Pressão
Divulgação
Pressão
Divulgação

Pressão consegue trazer algo novo para mais um filme sobre a Segunda Guerra Mundial

Os acontecimentos do Dia D foram retratados em diversos filmes desde que a operação marcou uma virada na Segunda Guerra Mundial. Quando o assunto parecia esgotado, Pressão conseguiu trazer um tema diferente e desconhecido dentro desse importante acontecimento histórico. O filme do roteirista e diretor Anthony Maras é uma obra de ambientação intimista, que se baseia na peça homônima do ator, dramaturgo e também roteirista David Haig, que foi um grande sucesso no West End em 2014. A trama se desenrola predominantemente no quartel-general militar dos Aliados, onde a operação foi planejada até o último instante, e o drama foca nos tensos conflitos verbais travados ao redor de mesas, mapas e quadros dos meteorologistas. 

No filme, acompanhamos o Capitão James Stagg (Andrew Scott), um importante especialista escocês nomeado Oficial-Chefe de Meteorologia da Operação Overlord. Ele se reportava diretamente ao General (e futuro presidente dos EUA) Dwight D. Eisenhower (Brendan Fraser) na missão de definir a data exata para o Dia D.

A tentativa anterior de desembarque nas praias da Normandia, denominada Exercise Tiger, fora concebida como um ensaio, mas acabou sendo uma catástrofe: falhas de estratégia e comunicação resultaram em mais de 700 mortes. Eisenhower, o general britânico Bernard Montgomery (Damien Lewis) e o almirante da Marinha Real Bertram Ramsay (Robert Portal) estão decididos a controlar cada detalhe desta vez, desde os estratagemas usados ​​para enganar o inimigo até as condições ideais de maré e fase da lua para o desembarque das tropas na Praia de Omaha. Eles simplesmente não podem errar mais uma vez.

Em um local onde todos trabalhavam suas previsões do tempo se baseando em dados antigos e comparações, Stagg insistia que as imprevisíveis oscilações do verão inglês não seguiam padrões. Quando seus cálculos o levam a concluir que uma tempestade avassaladora está prestes a desabar em 5 de junho de 1944 (a data originalmente prevista para o desembarque na Normandia), ameaçando frustrar todo o gigantesco projeto, seu conselho é simples: aguardar o tempo melhorar. Mas Stagg é honesto o suficiente para admitir que não há como ter certeza absoluta. Lá fora, o sol brilha, tornando difícil imaginar que o tempo possa mudar tão rapidamente.

Um adiamento significaria esperar semanas até que as marés oferecessem as condições necessárias, e seria praticamente impossível manter os planos em sigilo por tanto tempo. A tensão é angustiante. Ansiosos para avançar, os principais comandantes militares agem como se aquele homem de ciência, racional e focado naquilo que era essencial, tivesse traído pessoalmente a missão. Mas Stagg defende sua previsão de chuva forte com firmeza, como se milhares de vidas dependessem disso. Afinal, desta vez, elas realmente dependem.

Para complicar a situação, o colega americano de Stagg, o meteorologista menos qualificado Irving Crick (Chris Messina), além de mais simpático e querido pelos colegas, está disposto a manipular seletivamente os gráficos para dizer aos superiores exatamente o que os comandantes querem ouvir, sem se importar com fatos ou estatísticas. O tempo bom era fundamental para o sucesso daquilo que os líderes militares esperavam que fosse uma virada decisiva na guerra, e Eisenhower exigia certeza.

O título Pressão é extremamente adequado, pois refere-se à dificuldade inimaginável enfrentada por todos os envolvidos no planejamento do que viria a ser conhecido como o Dia D, mas também aos indicadores barométricos monitorados por ambos os meteorologistas, que os levavam a conclusões opostas. É difícil imaginar que ver meteorológicos subindo na costa inglesa poderia ser tão eletrizante, mas o filme realmente consegue empolgar. As apostas são altíssimas, os oponentes estão à altura uns dos outros e o choque de egos se mistura ao desespero.

O elenco do filme é muito bom. Andrew Scott, que frequentemente se destaca em papéis de personagens reservados, faz com que vejamos Stagg como tudo o que se esperaria de um homem naquela função: dedicado, extremamente competente e de absoluta integridade. A atuação cuidadosamente construída de Scott eleva o nível de todo o elenco. O olhar expressivo de Brendan Fraser confere humanidade ao foco e à determinação de Eisenhower, características moldadas por seu treinamento militar. Em meio a esse choque de egos dos personagens masculinos, Kerry Condon traz calor humano e inteligência à figura de Kay Sommersby, assessora de Eisenhower e a única figura a demonstrar alguma simpatia por Stagg.

Pressão transforma uma batalha íntima entre poucos homens em um thriller histórico bastante satisfatório. Com um roteiro sólido e enxuto, em apenas 100 minutos, a obra examina o papel do clima nos livros de história e como a informação prevaleceu sobre a sede de sangue e precedentes equivocados. É sempre bom ver a prevalência de mentes mais serenas e voltadas para a ciência sendo escutadas.

Pressão tem distribuição da Universal Pictures e estará disponível nos cinemas a partir de 3 de setembro, também em versões acessíveis.

3.5

Muito bom

Pressão transforma o planejamento meteorológico do Dia D em um thriller histórico tenso e intimista, mostrando o conflito entre ciência, pressão militar e decisões que envolviam milhares de vidas. Andrew Scott se destaca como o íntegro meteorologista James Stagg, enquanto o elenco sustenta com força os embates entre os comandantes aliados.

Conteúdo relacionado

Críticas

Mais lidas