Timothée Chalamet, Rebecca Hall e Griffin Newman irão doar seus salários recebidos pelo filme A Rainy Day in New York por ele ser dirigido por Woody Allen. Movimentos como o #TimesUp e o #metoo receberão as doações.

Desde que os movimentos começaram em Hollywood, o nome de Allen já apareceu várias vezes. O prolífico diretor é parte de escândalos desde os anos 1990, quando ele se separou da parceira de longa data Mia Farrow para se casar com a filha dela Soon-Yi, ele também foi acusado de molestar sua filha, Dylan Farrow, mas nunca foi condenado pelo crime. Allen continua a dirigir cerca de um filme por ano desde então, sempre rodeado de grandes estrelas.

Nos últimos anos, com os escândalos de abuso tendo destaque, os problemas de Allen foram constantemente revisitados. Dylan Farrow foi a público com suas acusações novamente em 2014 e Allen novamente proclamou sua inocência. No ano passado, o filho de Allen e Farrow, Ronan Farrow (que agora é um jornalista), escreveu várias manchetes para o The New Yorker relatando acusações de várias atrizes importantes contra Harvey Weinstein, com Ronan dizendo em entrevistas que seu apoio a irmã foi o que o levou a falar sobre esse problema e que por esse motivo muitas pessoas confiaram nele. Agora a pressão foi trazida aos atores que trabalharam com Allen.

Chalamet, o jovem ator que teve performances aclamadas em 2017, tanto em Me Chame Pelo Seu Nome, quando em Lady Bird: É Hora de Voar, anunciou que planeja doar o salário que ganhou pelo próximo filme de Allen. O dinheiro será dividido entre três caridades: o Time’s Up, o Centro LGBT de Nova York e o RAINN (entidade que luta contra estupro, abuso e incesto). Outros dois atores do filme já haviam anunciado a decisão de doar os salários, são eles Rebecca Hall e Griffin Newman.

Tanto Timothée Chalamet quanto Rebecca Hall anunciaram a decisão em seus perfis no Instagram. Confira os textos.

“Esse ano mudou a maneira como vejo e sinto tantas coisas, tem sido emocionante e, às vezes, educação e esclarecimento. Eu tenho, até agora, escolhido projetos pela perspectiva de um jovem ator tentando seguir os passos de atores mais maduros que eu admiro. Mas eu aprendi que um bom papel não é o único motivo para se aceitar um trabalho – isso ficou muito mais claro para mim nos últimos meses, tendo presenciado o nascimento de um movimento poderoso para acabar com a injustiça, a desigualdade e acima de tudo, o silencio.
Me perguntaram em algumas entrevistas recentes sobre a minha decisão de trabalhar em um filme com o Woody Allen no verão passado, eu não posso responder a questão diretamente por motivos de obrigações contratuais. Mas o que eu posso dizer é: eu não quero lucrar com o meu trabalho no filme, e por esse motivo eu vou doar meu salário inteiro para três caridades: Time’s Up, o Centro LGBT de Nova York e a RAINN. Eu quero ser digno de poder ficar em pé lado a lado com os artistas que estão lutando para que todas as pessoas possam ser tratadas com o respeito e a dignidade que elas merecem”

“O dia após as acusações contra Weinstein terem sido anunciadas com toda força eu estava gravando o filme mais recente de Woody Allen em Nova York. Eu não poderia imaginar um lugar mais estranho para estar aquele dia. Quando me convidaram para fazer parte disso alguns meses atrás, eu rapidamente disse sim. Ele me deu um dos meus primeiros papeis significantes em um filme e eu sempre serei grata por isso, foi um dia em minha própria cidade – fácil. Eu então percebi que não tem nada de fácil em relação a isso. Nas semanas que se seguiram eu pensei muito profundamente sobre essa decisão e permaneço cheia de conflitos e tristeza.
Após ler e reler os textos de Dylan Farrow alguns dias atrás e voltar e ler os mais antigos – eu vejo, não só como esse assunto é complicado, mas como minhas ações podem ter feito outras mulheres se sentirem silenciadas e deixadas de lado. Isso não é algo que eu consigo aceitar no presente momento, ou em qualquer momento e eu estou profundamente arrependida. Eu me arrependo dessa decisão e não a faria novamente hoje.
É um gesto pequeno e não tem a intenção de ser uma forma de compensação, mas eu doei o meu salário para o Time’s Up. Eu também me inscrevi nele e continuarei a doar, também espero trabalhar e ser parte desse movimento positivo que visa mudanças não só em Hollywood, mas tenho esperanças de que em todos os lugares. #timesup”

Com a lista de figurões de Hollywood acusados de crimes sexuais crescendo a cada dia, a pressão para que os atores não trabalhem com os acusados também cresce. A decisão dos atores que doaram seus salários pode se tornar algo meio estranho quando chegar o momento de promover o filme, mas é provável que não manche a carreira deles de qualquer forma.

A questão agora é, será que a carreira de Allen vai conseguir sobreviver ao movimento #metoo? Será que os atores vão começar a se recusar a trabalhar com ele? Pode A Rainy Day in New York ser o último filme de sua carreira?

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