Domingos: um quadrinho sobre família, memória e afeto
Divulgação/Pipoca & Nanquim
Domingos: um quadrinho sobre família, memória e afeto
Divulgação/Pipoca & Nanquim

Domingos: um quadrinho sobre família, memória e afeto

Domingos marca a estreia de Sidney Gusman, recém-saído do posto de editor da MSP Estúdios, como roteirista de quadrinhos autorais e o faz de maneira surpreendentemente íntima, sensível e honesta. Em parceria com Jefferson Costa, artista de traço expressivo e colaborador de longa data da MSP, Gusman constrói uma narrativa que dispensa grandes acontecimentos para apostar naquilo que realmente nos define: o tempo compartilhado. O resultado é um quadrinho aparentemente simples, mas emocionalmente denso, que resgata memórias afetivas universais e transforma o cotidiano em matéria-prima narrativa, algo que poucos autores conseguem fazer sem cair na armadilha da banalidade ou do sentimentalismo fácil.

Domingos: um quadrinho sobre família, memória e afeto

A gênese de Domingos já carrega, por si só, uma força simbólica poderosa. Em uma casa no bairro da Mooca, nasce Domingos Gusman Gimenez, em um domingo comum, desses que parecem não prometer nada além da rotina. Décadas depois, quase como um eco do destino, seu primogênito nasce em outra madrugada dominical. Surge Sidney Domingos, batizado em homenagem ao pai. A partir daí, os domingos se multiplicam: tardes ensolaradas, almoços em família, silêncios constrangedores, risadas espontâneas, despedidas definitivas. Cada um desses dias, aparentemente ordinários, passa a funcionar como um pequeno capítulo de uma história maior a de uma típica família brasileira, atravessada por afeto, conflitos, frustrações e, sobretudo, amor.

O grande mérito do roteiro de Sidney Gusman está na forma como ele compreende o poder da repetição. Os domingos retornam como um ritual, quase um personagem invisível, estruturando a narrativa e dando ritmo à obra. Não se trata apenas de uma escolha estética, mas de uma declaração temática: a vida é feita desses ciclos, desses encontros regulares que, muitas vezes, só percebemos o valor quando se tornam lembrança. Gusman escreve com um olhar de filho, mas também de observador atento da experiência humana, permitindo que o leitor se reconheça em gestos simples: o almoço em família, a televisão ligada, a conversa atravessada por silêncios que dizem muito mais do que grandes discursos.

Visualmente, Jefferson Costa eleva ainda mais o impacto emocional da obra. Seu traço, econômico e profundamente expressivo, dialoga perfeitamente com a proposta do roteiro. A paleta de cores e a composição das páginas reforçam a passagem do tempo, criando uma cadência visual que acompanha os altos e baixos da narrativa sem jamais sobrecarregar o leitor.

Publicada pela Pipoca & Nanquim, Domingos é uma obra que não tem medo de emocionar. Em diversos momentos, as lágrimas surgem de forma inevitável, não por apelos melodramáticos, mas pela identificação genuína com aquelas vivências. As alegrias e tristezas dessa família paulistana ecoam no cotidiano de qualquer leitor que já tenha vivido a experiência de sentar à mesa com parentes, de perder alguém querido, de revisitar lembranças que insistem em permanecer vivas mesmo após a ausência física.

Embora nasça como uma homenagem direta de Sidney Gusman a seu pai, Domingos transcende rapidamente o caráter autobiográfico para se tornar uma celebração coletiva. É um tributo a todos os pais e mães que batalharam para oferecer o melhor a suas famílias, mesmo quando não tinham muito a oferecer além de presença e afeto. Ao fechar o livro, é impossível não ser tomado por uma nostalgia agridoce: a lembrança dos domingos em família, das tardes diante da televisão, da macarronada compartilhada com avós, das risadas que hoje soam distantes, mas ainda profundamente vivas na memória.

No fim das contas, Domingos é sobre família. Sobre o tempo que passa sem pedir licença. Sobre a beleza escondida na rotina. Sobre a dor da perda e o conforto da lembrança. É um quadrinho que não busca impressionar pelo espetáculo, mas pela verdade emocional. E justamente por isso, permanece com o leitor muito depois da última página como aqueles domingos que, mesmo após tantos anos, continuam nos acompanhando silenciosamente.


Faça suas compras na AMAZON acessando pelo nosso link. Dessa forma, você contribui para manter nosso site no ar, sem nenhum custo adicional para você. O valor dos produtos continua o mesmo, mas sua ajuda faz toda a diferença.

Domingos – https://amzn.to/45ZBdnu

Conteúdo relacionado

Críticas

Mais lidas