Justiça Artificial
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Justiça Artificial, um filme superficial sobre o poder da IA na sociedade

Em Justiça Artificial, thriller de ficção científica do diretor Timur Bekmambetov, o detetive da polícia de Los Angeles Chris Raven (Chris Pratt) tem 90 minutos para provar sua inocência durante um julgamento pelo assassinato de sua esposa. O julgamento é conduzido por uma inteligência artificial chamada Maddox (Rebecca Ferguson), que funciona como juíza, júri e executora, dando esse pequeno tempo para que os réus apresentem seus argumentos e provas antes que seja dado o veredicto e a sentença seja executada. O algoritmo calcula a probabilidade de culpa do réu, com 92,5% de probabilidade servindo como limite entre ir embora ou morrer. As sentenças são aplicadas instantaneamente, convenientemente realizadas na cadeira em que os réus estão presos durante o julgamento. 

Você é considerado culpado até que prove o contrário, o que aumenta imediatamente a tensão e confere ao filme uma grande sensação de urgência. O sistema Mercy dispensa mandados judiciais e dá tanto ao juiz de IA quanto ao réu acesso a registros telefônicos, câmeras de trânsito, bancos de dados policiais e qualquer outro tipo de evidência que possa estar disponível na nuvem, afinal, na Los Angeles do filme, tudo está conectado ao sistema Mercy. Os réus devem ter tudo o que precisam para provar seu caso (exceto por um advogado), mas o algoritmo onisciente já deve saber se eles são culpados ou não. O fato do filme mostrar todos esses elementos, também o torna mais dinâmico, já que na maior parte do tempo vemos apenas duas pessoas conversando.

Quando Chris Raven acorda de ressaca diante da juíza digital, ele não lembra de nada, nem ao menos sabe que sua esposa Nicole (Annabelle Wallis) foi assassinada e que há 97,5% de chance de ele ser o assassino. A questão é que Chris ajudou a promover e defender a tecnologia com a qual terá que lidar para salvar sua vida, então usa suas habilidades como detetive para conseguir reunir o máximo de provas para mostrar que não é o culpado.

A premissa nos prende imediatamente, e o diretor Timur Bekmambetov faz um bom trabalho em aumentar a tensão enquanto Raven luta não só para salvar a própria vida, mas também para resolver o assassinato da esposa. Enquanto tenta desvendar o mistério antes que o tempo acabe, ele liga para o padrinho do Alcoólicos Anônimos, Robert Nelson (Chris Sullivan), para a filha Britt (Kylie Rogers) e para a parceira Jaq (Kali Reis), pois acredita que essas pessoas poderão ajudá-lo a juntar as peças do quebra-cabeça. Mas nem todo mundo é o que parece…

Tanto Chris Pratt quanto Rebecca Ferguson entregam performances divertidas, ainda que Maddox seja escrita com empatia demais para ser completamente convincente como inteligência artificial. Chris Racven está em pânico, desesperado e completamente sobrecarregado, e Chris Pratt transmite cada segundo desse colapso mental de forma competente. 

O filme levanta questões provocativas sobre a verdade e a justiça na era da IA, algo que lembra Minority Report na forma como retrata a ética de transferir as responsabilidades da lei e da ordem para forças além da humanidade. Mas levanta essas questões apenas para abandoná-las em favor de um final que não resiste nem a uma análise superficial. Na verdade, a piada sutil do filme é que um juiz de IA talvez consiga fazer esse trabalho de forma mais objetiva do que um júri, mas também precisa de um pouco de fator humano para colaborar e acaba caindo na questão sobre o convívio harmonioso dos seres humanos com esse tipo de tecnologia.

Justiça Artificial não reinventa o thriller de ficção científica, mas se sustenta como uma experiência tensa e envolvente graças ao seu conceito instigante, ao ritmo implacável e às boas atuações. O filme flerta com discussões relevantes sobre o uso da inteligência artificial no sistema judiciário e o perigo de transformar probabilidades em sentenças definitivas, mas acaba tratando essas questões de forma superficial, preferindo um desfecho caótico e convencional à reflexão que sua própria premissa sugere. Ainda assim, funciona como entretenimento eficiente, afinal prende a atenção do início ao fim, provoca inquietação e deixa no ar uma pergunta relevante: estamos realmente prontos para entregar decisões de vida ou morte a algoritmos??

Justiça Artificial estreia no dia 22 de janeiro de 2026, com distribuição da Sony Pictures.

2.5

Regular

Justiça Artificial apresenta uma premissa provocadora e constrói bem a tensão, mas falha ao aprofundar os dilemas éticos que propõe. Ao optar por um final ruidoso e pouco coerente, o filme enfraquece sua própria discussão sobre verdade e justiça mediadas por algoritmos. Resta um thriller eficiente, porém superficial, que desperdiça parte do potencial de sua ideia central.

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