Devoradores de Estrelas
Divulgação
Devoradores de Estrelas
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Devoradores de Estrelas é um filme sobre o fim do mundo repleto de esperança

Em Devoradores de Estrelas, filme baseado no livro de Andy Weir, autor do também adaptado para o cinema Perdido em Martecriaturas microscópicas estão devorando o Sol, o que levará a um escurecimento que destruirá a economia e o ecossistema da Terra, resultando na extinção da vida na Terra, após um período de fome e sofrimento. Então, Ryland Grace (Ryan Gosling), um professor de ciências muito longe de ser um herói típico, acaba assumindo uma missão crucial para a sobrevivência da humanidade. Nesse cenário desesperador, Grace é recrutado por Eva Stratt (Sandra Hüller), uma tecnocrata alemã fria e extremamente pragmática, que lidera os esforços globais para conter a crise.

O filme evita seguir uma estrutura linear convencional. Em vez disso, acompanhamos Grace despertando sozinho em uma nave espacial, sem memória clara de quem é ou de como chegou ali. Seus colegas de missão estão mortos e o isolamento absoluto intensifica tanto o suspense quanto o desenvolvimento psicológico do personagem. A narrativa se constrói de forma inteligente ao intercalar o presente em que Grace tenta entender sua situação, com fragmentos de memória que vão sendo recuperados gradualmente. Esse recurso não apenas sustenta o mistério, mas também funciona como um mecanismo eficiente de exposição científica. Ao invés de longos diálogos explicativos, comuns em filmes do gênero, o conhecimento surge organicamente à medida que o protagonista relembra sua trajetória. Isso torna a ciência mais acessível e, ao mesmo tempo, profundamente integrada ao arco emocional do personagem.

A missão de Grace é investigar por que Tau Ceti, uma estrela relativamente próxima, não está sendo afetada pelo mesmo fenômeno que ameaça o nosso sistema solar. Essa busca por respostas rapidamente deixa de ser apenas científica e passa a ter uma dimensão existencial. Afinal, enquanto tenta salvar a humanidade, Grace também precisa reconstruir sua própria identidade.

Um dos aspectos mais cativantes do filme é a inesperada relação que surge entre Grace e um alienígena que ele encontra durante a jornada. Apelidado de “Rocky”, o ser possui uma forma incomum, lembrando uma aranha feita de material rochoso, e se comunica por meio de vibrações que são traduzidas por tecnologia. O que poderia facilmente cair no estranhamento ou no distanciamento emocional se transforma em um dos pontos mais fortes da narrativa.

A amizade entre os dois personagens é construída com delicadeza e autenticidade. Apesar das diferenças biológicas e culturais, ambos compartilham o mesmo objetivo: salvar seus respectivos planetas. Essa conexão transcende a linguagem e reforça uma das mensagens centrais do filme: a cooperação como única saída diante de crises globais (ou interplanetárias). Rocky não é apenas um alívio narrativo, ele é essencial para humanizar ainda mais Grace e ampliar o escopo emocional da história.

Os diretores Phil Lord e Christopher Miller apostam em um equilíbrio interessante entre o rigor científico e um tom leve, quase lúdico. Mesmo com temas pesados, como extinção, isolamento, sacrifício, o filme mantém uma atmosfera acessível, por vezes até divertida. Essa leveza não diminui o impacto da narrativa, pelo contrário, torna a experiência mais envolvente e próxima do público. Há um certo espírito de aventura que remete a histórias clássicas de exploração espacial, sem abrir mão de um olhar contemporâneo sobre ciência e responsabilidade coletiva.

Ryan Gosling entrega uma performance carismática e convincente, sustentando grande parte do filme praticamente sozinho em cena. Sua interpretação consegue equilibrar humor, vulnerabilidade e inteligência, tornando Ryland Grace um protagonista fácil de acompanhar e torcer. Ele é alguém comum colocado em uma situação extraordinária e é justamente isso que o torna tão interessante.

Devoradores de Estrelas vai além de uma simples história sobre salvar o mundo. É um filme sobre memória, identidade e conexão. A jornada de Grace não é apenas externa, atravessando o espaço em busca de respostas, mas também interna, à medida que ele redescobre quem é e qual é o seu propósito. Diante do desconhecido, o que realmente define o sucesso não é apenas o conhecimento científico, mas a capacidade de colaborar, confiar e se sacrificar por algo maior. Em um universo vasto e muitas vezes indiferente, são esses pequenos gestos de empatia e parceria que fazem toda a diferença. Assim, o filme deixa uma mensagem otimista: mesmo diante de ameaças cósmicas, ainda é possível encontrar esperança, não apenas na ciência, mas nas relações que construímos ao longo do caminho.

Devoradores de Estrelas chega aos cinemas no dia 19 de março, com distribuição da Sony Pictures.

4

Ótimo

Apesar de recorrer a elementos clássicos do gênero, Devoradores de Estrelas se destaca pelo carisma, otimismo e pela mensagem sobre cooperação como chave para a sobrevivência.

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