Godzilla Minus Zero é um retorno grandioso, mas não é tão impactante quanto Minus One

Em 2023, Godzilla Minus One foi uma grata surpresa. Além de conquistar os fãs de filmes de monstros, o filme arrecadou nas bilheterias mundiais mais de 10 vezes seu valor de orçamento de apenas US$ 10 milhões. Além disso, ainda levou o Oscar de Melhores Efeitos Visuais, uUm feito extraordinário, especialmente quando considerado seu modesto custo de produção. Diante de tamanho sucesso, uma sequência tornou-se praticamente inevitável.

O original é um filme de monstros e guerra bastante tradicional, que utiliza o Japão do pós-guerra como pano de fundo para explorar os tropos clássicos do gênero, tudo isso em meio a confrontos apocalípticos contra uma criatura gigantesca. Já Godzilla Minus Zero não alcança o mesmo nível de excelência de seu antecessor, mas demonstra que o monstro ainda tem muita força. A trama retoma as pontas soltas deixadas pelo primeiro filme, amplia a escala da ação, apresenta novos personagens, aprofunda os já conhecidos e, por fim, abre novas possibilidades para o universo da franquia, caso os realizadores decidam explorá-las.

O roteirista, diretor e especialista em efeitos visuais Takashi Yamazaki retorna ao comando da sequência, trazendo consigo os principais personagens da história original. Pouco mais de dois anos se passaram desde que o ex-piloto kamikaze Koichi Shikishima (Ryunosuke Kamiki), com a ajuda do engenheiro de armamentos Dr. Noda (Hidetaka Yoshioka) e do poderio militar japonês, conseguiu enviar Godzilla para uma sepultura no fundo do mar. Infelizmente, os problemas do Japão com criaturas monstruosas estão longe de terminar. Um kaiju recém-descoberto, semelhante a um dragão, provoca uma devastação em Matsumoto, deixando poucos sobreviventes.

Entre eles está o experiente cientista especializado em armamentos Dr. Murakami (Min Tanaka). Agora à frente de um grupo dedicado a enfrentar criaturas desse tipo, o Dr. Noda recorre novamente a Shikishima, cuja experiência no confronto anterior pode ser fundamental para orientar a equipe e encontrar uma maneira de deter a nova ameaça. Enquanto isso, o protagonista tenta reconstruir sua vida ao lado da esposa, Noriko (Minami Hamabe), cuja sobrevivência por um triz no filme anterior terá consequências surpreendentes para a trama, e da filha adotiva deles, Akiko (Sae Nagatani).

Fomos orientados a não revelar muitos detalhes sobre a história, especialmente a natureza da nova criatura e o papel que ela poderá desempenhar no confronto com Godzilla, preservando assim algumas das surpresas do filme. O que podemos adiantar é que a violência está ainda mais visceral do que no longa anterior, sem que isso signifique o abandono do componente dramático.

O primeiro filme ofereceu aos personagens uma espécie de catarse emocional, permitindo que enfrentassem os traumas e os fantasmas deixados pela guerra. Com boa parte dessas questões resolvidas, a sequência procura novos conflitos pessoais para movimentar a narrativa. A intenção é interessante, mas a execução nem sempre funciona. O principal problema está nos diálogos: praticamente toda conversa mais longa acaba se transformando em um discurso apaixonado, frequentemente gritado e excessivamente prolongado. São momentos que parecem não encontrar um ponto final e acabam prejudicando o ritmo da narrativa.

Há boas cenas de ação, sequências visualmente impressionantes e momentos dramáticos capazes de envolver o espectador. No entanto, parte desse impacto acaba diluída por uma narrativa que insiste em explicar e enfatizar demais suas próprias emoções. Com mais de duas horas de duração, o filme poderia se beneficiar de uma edição mais enxuta, especialmente nos momentos em que os diálogos interrompem o andamento da história.

Godzilla Minus Zero é uma sequência competente, que entende muito bem os elementos responsáveis pelo sucesso de seu antecessor, mas nem sempre consegue reproduzir a mesma combinação de espetáculo, emoção e eficiência narrativa. Takashi Yamazaki demonstra novamente seu talento para construir cenas de destruição grandiosas e conferir peso dramático ao confronto com o monstro, embora o excesso de diálogos impeça que a experiência seja tão envolvente quanto poderia. Ainda assim, Godzilla continua sendo uma força impressionante na tela, e o filme deixa caminhos interessantes para o futuro da franquia. Pode não ser o acontecimento cinematográfico que foi Godzilla Minus One, mas é um retorno que merece ser conferido pelos fãs do gigantesco kaiju.

Godzilla Minus Zero será distribuído no Brasil pela Sato Company e estreia nos cinemas nacionais em 5 de novembro.

3.5

Muito bom

Godzilla Minus Zero entrega cenas de destruição grandiosas, bons momentos dramáticos e amplia o universo apresentado em seu antecessor. Apesar disso, o excesso de diálogos emocionais e a narrativa prolongada comprometem o ritmo e diminuem seu impacto. Uma sequência competente e visualmente impressionante, mas que não alcança a excelência de Godzilla Minus One.

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