O Morro dos Ventos Uivantes |
Divulgação/Warner Bros.
O Morro dos Ventos Uivantes |
Divulgação/Warner Bros.

“O Morro Dos Ventos Uivantes” | Veja diferenças entre o livro e o filme

O lançamento da controversa adaptação de Emerald Fennell da comovente obra de Emily Brontë, chegou aos cinemas!

“O Morro Dos Ventos Uivantes” traz muita sensualidade e falta de moralidade para um contexto mais moderno. A narrativa original é centrada duas propriedades e nas famílias que as habitam. A primeira é Wuthering Heights, uma casa de fazenda rústica e isolada, erguida numa encosta fustigada pelos ventos, e Thrushcross Grange, uma residência mais elegante e acolhedora, situada num vale sereno e protegido. É nesse contraste de ambientes que se desenrola a história marcada pela paixão intensa e devastadora entre Catherine Earnshaw e Heathcliff, um órfão acolhido pelo pai de Cathy e criado em Wuthering Heights.

O vínculo arrebatador entre Cathy e Heathcliff constitui o núcleo poderoso e trágico do romance: um amor que desafia convenções, alimenta ressentimentos e desencadeia consequências profundas que ecoam por gerações. Clássico do romance gótico, a obra continua a fascinar leitores ao redor do mundo, eternizando Cathy e Heathcliff como símbolos máximos de um amor avassalador, sombrio e inesquecível.

A autora da obra original foi a filha reclusa de um vigário, profundamente ligada à paisagem selvagem dos pântanos de Yorkshire. Ela deixou, ao morrer aos 30 anos, um dos romances mais singularmente amorais e obsessivos já escritos, com uma espécie de ficção romântica completamente diferente de outras obras do mesmo período. O novo filme é apenas o mais recente de inúmeras adaptações para o cinema que já foram feitas de O Morro dos Ventos Uivantes, história que já ganhou até versões em Bollywood, no Japão, na Espanha e muitas outras versões em vários locais do globo.


Mas o que foi alterado na releitura da icônica história feita por Emerald Fennell?

Emerald Fennell já provou com Bela Vingança e, principalmente, com Saltburn, que sabe ser provocativa. Então, não é surpresa que sua adaptação de O Morro dos Ventos Uivantes seja repleta de romance, com muitas cenas quentes entre os protagonistas, Cathy (Margot Robbie) e Heathcliff (Jacob Elordi). O livro escrito no século XIX definitivamente não detalhava cenas de beijos ardentes, masturbação e sexo da maneira em que os temas estão presentes nessa versão de 2026, mesmo assim, já era possível entender o quanto esses personagens se entregam à paixão. 

“O Morro Dos Ventos Uivantes” cobre apenas a primeira metade do livro, ou seja, não continua após a morte de Cathy. Assim como várias outras adaptações já feitas do livro, o foco foi em mostrar o amor trágico e não nas consequências causadas por ele. Se você já leu antes de ver a adaptação, pode ter sentido que algo estava faltando e é porque estava mesmo! O título do filme se encontra entre aspas, pois a diretora afirma que se trata de sua própria interpretação da história de seu livro favorito, com uma boa dose de imaginação, incluindo uma generosa porção do que ela gostaria que tivesse acontecido no clássico de 1847.

O livro se passa no final do século XVIII e início do século XIX, quando a música clássica estava em voga. No filme, porém, em vez de usar algo historicamente preciso, a trilha sonora é da estrela pop contemporânea Charli XCX. Mas, embora a trilha sonora não seja historicamente correta, ela tem um forte impacto emocional e conexão com o mundo criado por Emerald Fennell, em que o período em que a história de passa é bastante ambíguo. Além da música, os figurinos e os cenários são uma grande mistura de estilos, tornando essa versão algo atemporal.

Outra mudança em relação ao livro (e a mais criticada) foi a escolha de Jacob Elordi para o papel de Heathcliff. No livro, o personagem é descrito como alguém de pele escura, o que levou a acusações de “embranquecimento”. A diretora defendeu sua escolha, dizendo que sempre imaginou o personagem dessa forma, além disso, a Cathy do livro é uma adolescente de cabelos escuros, bastante diferente de Margot Robbie. Segundo Fennell, o elenco foi escolhido por conseguir passar a essência dos personagens e não pelas características físicas deles. Sua aparência é fundamental para seu status de forasteiro no livro, mas é a natureza animalesca de Heathcliff que realmente o distingue de outros homens das obras de ficção romântica.

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