O Primata
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O Primata | Chimpanzé enlouquecido entrega muita diversão sangrenta

O Primata conta a história de um chimpanzé chamado Ben. Ele se tornou parte de uma família no Havaí quando o objeto de trabalho de linguística da falecida matriarca a acompanhou do laboratório até sua casa. Ben vive com a adolescente Erin (Gia Hunter) e seu pai, o escritor de romances policiais Adam (Troy Kotsur), em uma luxuosa e isolada casa à beira de um penhasco. Ele é dócil, adora ursinhos de pelúcia, usa uma camisa vermelha e se comunica através de uma placa sonora e sinais. O animalzinho de estimação perfeito… até que Ben contrai raiva.

A família está recebendo a visita da filha mais velha, Lucy (Johnny Sequoyah), que se isolou desde a morte da mãe. Ela chega com sua melhor Kate (Victoria Wyant), sua rival Hannah (Jessica Alexander) e seu crush Nick (Benjamin Cheng) para um fim de semana de diversão sem o pai, que é abruptamente interrompido quando Ben começa a exibir um comportamento alarmantemente estranho. Os jovens acabam presos lá com esse animal violento e precisam lutar por suas vidas. A transição de animal de estimação carinhoso para monstro enlouquecido é bastante repentina, e essa mudança brusca é sentida tanto pelos personagens quanto pelo público.

O Primata conta com uma fórmula de filme de terror bem direta em que o chimpanzé contrai raiva, enlouquece, persegue brutalmente o jovem elenco e mata (quase) todos. Desde os primeiros minutos do filme, um flashforward com uma cena bastante sangrenta em que um veterinário tem o rosto arrancado, a direção e o tom da história são bastante óbvios. Mas, sem dúvida, existem aspectos únicos que elevam a história para além do mero festival de sangue, principalmente o trabalho com a criatura, que é notavelmente eficaz, um raro feito moderno de efeitos práticos. Ben é interpretado pelo especialista em movimento Miguel Torres Umba, usando a técnica clássica que consiste em colocar um ator dentro de uma fantasia. O relacionamento de longa data da família com Ben é compreensível e crível, ele é um personagem simpático no início e, posteriormente, genuinamente assustador.

Além de Ben realmente parecer um chimpanzé real que ficou surtado, outro ponto positivo do filme é o vencedor do Oscar Troy Kotsur como o pai, que é surdo. Alguns dos melhores e mais emocionantes momentos do filme estão diretamente relacionados à sua deficiência. Quando acompanhamos o ponto de vista do personagem, tudo é silêncio, o que torna a tensão ainda maior para o público.

O diretor e roteirista Johannes Roberts e seu parceiro de longa data, o roteirista Ernest Riera, claramente prestam uma homenagem carinhosa aos muitos filmes de monstros dos anos 80 e 90, com claras referências à Cujo, famosa adaptação cinematográfica do romance de Stephen King sobre um cão raivoso assassino, lançada em 1983 e dirigida por Lewis Teague. Além disso, os diálogos são bastante repetitivos, o filme conta com personagens superficiais e uma trama previsível, mas muito sangue e um carinho aparente pelo monstro que criaram. Afinal, um filme do gênero precisa de um bom vilão e de adolescentes detestáveis para serem destruídos ou não estará completo. 

Com 89 minutos de duração e um ritmo frenético, há pouco espaço para grandes lições e aprendizados, ainda assim, o filme serve como um lembrete severo e macabro do porquê de chimpanzés não deverem ser considerados parte da família (algo que muitos ainda parecem não entender). No geral, é um filme que cumpre seu papel e entrega muita violência e diversão para os amantes do gênero. 

O Primata chega aos cinemas em 29 de janeiro de 2026, com distribuição da Paramount Pictures.

3

Bom

O Primata aposta em uma fórmula simples e direta de terror, transformando um chimpanzé dócil em uma ameaça brutal após contrair raiva. Apesar da trama previsível e dos personagens superficiais, o filme se destaca pelo uso eficaz de efeitos práticos e pela presença marcante de Troy Kotsur, cuja perspectiva silenciosa intensifica a tensão. Violento e rápido, cumpre bem sua função como entretenimento sangrento para fãs do gênero.

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