Com produções que integraram os Festivais de Cannes, Veneza, Locarno e l’Alpe d’Huez, começa em 29 de outubro em todo o país o 17º Festival de Cinema Francês do Brasil. A programação chega aos cinemas de mais de 50 cidades simultaneamente, apresentando um panorama da recente cinematografia francesa com obras destinadas a todos os públicos, e exibidas até 11 de novembro. Entre elas, estão filmes premiados e sucessos de público e de crítica. São Paulo e Rio de Janeiro recebem uma delegação formada por sete profissionais, entre atores e diretores de diferentes gerações, que apresentam seus filmes em sessões com o público e participam de debates. Ao longo de suas edições, o festival já alcançou mais de 2,5 milhões de espectadores, consolidando-se como o principal evento nacional dedicado à cinematografia francesa.
Rica e diversa, a seleção conta com 21 títulos. Dezenove filmes são inéditos e recentes, e dois clássicos fazem parte da história do audiovisual do país. A Grande Escapada, de Gérard Oury, permite rever uma das comédias mais populares da França, que está completando 60 anos. Lançado em 1966 e estrelado por Bourvil, Louis de Funès e Claudio Brook, o filme acompanha dois civis franceses que ajudam pilotos britânicos a escapar da ocupação nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Com mais de 17 milhões de espectadores na França e mais de 60 milhões em todo o mundo, a produção, distribuída pela Bonfilm, permanece como um marco da comédia francesa.
O outro clássico é a animação cult O Rei e o Pássaro, de Paul Grimault, distribuído pela Bonfilm. Inspirado no conto A Pastora e o Limpador de Chaminés, de Hans Christian Andersen, começou a ser desenvolvido em 1946, a partir da parceria entre Grimault e o poeta Jacques Prévert. O filme comemora 80 anos e traz muito humor, poesia e reflexões filosóficas com diálogos de Prévert. Já foi visto por mais de 2,3 milhões de espectadores nos cinemas desde seu lançamento. O animado integra o programa educativo promovido pelo festival com sessões para jovens de escolas da rede pública.
“Temos uma seleção diversificada, com filmes que se conectam com o mundo em que vivemos. Talvez o destaque da edição seja um filme que mostra a importância de lutar pela liberdade frente às violências políticas, ainda mais no momento atual em todo o mundo. A mensagem está expressa no espetacular díptico ‘De Gaulle: A França Livre’, de Antonin Baudry. Uma obra monumental que já superou mais de cinco milhões de espectadores na França”, ressalta a curadora e diretora Emannuelle Boudier.
Para o também curador e diretor, Christian Boudier, “é fundamental que o cinema cumpra seu papel de abrir perspectivas e levantar questões sobre os desafios diários da vida. Principalmente em tempos de crises, sejam elas políticas ou morais”, completa.
OS FILMES
Entre os filmes mais aguardados desta edição está o díptico De Gaulle: A França Livre, de Antonin Baudry, que levou mais de cinco milhões de espectadores aos cinemas franceses e foi exibido fora de competição em Cannes. Produção histórica protagonizada por Simon Abkarian, Simon Russell Beale e Florian Lesieur, tem a participação de Benoît Magimel e distribuição da Synapse. Ambientado em junho de 1940, durante a ocupação nazista, o longa acompanha a decisão do general Charles de Gaulle de partir para Londres para liderar a resistência francesa.
Outro destaque é O Beijo Elétrico, de Pierre Salvadori, comédia romântica ambientada em Paris, em 1928, que abriu o Festival de Cannes 26. O longa acompanha Antoine Balestro, um jovem pintor que perde a inspiração após a morte da esposa e tenta entrar em contato com ela por meio de uma vidente. O que ele não sabe é que a mulher é, na verdade, uma artista de circo que participa de uma farsa para ajudá-lo a recuperar a criatividade. Estrelado por Pio Marmaï, Anaïs Demoustier e Gilles Lellouche, o filme ultrapassou 600 mil espectadores na França. Tem distribuição pela Bonfilm.
Também presente em Cannes, O Sentido da Vida, de Ryūsuke Hamaguchi, concorreu à Palma de Ouro e ganhou o prêmio duplo de interpretação feminina para Virginie Efira e Tao Okamoto. O drama acompanha Marie-Lou, diretora de uma instituição para idosos que busca implementar uma abordagem de cuidado baseada na escuta e na dignidade dos residentes. Seu encontro com Mari, uma diretora de teatro japonesa que enfrenta um câncer, transforma sua trajetória e dá início a uma relação marcada pela amizade e pela busca de novas possibilidades. A distribuição é da Vitrine.
