Monarcas: O Conto das Borboletas é uma produção voltada ao público infanto-juvenil que acompanha Patrick (dublado por Rafael Quelle), uma borboleta-monarca com uma asa subdesenvolvida, o que o impede de voar e torna sua migração anual de inverno para o México ao lado dos outros de sua espécie um enorme desafio. O desejo de se provar é ampliado pelo fato do pai de Patrick ter sido um grande herói na comunidade depois de bicar o olho de uma águia temível, mas ele pagou o preço mais alto de todos, então a mãe superprotetora de Patrick diz que ele não poderá ir até que esteja pronto, o que ainda não é o caso.
Teimoso que é, Patrick se esconde no estoque de comida de emergência com seu amigo Marty (dublado por Mari Guedes), que ainda é uma lagarta e não vê a hora de se tornar uma borboleta. Eles são alvo de piadas e bullying das borboletas maiores. Ambos são carregados por Jenniffer (dublada por Raíssa B), que nutre grande simpatia por Patrick e morre de medo de altura. A dupla é descoberta rapidamente, e o que se segue é um pouco de perigo, primeiro por causa de um tornado que separa a mãe de Patrick do grupo e depois pelas garras daquela águia caolha que busca vingança.
Será que Patrick algum dia aprenderá a voar? Será que Marty algum dia fará a transição de lagarta para borboleta? E será que Jennifer superará suas inseguranças? Durante a jornada, os protagonistas vão lidar com essas e outras questões. Patrick se tornará um herói improvável, mas primeiro ele precisa enfrentar seus medos, abraçar sua singularidade e triunfar sobre as adversidades enquanto luta contra mudanças climáticas, humanos e pássaros malvados em busca de vingança. Enquanto as borboletas continuam sua migração, elas percebem que flor da qual se alimentam se tornou menos comum por conta das construções feitas pelos humanos, lembrando que o modo como as pessoas vivem impacta todos os tipos de criaturas – a forma que o filme encontrou de abordar questões ambientais.
Os cineastas realmente se superaram com suas borboletas antropomórficas de gosto duvidoso, com seus corpos humanoides e roupas que parecem saídas do armário de um adolescente. Pode levar um tempo para perceber que o filme é sobre borboletas e acredito que algumas crianças possam inclusive confundir essas pequenas criaturas com fadas em um primeiro momento. É uma escolha estranha, agravada pelo baixo custo da animação, que muitas vezes parece sem vida, carecendo do realismo e da vivacidade que vemos em muitas outras produções feitas para o mesmo público alvo (que acabam encantando os mais velhos também). Embora crianças muito pequenas possam tirar algum proveito da narrativa simples e da paleta de cores, inegavelmente vibrante, os mais velhos podem ficar entediados.
Dirigido por Sophie Roy, o filme ilustra a importância da inclusão de uma forma que os jovens espectadores entenderão. É uma história leve, com algumas mensagens otimistas e nada originais sobre a importância de ser você mesmo e superar seus medos, além de ensinar os jovens espectadores a cooperar uns com os outros e resolverem problemas. Embora nem todas as borboletas tenham as mesmas habilidades, fica claro que a sociedade prospera quando ninguém é deixado para trás. É um filme fácil de assistir, mas ao mesmo tempo é bastante esquecível.
A trilha sonora é bastante agradável e conta com canções interpretadas por Shawn Mendes, Johnny Orlando e Coeur De Pirate. Porém, a dublagem tem um problema que vem me incomodando em produções recentes: o uso exagerado de expressões e memes com data validade. Sabemos que a dublagem brasileira é bastante capaz de inventar frases que ficam eternizadas e o uso desses bordões retirados da Internet me parece algo bastante preguiçoso, que faz com que os diálogos fiquem de certa forma datados.
Monarcas: O Conto das Borboletas chega aos cinemas em 22 de janeiro de 2026, com distribuição da Cinecolor Filmes Brasil.
Regular
Monarcas: O Conto das Borboletas traz uma fábula infantojuvenil sobre inclusão e superação, usando a migração das borboletas como metáfora para enfrentar medos e diferenças. Apesar das mensagens positivas e da trilha sonora agradável, a animação simples e o visual antropomórfico estranho tiram parte do encanto. É um filme leve e bem-intencionado, mas esquecível.