O Morro dos Ventos Uivantes
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O Morro dos Ventos Uivantes | Um delírio gótico de sangue, desejo e neon

Adaptar O Morro dos Ventos Uivantes é uma tarefa ingrata. O clássico de Emily Brontë carrega uma carga de toxicidade e desespero que muitas versões suavizam para parecer um romance convencional. Em 2026, a diretora Emerald Fennell (Saltburn) decide seguir o caminho oposto. Sua versão não busca a fidelidade histórica de museu, mas sim a “vibe” da obsessão.

O resultado é um filme polarizador, que troca a névoa sutil por uma eletricidade erótica e visualmente opulenta.

Estética: O Triunfo da Forma de O Morro dos Ventos Uivantes

Fennell confirma que é uma cineasta de sensações. A fotografia de Linus Sandgren transforma as charnecas de Yorkshire em um cenário que oscila entre o sonho e o pesadelo. Cada quadro parece uma pintura onde a beleza esconde a podridão. O uso de anacronismos — como a trilha sonora pulsante de Charli XCX contrastando com espartilhos apertados — serve para lembrar ao público que a dor de Cathy e Heathcliff não é um artefato antigo, mas um sentimento cru e imediato.

O filme é “pornograficamente” belo, e essa beleza é usada como uma arma para seduzir o espectador, mesmo quando os personagens agem de forma detestável. A escolha de Margot Robbie e Jacob Elordi foi alvo de controvérsias, mas em cena, eles justificam o cachê.

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Robbie entrega uma Cathy que é, ao mesmo tempo, vítima de sua classe social e carrasca de seus próprios desejos. Ela vibra em tela, capturando a volatilidade de uma mulher que quer a segurança de um castelo, mas a fúria de um amor selvagem. Já Elordi traz a Heathcliff uma gravidade física intimidadora. Ele não é apenas o “moço triste”; ele é uma ameaça silenciosa.

A química entre os dois não é doce — é uma fixação que parece consumir o oxigênio de cada cena. Quando estão juntos, o filme atinge seu ápice; quando estão separados, a narrativa por vezes tropeça em personagens secundários que parecem caricaturas perto da intensidade da dupla principal.

O Desequilíbrio do Terceiro Ato de O Morro dos Ventos Uivantes

Apesar de sua força visual, o filme falha em sustentar o fôlego até o final. Fennell foca tanto na construção da tensão sexual e do estilo que, ao chegar ao clímax da vingança de Heathcliff, o roteiro parece querer “correr” para o encerramento. A complexidade geracional do livro é sacrificada em prol de um drama mais focado no presente, o que pode deixar um vazio para quem esperava a conclusão espiritual e fantasmagórica que define a obra original.

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O filme “faze faíscas”, mas por vezes esquece de alimentar o incêndio no momento crucial. A versão de 2026 de O Morro dos Ventos Uivantes não é para puristas. É uma obra que prefere o risco da cafonice ao tédio da perfeição. Emerald Fennell criou um espetáculo de “amor e hematomas”, onde o desejo é tratado como uma ferida que os personagens se recusam a deixar cicatrizar.

Embora perca a profundidade literária no terço final, o filme se consagra como uma experiência sensorial inesquecível. É brutal, luxurioso e deliberadamente exagerado. É, em suma, o reflexo de um amor que não sabe ser pequeno.

Bom
3

Bom

No dia 13 de fevereiro de 2026, prepare-se para a maior história de amor já contada sob uma ótica brutal e luxuriosa. Emerald Fennell reinventa o épico de Emily Brontë, focando na química explosiva entre Cathy e Heathcliff. Entre figurinos deslumbrantes e uma trilha sonora pulsante, o filme explora o limite onde a paixão se torna uma ferida aberta.

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