No início dos anos 1980, o casal Denise (Anne Hathaway) e Greg Platt (Ewan McGregor) enfrentam uma crise no relacionamento. Se pudessem, eles voltariam no tempo para uma época em que tudo estava em paz entre eles, mas o mundo já estava acabando para os dois antes mesmo da chegada dos dinossauros. Seus filhos Audrey (Maisy Stella) e Brian (Christian Convery) também estão vivendo seus próprios dramas que acompanham a adolescência.
Então, logo nos primeiros minutos de O Fim Da Rua, durante uma tempestade repleta de raios, todo o bairro da família é transportado por um buraco de minhoca para 250 milhões de anos no passado, ficando à mercê do mundo jurássico. Embora o filme trate de uma viagem no tempo extremamente perigosa e inesperada, o foco real está em atravessar uma fase difícil no casamento. E isso não apenas sob a perspectiva do casal, mas também da dos filhos.

Greg está fazendo de tudo para ter uma família unida, enquanto faz bicos como entregador de pizza para conseguir uma renda extra. Para Denise e os filhos, porém, Greg tenta manter a aparência de que está tudo sob controle. O que ninguém sabe é que ele perdeu o emprego há algum tempo e vem escondendo a verdade, desesperado para preservar não apenas o sustento da família, mas também a imagem de homem capaz de protegê-la. Mas Greg não é o único que está desmoronando em silêncio.
Denise, cansada da rotina, do casamento e da sensação de ter abandonado seus próprios sonhos, ela encontrou uma maneira secreta de fugir daquela realidade. Todas as noites, quando a família dorme, Denise desce escondida até o porão, onde uma velha máquina de escrever se transforma em sua única confidente. Ali, longe dos olhos do marido e dos filhos, ela escreve um romance profundamente pessoal sobre uma mulher que, sufocada pela vida familiar, decide abandonar tudo em busca de uma existência mais emocionante. Quanto mais Denise escreve, mais difícil se torna distinguir a ficção da própria vida.
Enquanto isso, os dois filhos adolescentes percebem que alguma coisa está errada. Audrey e Brian sentem a tensão dentro de casa, percebem os silêncios entre os pais e começam a suspeitar que o divórcio pode estar próximo. Mas, como acontece com tantos adolescentes, os problemas dos adultos parecem distantes diante dos dramas que enfrentam todos os dias. Audrey está obcecada por Carl Sagan e pelo universo que ele descreveu em seus livros e programas. Inteligente, sonhadora e determinada a construir um futuro longe daquela cidade, ela deposita todas as suas esperanças na possibilidade de estudar em Cornell. O problema é que seus pais não têm condições de pagar a universidade. Entre a frustração, a pressão para decidir o próprio futuro e o medo de decepcionar os pais, ela se refugia cada vez mais no mundo das estrelas. Seu irmão mais novo, Brian, enfrenta batalhas bem mais imediatas. Tímido e inseguro, ele se apaixona pela nova garota da vizinhança (Jordan Alexa Davis) e precisa lidar com um valentão local que quer acabar com ele.
Quando uma ameaça coloca todos em perigo, as diferenças, ressentimentos e segredos deixam de importar. Pela primeira vez em muito tempo, Greg, Denise, Audrey e Brian precisam deixar de lado suas próprias batalhas e agir como uma verdadeira família. Porque, naquela noite, eles não estarão apenas tentando salvar o casamento, o futuro ou os sonhos uns dos outros. Estarão correndo para salvar a própria vida.
O longa dirigido por David Robert Mitchell é diferente de tudo o que ele fez até agora. Ele, que veio dos filmes independentes como Corrente do Mal e O Mistério de Silver Lake, entrega um entretenimento inteligente e original de grande orçamento. O Fim Da Rua se aproveita ao máximo de sua classificação indicativa para maiores de 14 anos, não apenas pela abordagem ousada em relação ao sangue, mas também pelo deleite implacável com a crueldade.
Além das boas cenas de ação e de todo o sangue, o filme mergulha na vida interior de seus personagens, contextualizando suas emoções no marasmo cotidiano. É muito mais fácil se conectar com essas pessoas quando somos apresentados à um drama humano genuíno. É justamente essa combinação entre espetáculo e intimidade que faz com que o filme seja uma experiência tão interessante. A viagem no tempo, os dinossauros e as sequências de sobrevivência funcionam como a camada mais evidente da história, mas, por baixo dela, existe um filme sobre pessoas tentando desesperadamente encontrar um caminho de volta umas para as outras.
Nesse sentido, o filme consegue entregar aquilo que muitos blockbusters recentes parecem ter esquecido. O espetáculo está a serviço dos personagens. É justamente porque conhecemos suas frustrações, seus medos e seus desejos que cada fuga, cada perda e cada decisão tomada sob pressão adquirem verdadeiro impacto. Mais do que uma aventura jurássica, o filme é uma história sobre uma família que precisa ser arrancada de sua rotina para perceber o quanto ainda significa uns para os outros. Ao contrário de tantas produções que tentam transformar a nostalgia em substituta para boas histórias, O Fim da Rua usa uma premissa absurda para contar algo bastante familiar.
O Fim da Rua estreia em 13 de agosto de 2026, também disponível em IMAX e em versões com acessibilidade. A distribuição é da Warner Bros. Pictures.
Muito bom
O Fim da Rua usa uma premissa insana de viagem no tempo e dinossauros para contar uma história íntima e muito divertida sobre uma família em crise. É um filme que equilibra suspense, violência e espetáculo com conflitos humanos genuínos, fazendo com que a sobrevivência tenha peso emocional.