Exibido fora de competição no Festival de Veneza 26, o thriller político Júpiter, de Alexandre Smia, será visto pelo público brasileiro antes dos franceses: a produção só estreia por lá em 18 de novembro. Com distribuição da Califórnia Filmes, o longa com Denis Ménochet, André Dussollier, Reda Kateb – todos com indicações ao César – apresenta a tensa história do fictício presidente recém-eleito Paul Archambault, que precisa enfrentar uma crise internacional que pode levar a uma escalada nuclear. Grande parte da narrativa se passa dentro do Posto de Comando Júpiter, espaço real localizado sob o Palácio do Eliseu, em Paris, e utilizado pelo presidente francês em situações de crise.
A comédia A Ilustre Desconhecida, de Marc Fitoussi, traz Isabelle Huppert e Sandrine Kiberlain nos papéis centrais. Huppert é Corinne Maclou, uma figurante que participa de vários filmes na esperança de conseguir protagonismo. Ao se aproximar de uma atriz famosa, ela acredita ter a chance de realizar seu sonho. O filme aborda com humor as ambições, relações profissionais e desafios de quem busca reconhecimento no universo cinematográfico. A produção tem distribuição da Bonfilm e abriu o Festival de Cinema Francófono de Angoulême e encerrou o Festival de Locarno, ambos em agosto último.
Já O Que é o Amor?, de Fabien Gorgeart, aposta no humor para abordar as relações familiares e os recomeços. Na trama, Fred pede à ex-esposa, Marguerite, que anule o casamento religioso para que possa se casar novamente. Com isso, o ex-casal acaba indo a Roma acompanhado dos filhos e dos novos cônjuges em uma viagem de aventuras e descobertas para todos. Estrelado por Laure Calamy e Vincent Macaigne, o longa conquistou o Grande Prêmio do Festival Internacional de Cinema de Comédia de l’Alpe d’Huez de 2026, onde Calamy também foi premiada por sua atuação. É distribuído pela Fênix.
Um encontro inesperado muda a vida de duas pessoas em Compostela, o Caminho da Terapia, de Yann Samuell, com distribuição da Pandora. O filme acompanha Fred e Adam, um adolescente em crise, que partem juntos em uma peregrinação a Santiago de Compostela. Ao longo do caminho, os dois enfrentam conflitos, compartilham experiências e constroem uma relação de confiança. A produção ultrapassou 800 mil espectadores na França. Já na comédia dramática Minha vida de sereia, das diretoras Pauline Brunner e Marion Verlé, a mudança acontece quando uma sereia profissional passa pela região onde Fanny, um mulher recém-divorciada, mora. O encontro faz com que ela tome decisões represadas que alimentavam seu desejo de liberdade. A distribuição é da Bonfilm.
O festival também traz Bem-vindos à La Comédie-Française, comédia de Martin Darondeau e Bertrand Usclat com a protagonista Pauline Clément. Na trama, às vésperas de sua estreia como diretora na tradicional companhia teatral francesa, Nina precisa lidar com atrasos, problemas técnicos e desentendimentos que ameaçam a apresentação. A produção, distribuída pela Bonfilm, conquistou quatro prêmios no Festival Internacional de Cinema de Comédia de l’Alpe d’Huez, incluindo o Prêmio do Público e o Prêmio Especial do Júri, e superou 900 mil espectadores na França. Integrante da Comédie-Française, Pauline Clément também protagoniza Uma Menina de Ouro, de Jean-Luc Gaget, distribuído pela Bonfilm. O longa acompanha uma mulher que passa a questionar seu próprio valor após conhecer um empresário autoritário.
Também estão na programação:
A Casa das Mulheres, de Mélisa Godet
O Canto da Floresta, de Vincent Munier
A Busca de Charlie, primeiro longa-metragem de Avril Besson
Sem Piedade, de Julien Hosmalin
Duas Pessoas Trocando Saliva, de Natalie Musteata e Alexandre Singh
Victor, como Hugo, de Pascal Bonitzer
Molière, Cyrano e o Pequeno Rei, de Michel Leclerc
O Fantasma da Ópera, de Alexandre Castagnetti