Socorro!
20th Century Studios
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Socorro! leva para a tela o desejo de todos que já tiveram chefes terríveis

Socorro!, thriller psicológico de humor ácido do diretor Sam Raimi, acompanha a brilhante analista financeira Linda Liddle (Rachel McAdams), que trabalhou arduamente por sete anos analisando números para a Preston Strategic Solutions, almejando um cargo de vice-presidente na empresa. Seus esforços são interrompidos quando o irritante e mimado Bradley Preston (Dylan O’Brien), assume o cargo de CEO após a morte de seu pai.

Bradley considera Linda uma pessoa repulsiva e quer colocar um de seus amigos incompetentes no cargo, mas se vê pressionado pelos executivos da empresa, que reconhecem sua eficiência incontestável. Ciente das habilidades da funcionária, ele a convida para uma viagem de negócios a um lugar remoto. Em algum momento, o jato particular cai no cai no Golfo da Tailândia e todos morrem de maneiras extremamente dolorosas e explicitas, exceto Linda e Bradley.

Ambos vão parar em uma ilha deserta após a queda. O que Bradley não sabe, é que Linda é viciada em programas e livros de sobrevivência. Então, há uma inversão de papéis, com ela assumindo o controle da situação em que eles se encontram e ele se tornando totalmente dependente (e consequentemente, obediente). Assim que chegam à praia, Linda ergue um abrigo, acende uma fogueira, coleta água e sai para pescar, demonstrando uma eficiência serena que beira a arrogância. Em pouco tempo, já gravou seu nome em uma caneca improvisada, teceu uma mochila e um chapéu e produziu seu próprio repelente, pequenos gestos de posse que espelham as formas sutis com que antes tentava marcar seu espaço no ambiente corporativo.

Enquanto isso, Bradley se recusa a comer, reclama das queimaduras solares e insiste em negar a dura realidade do inferno em que se encontra, com uma teimosia quase heroica, embora irritante. Indiferente, ganancioso e dominado por uma preguiça sufocante, ele exibe um comportamento manipulador típico: se considera charmoso simplesmente porque seus funcionários o tratavam de uma certa forma. Por isso, quando seu sofrimento se torna evidente, o público tende a sentir que ele está colhendo exatamente o que merece, e não que está sendo cruelmente castigado. O roteiro de Damian Shannon e Mark Swift (de Freddy vs. Jason) acerta ao colocar Linda e Bradley em polos opostos de simpatia, tornando gratificante acompanhar como a adversidade força um reequilíbrio entre eles.

Rachel McAdams atravessa uma transformação impressionante: da funcionária desajeitada do escritório, ela se torna uma mulher decidida e implacável, brilhando especialmente em momentos em que está sozinha, e aos poucos demonstrando um interesse ousado por Bradley conforme os dias na ilha avançam. Para ele, essa mudança é quase incompreensível, já que seu desprezo inicial entra em conflito com a atração que surge. Em cada cena, a tensão permanece ambígua: nunca se sabe se eles vão se confrontar com violência ou ceder ao desejo. A química entre McAdams e Dylan O’Brien mantém o público hipnotizado durante toda a narrativa.

Mas, em vez de se apaixonarem um pelo outro, como talvez já tenha acontecido em outros filmes em que pessoas totalmente opostas são obrigadas a conviverem, Socorro!, mostra os dois colegas de trabalho estressados ​​fingindo civilidade antes que a situação se transforme em uma guerra inverossímil. Linda parece gostar dessa nova situação, esperando que fiquem isolados o máximo de tempo possível, enquanto Bradley sente muita falta de sua noiva (Edyll Ismail). Linda não está apenas usando de suas habilidades para se vingar pelo que passou, ela está reequilibrando uma situação que estava desajustada há anos.

Socorro! se baseia principalmente no gênero de suspense e sobrevivência, mas, a partir dessa estrutura, Sam Raimi anima e intensifica a tensão de todas as maneiras possíveis. A dinâmica de poder entre Linda e Bradley serve como a espinha dorsal da ação quando eles ficam presos na ilha, mas o diretor está pronto para grandes cenas de ação e de violência. Com uma clara intenção de chocar, ele retrata as lesões corporais com detalhes vívidos, seja mergulhando a câmera na ferida purulenta da perna de Bradley ou mostrando um dos dois enfiando o polegar na órbita ocular do outro. O diretor quer provocar uma reação no público e sabe exatamente quais botões apertar, quebrando dentes e arrancando cabelos pela raiz.

No fim, Socorro! se revela menos interessado em redenção ou romance e muito mais em expor, com humor ácido e crueldade calculada, como o poder pode mudar de mãos quando as estruturas que o sustentam desmoronam. Sam Raimi transforma a ilha em um escritório distorcido, onde hierarquias são refeitas à força e a competência, antes invisível, se torna uma arma literal. O filme diverte, choca e provoca justamente por nunca oferecer conforto moral ao espectador: não há heróis claros, apenas sobreviventes negociando controle, desejo e ressentimento. Funciona como um thriller de sobrevivência e como uma sátira amarga do mundo corporativo.

Socorro! chega aos cinemas em 29 de janeiro de 2026, com distribuição do 20th Century Studios Brasil.

3

Bom

Socorro! transforma uma ilha deserta em um microcosmo do mundo corporativo, onde a competência e a arrogância se confrontam com humor ácido e violência gráfica. O diretor Sam Raimi brinca com o suspense e a sobrevivência, invertendo papéis de poder e explorando as sutilezas da manipulação e da vingança. O filme diverte e choca.

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