Infinite Icon: Uma Memória Visual
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Infinite Icon: Uma Memória Visual, um mergulho na carreira musical de Paris Hilton

Infinite Icon: Uma Memória Visual é um híbrido entre filme-concerto e documentário que acompanha Paris Hilton em um momento decisivo de sua trajetória artística. Figura constante nos tabloides do início dos anos 2000, a artista entra agora em uma nova era marcada não apenas pelo brilho e glamour trazidos como bagagem daquela época, mas também pelo ativismo e uma reflexão honesta sobre seu próprio passado. O filme revela sua jornada desde o auge da fama, passando por traumas pessoais, até sua atuação como defensora de jovens vulneráveis.

Dirigido por J.J. Duncan e Bruce Robertson, o documentário coloca Hilton, ícone cultural e possivelmente primeira influencer, no centro de sua própria história, reivindicando uma narrativa frequentemente moldada por percepções distorcidas da mídia. No início dos anos 2000, Hilton era vista principalmente como frequentadora de baladas e símbolo de excessos. Infinite Icon: Uma Memória Visual, porém, mostra que essa imagem contava apenas parte da história.

Através de arquivos pessoais e entrevistas, o filme revela como uma jovem tímida que sofreu dor e abuso em supostos acampamentos para jovens infratores (instalações que, segundo ela, eram tudo menos terapêuticas), encontrou na música e na vida noturna um espaço de expressão e pertencimento. Sua relação com a música, desde as aspirações da infância até o álbum de estreia e reinvenção artística, aparece como o eixo emocional do documentário e como ferramenta de sobrevivência e autoexpressão. O problema é que tudo é permeado pelo exibicionismo esperado de algo feito por Paris Hilton.

O documentário conta ainda com participações de Nicole Richie, Meghan Trainor e Sia, oferecendo diferentes perspectivas sobre a carreira e influência de Hilton. E claro, grande parte do tempo da produção é usado para mostrar seu primeiro show ao vivo no Hollywood Palladium em 2024 com canções de seu álbum Ininifte Icon apresentadas na integra e praticamente sem edição (exceto pelos brilhos e glamour adicionados, marca registrada de Hilton), o que em muitos momentos se torna cansativo.

Muito antes dos influenciadores digitais, ela foi pioneira na construção de marca pessoal, transformando sua imagem, estilo de vida e bordões em um império global. Como uma das primeiras estrelas de reality show, Hilton lançou as bases para celebridades multifacetadas, combinando música, moda, discotecagem, empreendedorismo e ativismo. Sua presença na cultura digital moldou a estética e as atitudes que hoje definem a fama online, influenciando branding, empreendedorismo de celebridades e cultura pop em geral. Não dá pra negar a inteligência dela ao construir essa personagem e lucrar com isso, porém todo o ativismo e os dramas mostrados nesse documentário parecem fazer parte dessa marca e não algo genuíno.

Apesar de certos momentos prolongados que podem cansar espectadores menos engajados, o documentário cumpre seu papel ao resgatar a narrativa de Hilton, mostrando que sua trajetória vai além do que os tabloides contaram. No final, é uma obra sobre reinvenção, resistência e a capacidade de transformar experiência pessoal em expressão artística. Para quem se interessa por documentários musicais, cultura de celebridades e evolução da fama, ou é fã de Paris Hilton, o filme conta com momentos que podem ser agradáveis. Para quem não tem muito interesse na maior patricinha que temos, ouvir quase duas horas de sua voz de bebê e aguentar ela exaltando todo seu amor próprio, pode ser levemente maçante.

Infinite Icon: Uma Memória Visual chega aos cinemas do Brasil em 29 de janeiro de 2026, com distribuição da Sato Company.

3

Bom

Infinite Icon: Uma Memória Visual resgata a narrativa de Paris Hilton, mostrando sua trajetória além dos tabloides e estereótipos, desde traumas pessoais até sua reinvenção artística. O documentário combina música, entrevistas e performance ao vivo, revelando seu papel pioneiro na cultura de celebridades digitais. No fim, é uma reflexão sobre fama, identidade e autonomia criativa feita por uma pessoa extremamente autocentrada.

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