naquele período.

A narrativa aproveita o carisma de seus personagens para fazer uma crítica sobre desigualdades. Ver mulheres assumindo o protagonismo e casais do mesmo sexo é uma verdadeira lição de respeito que a produção tem com todos os gêneros. Infelizmente, existe quem consiga diferenciar o amor pela escolha sexual de alguém. Críticas sempre virão, mas importante que séries de grande apelo tragam essas discussões.

Foto: Robert Falconer/The CW

O crossover deste ano é um prato cheio de fan services, que não são gratuitos, se encaixam na narrativa. No mais, a maior reunião de roupas de couro da TV proporciona momentos nostálgicos e abraça o que a DC tem de melhor. Como já esperado, o especial se despede de um querido personagem em uma sequência deveras tocante (tenham lenços por perto!).

Os quatro episódios de Crise na Terra-X deixa um grande sorriso no rosto. Em apenas cinco anos, a CW conseguiu criar um universo de extrema riqueza, que está garantindo diversão e entretenimento para o público. Imaginar como seria ótimo se Berlanti e cia colaborassem de alguma forma com o universo DC no cinema. “Como vocês fizeram?” “Podem nos ajudar aqui?” Era algo que faria se fosse algum produtor da Warner Bros.

Crise na Terra-X foi exibido nos dias 27 e 28 de novembro nos EUA. No Brasil, o especial foi exibido em 1º de dezembro no canal pago Warner Channel.

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