No auge da pandemia, o diretor Ric Roman Waugh lançou um filme em que uma família luta para chegar à Groenlândia e se refugiar em um complexo de bunkers subterrâneos após um cometa começar a destruir o planeta. A família Garrity passou por inúmeras provações durante as duas horas de duração de Destruição Final, filme que mostrou o lado terrível dos seres humanos em meio ao fim iminente e que teve uma conclusão razoavelmente satisfatória para a história, não deixando muito espaço para uma sequência. Agora, em 2026, o diretor retorna para continuar a jornada de John (Gerard Butler), Allison (Morena Baccarin) e o filho adolescente deles, Nathan (Roman Griffin Davis).
Eles têm a sorte de terem sido selecionados pelo governo para entrar em um dos bunkers quando a Terra se tornou praticamente inabitável devido a fragmentos do cometa. Em Destruição Final 2, após cinco anos vivendo no bunker na Groenlândia, eles sofrem com a perda de liberdade, as difíceis decisões e a claustrofobia que acompanham a convivência subterrânea com centenas de outras pessoas e ainda aguardam que as condições melhorem para que possam retornar à superfície. John é uma espécie de guerreiro que se aventura por lá em busca de respostas, mas a exposição à radiação causou estragos em seu corpo, Allison está incerta sobre o futuro da humanidade e Nathan está ansioso para explorar o mundo exterior, mesmo sabendo que é bastante perigoso.
Então, a família Garrity é forçada a deixar esse novo lar que construíram ao lado de outros sobreviventes, pois terremotos, tsunamis e tempestades radioativas destroem o local completamente. Eles conseguem fugir utilizando um bote salva-vidas ao lado de Adam Shaw (Trond Fausa Aurvåg) e da Dr. Casey Amina (Amber Rose Revah), uma cientista que teoriza que a maior cratera deixada por um dos fragmentos de Clarke, localizada no sul da França, pode conter tanto os recursos básicos para a vida quanto oferecer proteção contra as tempestades de radiação que surgem a qualquer momento. Mas eles enfrentarão muitos, muitos desafios que ameaçam suas vidas em sua segunda e caótica jornada pela sobrevivência. Isso inclui inúmeras sequências intensas e obstáculos quase impossíveis que eles enfrentam em sua tentativa de chegar até o local do impacto. Nessa jornada, ora exaustiva, ora intrigante, o foco principal é manter a família unida.
Ao longo do caminho, eles acabam indo parara em Liverpool e descobrem que a Inglaterra está tão caótica quanto o resto do planeta. Com a ajuda de uma amiga de Allison, eles conseguem um carro e suprimentos para atravessarem o Canal da Mancha, agora totalmente sem água, e lutam para cruzar um abismo profundo usando uma ponte de corda extremamente frágil. Quando chegam na França, encontram uma família que os acolhe por uma noite e insiste que os Garritys levem sua filha adolescente, Camille (Nelia Valero de Costa), junto com eles até a cratera. Mas até lá, terão que cruzar uma área onde ocorre uma guerra civil. Basicamente, eles saem de um perrengue apenas para cair no próximo.
Enquanto o primeiro filme mostrava os Garritys buscando abrigo de um desastre apocalíptico iminente, a segunda parte os mostra atravessando um mundo devastado pelos efeitos a longo prazo do asteroide de Clarke. Há alguns momentos intensos e impactantes nos primeiros 20 minutos, ainda que toda a fuga inicial lembre bastante a fuga envolvendo os aviões do primeiro filme. Porém, o filme parece ficar cada vez mais preguiçoso conforme o tempo vai passando, com vários momentos que são bastante previsíveis, efeitos visuais que nem sempre alcançam a expectiva e personagens secundários que são completamente descartáveis, mas que sempre aparecem quando serão necessários. Infelizmente, o filme depende muito da conveniência.
Como quase todo filme de desastre, ele se apresenta como uma metáfora didática para a catástrofe ambiental causada pelo homem. E Destruição Final 2 ainda adiciona a questão da migração, o que faz sentido com o que está acontecendo no mundo atualmente. Ao mesmo tempo, o filme não tem nada de interessante a dizer sobre nada disso e apenas apresenta esses temas para depois não faz absolutamente nada com eles, a não ser utilizá-los como pano de fundo para uma sequência de ação. Embora o primeiro filme também fosse deprimente por conta da temática, ainda havia muita empolgação, o que não está tão presente desta vez. Apesar de toda a sua atmosfera sombria, ainda há um pouco de entretenimento.
Destruição Final 2 estreia nacionalmente em 5 de fevereiro, com distribuição da Diamond Films.
Regular
Destruição Final 2 abandona a urgência do original para acompanhar a família Garrity em um mundo já devastado, apostando mais na repetição de fórmulas do que em ideias novas. Apesar de algumas sequências intensas, o filme sofre com previsibilidade, conveniências de roteiro e personagens descartáveis. Ainda assim, a atmosfera sombria garante um entretenimento modesto.