Verity
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Verity é divertido, mas peca nos momentos de tensão e sensualidade

Verity começa com o encontro bizarramente macabro entre Lowen Ashleigh (Dakota Johnson), uma jovem romancista aclamada pela crítica, mas com vendas pouco expressivas, e o corretor de imóveis de visual impecável Jeremy Crawford (Josh Hartnett). Os dois estão na mesma esquina de Manhattan quando um ciclista é atropelado e morto por um veículo em alta velocidade. O impacto espirra sangue em Lowen justamente quando ela se dirigia a uma reunião com sua editora. Ao ajudá-la gentilmente a se limpar em uma cafeteria próxima, Jeremy oferece sua camisa branca e algumas palavras de conforto. Ele afirma já ter visto coisas piores. Afinal, foi ele quem retirou o corpo de sua filha de oito anos de um lago.

Quando Lowen chega à reunião, minutos depois, é reapresentada a Jeremy. Acontece que ele é marido da autora best-seller Verity Crawford (Anne Hathaway), cuja popular série de suspense está inacabada desde que um acidente de carro a deixou paralisada e catatônica, cerca de um ano antes. A editora precisa de alguém para concluir os livros, e Lowen parece ser a pessoa ideal para assumir a tarefa. Apesar da hesitação inicial, ela aceita o trabalho e logo se muda para a luxuosa casa da família Crawford, à beira de um lago, para vasculhar os rascunhos de Verity e começar a escrever.

A bisbilhotice de Lowen acaba levando-a a um manuscrito aparentemente secreto. Um livro de memórias que Verity escrevia pouco antes do acidente. O texto narra como ela conheceu Jeremy, tornou-se escritora e viu a depressão pós-parto colocar em xeque a felicidade do casal. Também revela uma mulher completamente obcecada pelo marido e sugere que Verity pode ter sido responsável pelo acontecimento mais traumático da vida da família.

A tensão sexual que Lowen sentiu desde o primeiro encontro com Jeremy retorna com força total, mas com uma pequena ressalva: ela está morando na casa de Verity. Isso a deixa hesitante por alguns momentos, mas, como o roteiro faz questão de sinalizar desde cedo, é apenas uma questão de tempo até Lowen e Jeremy se apaixonarem. Quanto mais Lowen lê sobre Verity e descobre o lado sombrio daquela mulher, mais liberdade sente para invadir seu mundo. Sua missão deixa de ser apenas concluir os livros da escritora. Aos poucos, ela parece determinada a ocupar o lugar de Verity por completo, tomando sua carreira, seu marido, sua casa e, consequentemente, sua vida.

O manuscrito fala muito sobre a intimidade do casal, mas o filme nunca chega a ser remotamente sensual, apesar dos esforços dos atores em uma cena no banco traseiro de uma limusine e de uma sequência de masturbação em uma banheira esculpida na rocha que, na verdade, parece desconfortável para todos os envolvidos. É quase um alívio saber que tantas cenas de sexo presentes no livro foram cortadas. Nas páginas, há descrições de encontros tão explícitos, transgressores e exagerados que deixam marcas de dentes na cabeceira da cama. No filme, tudo isso pode ser resumido a uma única expressão: vergonha alheia. O diretor Michael Showalter definitivamente não encontrou uma maneira convincente de transportar para a tela a carga erótica do material original.

Dakota Johnson retorna ao território da mocinha ingênua e, para variar, constrói uma protagonista cuja presença é tão passiva que chega a virar piada dentro do próprio filme. “Tenho cara de quem está sempre entediada”, diz Lowen, acertando em cheio uma das poucas falas autoconscientes do roteiro de Nick Antosca. Já Anne Hathaway parece estar se divertindo muito no papel.

Depois de uma sequência de abertura muito eficiente, o filme perde o fôlego gradualmente. O suspense, que inicialmente parece promissor, vai sendo substituído por uma sucessão de reviravoltas cada vez menos convincentes, até que todo o terceiro ato se desfaz em uma série de soluções narrativas que não sustentam o impacto pretendido. Verity tinha todos os ingredientes de um grande suspense erótico: uma escritora perturbadora, um casamento cercado de segredos, uma protagonista que se infiltra em uma família aparentemente perfeita e um manuscrito capaz de colocar tudo em dúvida. Prometia ser sombrio, sexy e visceral. Na tela, porém, é apenas morno.

É claro que um filme estrelado por nomes como Dakota Johnson, Josh Hartnett e Anne Hathaway, baseado no livro de uma das autoras mais populares da atualidade, Colleen Hoover, inevitavelmente provocaria reações. Os fãs do romance certamente encontrarão motivos para comparar o material original com a adaptação, especialmente quando se trata das cenas mais controversas e das mudanças feitas para o cinema.

E ainda há o final ambíguo, que provavelmente será responsável por boa parte das discussões em torno do filme. O problema é que, quando os créditos começam a subir, a sensação predominante não é de choque ou inquietação. É a de que todo aquele potencial poderia ter rendido muito mais, ainda que seja um entretenimento razoável por quase 2h.

Verity chega aos cinemas em 30 de setembro, com distribuição da Sony Pictures.

2.5

Regular

Verity começa com uma premissa sombria e promissora, mas perde força ao longo da trama, substituindo o suspense por reviravoltas pouco convincentes. Apesar do elenco talentoso e do potencial erótico do material original, a adaptação não consegue transmitir a tensão e a sensualidade esperadas. Ainda assim, é capaz de entreter.

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