Para aqueles que nunca assistiram à série do Disney+, The Mandalorian se passa após os eventos de Star Wars: Episódio IV – O Retorno de Jedi, durante os anos que seguem a queda do Império e com o novo governo galáctico da Aliança Rebelde em situação instável. Criada por Jon Favreau como a primeira série de televisão live-action do universo Star Wars, a produção rapidamente se tornou um sucesso ao mostrar um caçador de recompensas um tanto intimidador, com armadura e uma voz levemente sinistra que acaba se afeiçoando à Grogu, um bebê da mesma espécie de Yoda. Muito disso se deve à forma como conseguiu recuperar o espírito de aventura da trilogia original enquanto apresentava novos personagens carismáticos.
A relação entre Din Djarin, o Mandaloriano, e Grogu, a pequena criatura da mesma espécie de Yoda, rapidamente conquistou o público e se tornou o coração emocional da franquia em sua fase mais recente. No entanto, conforme as temporadas avançaram, parte do encanto inicial acabou se perdendo em meio a histórias excessivamente conectadas ao universo expandido da franquia. Ainda assim, havia curiosidade em torno de novo filme, principalmente por marcar o retorno de Star Wars aos cinemas depois de um longo período focado em séries televisivas. O resultado, porém, é um filme que parece incapaz de justificar sua própria existência como experiência cinematográfica.

O Mandaloriano e Grogu se passa entre a terceira temporada de The Mandalorian e a primeira temporada de Ahsoka, mas nada disso realmente importa para a compreensão dessa aventura. No filme, Din Djarian, também conhecido como Mando (Pedro Pascal,Lateef Crowder e Brendan Wayne), é contratado para encontrar criminosos de guerra do Império e apoiadores do Império escondidos nos confins da galáxia, mas essa não é sua aventura principal. As coisas começam a complicar quando ele recebe uma missão da Coronel Ward (Sigourney Weaver), que gira em torno de como ele conseguirá extrair informações da família Hutt, desde que o caçador de recompensas resgate o sobrinho deles – o filho de Jabba, Rotta, o Hutt (Jeremy Allen White).
No entanto, quando ele encontra o Hutt em um planeta distante, ele não é exatamente um prisioneiro. Em vez disso, a criatura é um gladiador musculoso preso a um contrato com o senhor da guerra Janu (Jonny Coyne) e querido nas arenas de luta locais. A partir daí, o filme tenta construir uma aventura de resgate misturada com conspirações criminosas e batalhas envolvendo diferentes facções da galáxia. Essas cenas que acontecem no planeta Shakari (que me pareceu ser bastante inspirado na cidade de Chicago) trazem um frescor para a franquia. Banhado a neon e bastante vibrante, a cidade parece ter saído de um filme de Blade Runner. Muito desse diferencial não se dá apenas pelo visual, mas também pela trilha sonora eletrizante de Ludwig Göransson, com uma pegada techno sombria que é diferente de tudo que já foi feito em Star Wars, mas que também soa completamente natural dentro desse universo.
Ir atrás de Rotta e Capturar Janu apenas prepara o terreno para a verdadeira batalha do filme que acontece tem o Mandaloriano e Grogu contra e os parentes de Rotta, conhecidos como os Gêmeos. As cenas contam com muita ação e se passam cenário pantanoso que chega mais perto de evocar a atmosfera clássica de Star Wars, mas a história em si nunca se materializa para sustentar essa ideia. Algumas situações abrem espaço para que Grogu vá resgatar seu mestre das enroscadas que ele se envolve, fazendo com que vários momentos fofos e repletos de CGI aconteçam durante as cenas, ainda que eles estejam ali apenas para isso: serem fofos. Ainda que esses momentos funcionem ocasionalmente, eles acabam se repetindo em excesso, dando a impressão de que o longa confia demais na popularidade do personagem para compensar a ausência de uma história mais envolvente.
Claro, os dois protagonistas vão encantar os espectadores mais jovens e agradar alguns adultos fãs da Disney e de Star Wars, mas fazem parte de um filme decepcionantemente mediano, ambientado em um universo que outrora inspirava admiração e muita empolgação. Tudo parece não passar de mais ou menos dois episódios agradáveis, divertidos e meio esquecíveis, que foram costurados juntos, ainda que tenham a ação grandiosa de uma aventura cinematográfica de alto orçamento. O Mandaloriano e Grogu não parece ser um filme para os fãs de longa data de Star Wars, mas uma tentativa desesperada de cultivar uma nova geração.
O Mandaloriano e Grogu chega aos cinemas em 21 de maio e dá continuidade à expansão do universo Star Wars.
Regular
O Mandaloriano e Grogu entrega uma aventura visualmente e tecnicamente competente. No entanto, o filme sofre com um roteiro superficial, excesso de fan service e uma dependência exagerada do carisma de Grogu para sustentar a narrativa. O resultado é um entretenimento agradável, porém esquecível, que parece mais uma extensão da série do que um verdadeiro evento cinematográfico de Star Wars.