Lançado em 2018, Ferrugem é uma drama nacional dirigido por Aly Muritiba que arrancou elogios em alguns festivais onde participou como o renomado Festival Sundance. O filme aborda de forma direta e reflexiva os cuidados que se devem ter quando adolescentes usam por demais os smartphones. As consequências podem ser irreversíveis.

Na trama, a adolescente Tati (Tiffanny Dopke) adora compartilhar sua vida nas redes sociais com muitas fotos e vídeos, alguns íntimos que deixou salvo em seu aparelho. Quando perde seu smartphone durante uma excursão escolar, um desses vídeos íntimos acaba se tornando público em um grupo WhatsApp de sua turma de colégio. A partir daí, acompanhamos seu drama pessoal e sua vida se esvaindo aos poucos com cada comentário maldoso e o julgamento em praça pública por seus colegas.

O longa é dividido em duas partes. A primeira foca no drama de Tati e a segunda com o olhar crítico do responsável pelo vazamento, Renet (Giovanni de Lorenzi), o interesse amoroso da adolescente.

Nos dois lados, o lado estético chama a atenção pelo bom uso das cores, da fotografia e do cenário. Tanto Tati quando Rene estão perturbados, inquietos e buscando amparo. Mesmo Rene saindo do ambiente barulhento da escola para a tranquilidade da casa de praia, sua inquietude só aumenta.

Aly Muritiba faz um apelo sobre a falta de comunicação entre pais e filhos, que podem culminar em situações como de Tati. Enrique Diaz e Clarissa Kiste, que vivem os pais de Rene, desempenham uma sequência forte sobre o comportamento do filho. Masculinidade tóxica também é um tema presente quando Tati acaba se tornando uma figura sexual para os homens, inclusive para o porteiro escolar que direciona um olhar de desejo sexual. E Tati tem apenas  16 anos.

Ferrugem é um drama que mostra o quanto estamos vulneráveis com o uso da tecnologia. E quanto somos dependentes dela. Um aviso para que aconteça mais debates sobre o cyberbullying e revenge porn.

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