Desde Far Cry 3, a franquia de FPS da Ubi passou a ocupar um patamar acima na indústria dos games. Muito desse sucesso se dava pelo excelente vilão e pelas mecânicas fluidas, que o jogo apresentava. No quarto capítulo da série, a desenvolvedora também tentou replicar a forma, entretanto, mesmo havendo avanço nas mecânicas e nos gráficos, o vilão ainda não chegava aos pés de Vaas. Foi nesse cenário que a Ubisoft resolveu apostar em Joseph Seed, um fanático religioso que lidera um grupo de seguidores, que tomou controle de uma pequena cidade nos EUA.

Apesar da premissa controversa e dos minutos iniciais tensos de Far Cry 5, parece que a polêmica ficou mesmo em boa parte apenas no marketing. Não deixa de ser assustador se ver envolvido nessa situação de fanáticos religiosos com armas, entretanto, essa sensação não perdura no game e nada de muito impactante acontece na trama para justificar toda a polêmica e controvérsias que o game se envolveu desde seu trailer de anúncio. O fato de se passar nos EUA também não diz muita coisa e parece que o game sempre evita se aprofundar em temas mais divisivos.

Mas nem só de polêmica vive Far Cry 5. A jogabilidade que já era boa nos outros títulos parece que ficou ainda mais fluída e divertida. Entretanto, a ideia de um exército de um homem foi parcialmente abandonada. Agora, o jogador conta com outros personagens que ajudam o protagonista. Temos desde uma sniper, que axulia bastante na hora de tomar bases inimigas e no combate propriamente dito, até um urso. O sistema de companheiros lembra bastante o que foi feito em Metal Gear Solid V: The Phantom Pain já que temos até um cachorro. Além dos companheiros que o próprio jogo fornece, é possível jogar toda a campanha de forma online com mais um jogador. Outro ponto interessante fica por conta do fim das subidas nas torres, algo que era bastante repetitivo e requisito fundamental para abrir o mapa.

Entretanto, o jogo é mais difícil no começo justamente por não contar com esses personagens, que devem ser desbloqueados com missões específicas. Outro ponto bem frustrante fica por conta das missões que tem de ser feitas com aviões. Os controles são pouco intuitivos e o nível de dificuldade é bem elevado. O sistema de progressão também foi alterado. No novo título, não temos mais pontos de experiência, mas é necessário repetir determinadas ações para se conseguir pontos de vantagem e evoluir o personagem. Para aqueles que não eram fãs da caça, podem comemorar. Agora, buscar peles e outros produtos animais é totalmente facultativo.

Em termos gráficos, Far Cry 5 não chega a impressionar, mas entrega um ambiente bastante imersivo. A trilha sonora também contribui bastante para passar sensações diversas. É perturbador ouvir a trilha sonora dos fanáticos religiosos em quase todos os lugares, o que gera uma sensação de alívio quando entramos nos carros que não estão tocando a bendita música. Além da história principal, o jogo conta com um editor de mapas bastante robusto chamado Arcade, que permite produzir os mais diversos mapas para depois poder ser disponibilizado para toda a comunidade.

Far Cry 5 se aproveitou bastante das polêmicas que prometia tratar, entretanto, os temas controversos se limitam apenas à superfície. Em contrapartida, os fãs do FPS da Ubi e novos jogadores tem um ambiente bem interessante para se aventurar, mas que não muda muito a receita de bolo e que deixa de lado potenciais novas situações, que poderiam enriquecer bem mais a experiência.

Far Cry 5 está disponível para Playstation 4, Xbox One e PC

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