Mestres do Universo é um filme baseado em um desenho animado clássico, que, por sua vez, nasceu de uma linha de brinquedos. Pela descrição, não parece exatamente o tipo de obra que deve ser levada a sério, certo? É por isso que o diretor Travis Knight optou por abraçar o absurdo inerente à premissa, adotando um tom autoconsciente e bem-humorado que funciona surpreendentemente bem.
A trama acompanha Adam (Nicholas Galitzine), o príncipe de Eternia, um reino mágico protegido pela família real e pela Feiticeira (Morena Baccarin) contra ameaças como o terrível Esqueleto (Jared Leto). Quando o vilão lança um ataque devastador, o Rei (James Purefoy) e seu comandante, Mentor (Idris Elba), são derrotados. O jovem príncipe Adam é enviado através de um portal para a Terra. No processo, ele perde a espada mágica que poderia levá-lo de volta para casa.
Criado entre humanos, Adam passa a infância contando histórias sobre heróis lendários como Ram Man (Jon Xue Zhang), Mekaneck (James Wilkinson) e Fisto (Jóhannes Haukur Jóhannesson), para a completa confusão de todos ao seu redor. Quinze anos depois, ele trabalha no setor de recursos humanos, onde aprendeu a lidar com sentimentos e a compreender as pessoas. Sua vida muda quando finalmente reencontra a espada perdida e descobre que chegou a hora de retornar a Eternia. No entanto, os capangas de Esqueleto passam a persegui-lo imediatamente. Com a ajuda de sua amiga de infância, Teela (Camila Mendes), Adam precisa proteger a arma e chegar ao Castelo de Grayskull antes que ela caia nas mãos erradas.
Ao retornar a Eternia, ele descobre que os lendários guerreiros que conhecia pelos apelidos de infância não se chamam exatamente Ram Man ou Fisto. Eram apenas os nomes que sua imaginação infantil lhes atribuíra — e os próprios guerreiros não ficam nada satisfeitos ao ouvir a explicação. Essa decisão de retratar Adam como um sujeito atrapalhado, deslocado e constantemente dizendo coisas inadequadas se torna uma das principais fontes de humor do filme. Por outro lado, o protagonista passa boa parte da narrativa reagindo aos acontecimentos, sem um objetivo particularmente claro para recuperar o trono ou restaurar seu reino.

O resultado é, essencialmente, um grande filme de perseguição. Enquanto Esqueleto avança em sua busca pela espada e pelo domínio absoluto de Eternia, os heróis passam de um confronto a outro. A simplicidade da história certamente agradará ao público infantil, graças aos visuais vibrantes e aos personagens marcantes. Ao mesmo tempo, os adultos encontrarão diversão na enorme carga nostálgica, construída a partir dos brinquedos, da animação clássica, das adaptações anteriores e até dos memes que surgiram ao longo dos anos. O filme entende que muitos desses elementos sempre foram um pouco ridículos e transforma justamente essa característica em uma de suas maiores qualidades.
Visualmente, o trabalho de Travis Knight e do designer de produção Guy Hendrix Dyas é um verdadeiro tributo ao universo original. Eternia surge em uma explosão de cores vivas, dominada por tons de vermelho, verde, laranja, roxo e rosa. Os figurinos concebidos por Richard Sale recriam os visuais icônicos dos personagens com armaduras exuberantes e silhuetas marcantes. Mesmo antes de a narrativa retornar ao reino fantástico, o diretor de fotografia Fabian Wagner injeta energia à rotina terrestre de Adam através de movimentos rápidos de câmera, zooms repentinos e efeitos sonoros que remetem diretamente à linguagem dos desenhos animados. A trilha sonora, fortemente inspirada na estética dos anos 1980, completa o conjunto com eficiência.
E vale destacar Jared Leto como Esqueleto. Figura frequentemente divisiva entre o público, o ator entrega uma interpretação deliciosamente maligna, capturando a essência do personagem como um vilão clássico, simples e carismático. É uma atuação que compreende perfeitamente o tom do filme e se torna um de seus maiores acertos.
Para quem prefere assistir à versão dublada, há ainda um elemento especial: Garcia Júnior, responsável pela voz de He-Man no desenho exibido no Brasil durante os anos 1980, retorna para dublar novamente o príncipe Adam e seu alter ego, He-Man, estabelecendo uma conexão imediata com a memória afetiva de várias gerações.
Embora o roteiro por vezes se acomode em uma sucessão quase ininterrupta de perseguições, Mestres do Universo sabe exatamente o que deseja ser. Em vez de tentar impor uma seriedade artificial a uma franquia que nasceu dos brinquedos e prosperou graças ao seu charme extravagante, o filme abraça sua própria excentricidade com confiança e senso de humor. O resultado é uma aventura colorida, divertida e autoconsciente, que funciona tanto como homenagem aos fãs de longa data quanto como porta de entrada para uma nova geração. Talvez Eternia nunca tenha parecido tão ridícula e justamente por isso, tão divertida.
Mestres do Universo tem sessões antecipadas nos cinemas a partir de 3 junho e estreia oficialmente em 4 de junho, com distribuição da Sony Pictures.
Muito bom
Mestres do Universo sabe exatamente o que deseja ser e abraça sua própria excentricidade com confiança e senso de humor. Quem diria que um filme baseado em bonecos poderia ser tão divertido?