Ler é Bom, Vai! Tartarugas Ninja (Coleção IDW) – Vol. 2
Divulgação/Pipoca & Nanquim
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Ler é Bom, Vai! Tartarugas Ninja (Coleção IDW) – Vol. 2

Tartarugas Ninja – Vol. 2, lançado pela editora Pipoca & Nanquim, não é apenas uma coletânea robusta que reúne The New Teenage Mutant Ninja Turtles #13–20, as edições especiais de Casey Jones, April O’Neil, Fugitoide, Krang e Baxter Stockman, além da minissérie The Secret History of the Foot Clan #1–4. Ele representa um ponto de maturidade narrativa dentro da fase IDW, em que o universo das tartarugas se expande para além dos protagonistas e passa a respirar pelas camadas psicológicas, ideológicas e históricas que moldam a mitologia da franquia. O leitor que se acostumou a acompanhar Leonardo, Donatello, Michelangelo e Rafael como heróis reativos, sempre em resposta à violência dos inimigos da cidade, aqui testemunha um contexto mais amplo: a arquitetura invisível do conflito, o peso das tradições e a complexidade moral de personagens antes reduzidos a antagonistas ou figuras acessórias.

Ler é Bom, Vai! Tartarugas Ninja (Coleção IDW) – Vol. 2

O foco dedicado a personagens secundários é, sem dúvida, o aspecto que torna este volume essencial. Diferentemente de compilações que apenas preenchem lacunas entre sagas principais, a ledição evidencia como figuras como Casey Jones e April O’Neil possuem motivações próprias, fragilidades internas e objetivos que se chocam ou dialogam com as tartarugas. Entretanto, é no Mestre Splinter que surge o núcleo emocional mais poderoso desta edição. O artista brasileiro Mateus Santolouco compreende Splinter não como um mentor distante ou uma entidade zen idealizada, mas como alguém cuja sabedoria é derivada da dor, da perda e da disciplina. Nos capítulos centrados nele, o leitor percebe a força mental como uma arma de sobrevivência, capaz de superar limites físicos e transformar um grupo de adolescentes mutantes impetuosos em guerreiros com propósito. A presença de Splinter se torna quase litúrgica, um mantra silencioso que guia os jovens ninjas quando o caos ameaça dissolver a família que eles construíram.

Ao mesmo tempo, a guerra entre o bem e o mal cresce em escala como há muito não se via. As novas missões de Leonardo e seus irmãos os colocam diante de escolhas que extrapolam a dicotomia “derrotar o vilão” ou “salvar a cidade”; há uma geopolítica interdimensional em jogo, com o General Krang atuando como arquiteto de um plano que visa dominar não apenas Nova Iorque, mas realidades inteiras. Krang, frequentemente retratado como caricatura grotesca em adaptações antigas, assume aqui contornos de estrategista implacável. Sua visão para o futuro envolve controle, biotecnologia e genocídio, elevando os conflitos contra as Tartarugas a uma escala épica que transforma a batalha em uma guerra legitimamente existencial. A ameaça flui como um rio subterrâneo: silenciosa, persistente, sem limites.

Essa expansão de antagonistas se complementa com a excelente inclusão de histórias paralelas, como as dedicadas a Baxter Stockman e Fugitoide, que funcionam quase como estudos de caráter. Baxter encarna um tipo de vilania moderna: a do homem que justifica qualquer atrocidade em nome do avanço tecnológico e da vitória intelectual. Já Fugitoide traz o contraponto trágico — um ser que precisou abandonar sua forma humana para sobreviver, condenado a carregar sua consciência dentro de um corpo mecânico. Sua existência é marcada por dilemas éticos: o que nos define? Corpo, mente, memória? A história de Fugitoide é a mais humana de todas, ainda que envolta em metal e circuitos, e revela um universo no qual a dor de ser substituído por uma máquina é mais profunda do que a própria morte.

Para os leitores acostumados a enxergar as Tartarugas sob um prisma infantojuvenil, Tartarugas Ninja – Vol. 2 revela sua essência adulta: o destino, a família, o trauma e a responsabilidade. Ao final da leitura, resta a certeza de que a IDW transformou a franquia num monumento narrativo capaz de dialogar com o passado, interpretar o presente e preparar terreno para novas histórias que transcendem o entretenimento puro.


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