Quarto do Pânico
Divulgação
Quarto do Pânico
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Quarto do Pânico busca inserir o suspense na realidade brasileira

Em 2002 estreava Quarto Do Pânico, um sucesso dirigido por David Fincher e estrelado por Jodie Foster e Kristen Stewart, como mãe e filha que precisaram se esconder enquanto bandidos tentavam roubar sua nova casa. Agora, essa história é trazida para o contexto brasileiro em uma adaptação da diretora Gabriela Amaral Almeida, com roteiro de Fábio Mendes e um elenco que conta com Isis Valverde, Marianna Santos, André Ramiro, Marco Pigossi, Caco Ciocler e Leopoldo Pacheco.

A trama começa com algumas diferenças em relação ao original, com a protagonista Mari (Isis Valverde) tendo o marido assassinado em um assalto enquanto ela dirigia o carro do casal. Por conta da violência urbana, ela decide se mudar com sua filha, Bel (Marianna Santos), para uma casa mais segura, que inclusive possui um quarto que pode ser trancado por dentro. Do quarto seguro totalmente equipado é possível acessar todas as câmeras da casa, monitorar o entorno e pedir por ajuda. Mas para isso, é preciso que a nova moradora chame um técnico para finalizar o serviço – o que ela não faz antes de se mudar.

O problema começa na noite da mudança, quando três ladrões, Charly (Marco Pigossi), Benito (André Ramiro) e Raul (Caco Ciocler), acreditando que a mansão ainda se encontrava vazia, resolvem invadir para retirar o conteúdo de um cofre. Mãe e filha se escondem no quarto, mas não são deixadas em paz pelos invasores, pois o que eles procuram se encontra justamente onde elas estão. Também não conseguem pedir ajuda por conta do sistema não estar completamente instalado. Quando tudo parece não poder piorar, Bel começa a passar mal por conta de uma doença, o que se torna um dilema para sua mãe, que precisa sair do quarto para pegar seus remédios, mas corre o risco de cair na mão dos bandidos ao fazer isso.

Pra quem já viu o original, é possível perceber que as mudanças na sinopse são mínimas. O texto inclui, muito superficialmente, o tema de diferença de classes na nossa sociedade brasileira e na insegurança onipresente que sentimos, mas no geral não muda muito do que vimos no filme de David Fincher. Há uma tentativa de trazer menos interesse do público no suspense em si e um foco maior nas relações humanas entre esses personagens, trilhando um caminho um pouco mais contido do que o original. Visualmente, o filme opta por trazer uma atmosfera mais sufocante. Gabriela Amaral Almeida se utiliza muito de espaços fechados e closes que aumentam o tom de ameaça.

Ao transportar Quarto do Pânico para o contexto brasileiro, a nova adaptação demonstra momentos de competência técnica e boas intenções ao dialogar com temas como violência urbana e desigualdade social, mas falta ousadia para transformar a história em algo verdadeiramente novo. No fim, o longa se sustenta mais como um exercício de estilo e releitura do que como uma reinvenção, entregando uma experiência eficiente o suficiente para gerar entretenimento, mas que dificilmente se desprende da sombra do filme de duas décadas atrás.

Quarto do Pânico chega com exclusividade direto ao catálogo do Telecine no streaming — disponível no Globoplay, Prime Video Channels e via operadoras. Na TV, o filme faz sua Superestreia no Telecine Premium no sábado (dia 14/02), às 22h, e será exibido novamente no domingo (dia 15/02), no Telecine Pipoca, às 20h.

2.5

Regular

A adaptação brasileira de Quarto do Pânico procura atualizar o suspense para a realidade da violência urbana e da desigualdade social brasileira. Apesar de ter uma atmosfera sufocante bem construída, os personagens são caricatos e o filme carece de ousadia para se afirmar como uma reinvenção.

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