Vingadores: Guerra Infinita

Antes de mais nada, essa crítica é livre de spoilers. Portanto, o objetivo dela é comentar apenas os aspectos técnicos do filme. Leia sem receio.

A Marvel Studios comemora seus 10 anos de universo cinematográfico com o lançamento de Vingadores: Guerra Infinita. O estúdio iniciou essa longa jornada com histórias díspares e personagens que culminaram neste filme. Primeiramente, o longa prometeu muito para os fãs desde o seu anúncio (ou desde a primeira aparição de Thanos em Os Vingadores, em 2012). São 18 obras amarradas de forma sagaz, lidando com todo universo e mitologia do mundo dos quadrinhos. Por consequência, suas histórias originais foram trazidas a vida. Tudo criado até hoje leva ao que é contado em Guerra Infinita.

O terceiro capítulo da franquia conta a história de Thanos e sua busca pelas Joias do Infinito. Antes de tudo, vale lembrar que as mesmas foram apresentadas ao público durante esses dez anos. O vilão busca equilibrar o universo dizimando-o pela metade; um genocídio com o propósito de salvação. As motivações do Titã Louco são unicamente compreendidas por sua Ordem Negra, composta por: Próxima Meia-Noite, Cull Obisidian, Corvus Glaive e Fauce de Ébano. Juntos, eles começam sua missão de salvação do universo e cabe só aos Vingadores confrontá-los, mesmo que essa tarefa tenha um preço alto.

Os Irmãos Russo

O desafio de dirigir e coordenar essa produção ficou nas mãos dos irmãos Anthony e Joe Russo. Assim também, os diretores  comandaram Capitão América: Soldado Invernal e Capitão América: Guerra Civil. A dupla enfrentou um desafio quase impossível, mas a produção mostrou que eles não apenas podem, como também dão conta do recado. A interação entre os personagens é um dos pontos altos, e por analogia, demonstra a habilidade de ambos para dirigir. Além disso, não podemos esquecer do número exacerbado de sequências, uma vez que a sequência de Vingadores foi filmada ao mesmo tempo. É nítido em cada entrevista o quanto eles amam o que fazem e o quanto entendem de quadrinhos, algo que reflete no que é mostrado na tela grande.

Por fim, um dos pontos fortes dos Russos são as sequências de ação, elogiadas em seus dois últimos filmes. Nesse, a escala é indubitavelmente maior e, surpreendentemente, bem executadas.

Vingadores: Guerra Infinita
Divulgação

Vingadores: Guerra Infinita

Primorosas seria a melhor palavra. É incrível como todo herói e vilão tem suas cenas minuciosamente pensadas e perpetradas, respeitando a essência e acrescendo habilidades em alguns deles. Tudo aqui é bem planejado e não há nada por acaso. Os destaques no lado dos Vingadores são, sem dúvida, Homem de Ferro, Homem-Aranha, Thor e Feiticeira Escarlate. Da mesma forma, no lado dos antagonistas temos Thanos e Fauce de Ébano. Os fãs podem ficar aliviados, pois Guerra Infinita tem a melhor ação dos filmes da Marvel até então.

A fotografia do filme mescla tudo visto ao longo das franquias criadas pela Marvel. No espaço, nos sentimos em Guardiões da Galáxia e em Thor. Na Terra, há uma mescla entre Guerra Civil e Pantera Negra, contrastando as cores cinzentas com a saturação esverdeada de Wakanda. Essa mistura enriquece e situa o espectador em cada local da história, tornando-se um dos inúmeros pontos positivos do filme.

Mas…

Entretanto, nem só de acertos vive Guerra Infinita. O roteiro pode muitas vezes parecer inflado, contando muitos arcos que poderiam ser menores (e deixando outros em aberto), passando a clara impressão de que estamos apenas assistindo a primeira parte de uma grande história. Esse ponto em particular torna o longa muito difícil de ser analisado. Devemos considerá-lo como um filme fechado ou como o início de um desfecho? Isso pode incomodar uns ou passar despercebido por outrem, porém vale a pena citar.

A trilha sonora também deixa a desejar, mesmo que o retorno de Alan Silvestri tenha animado boa parte dos fãs. O filme intercala as músicas utilizadas em Guardiões da Galáxia e Pantera Negra, além de reutilizar o tema criado em 2012, em Os Vingadores. Faltou uma identidade própria e isso pode não ser notado pelos fortes acontecimentos que ocorrem na trama. Ou seja, uma cena por si só pode chocar a audiência sem nem mesmo o auxílio sonoro. No entanto, o trabalho feito no terceiro filme é regular, mas poderia ser bem melhor.

Esses dois aspectos técnicos são os únicos que podem deixar a desejar, já que em todo o resto, Vingadores: Guerra Infinita beira a perfeição. Os efeitos visuais merecem aplausos; a equipe que trabalhou dia e noite renderizando os mínimos detalhes e imperfeições de Thanos é digna de todo o reconhecimento. Afinal, o vilão é o grande protagonista de Vingadores.

Vingadores: Guerra Infinita
Divulgação/Marvel

Enfim, Thanos!

Homem de Ferro, Capitão América e nem mesmo Thor podem roubar o protagonismo de Thanos. Esse filme é inteiramente sobre a sua jornada, suas motivações, sua origem e sua relação problemática com suas filhas. O Titã Louco pode até ganhar simpatia do público ao longo de sua história, tornando-o uma figura plausível e até humana, embora seus propósitos pareçam torpes. A alma de toda trama gira em torno de Thanos, e essa ideia funciona perfeitamente. Josh Brolin faz uma excelente performance; visceral e emocional. Espere por boas surpresas vindas desse background.

Todo o elenco, a propósito, tem atuações impecáveis. Seria injusto não citar o nome de Robert Downey Jr., que iniciou o Universo Cinematográfico da Marvel e aqui, honra todo seu trabalho desde 2008.

Por fim, Vingadores: Guerra Infinita é angustiante e brilhante; assustador e divertido; dramático e cômico. A Marvel Studios criou uma aventura sombria e emocional, que com a mesma facilidade que faz os olhos brilharem de alegria, também os faz lacrimejar. Essa é minha primeira experiência numa cabine de imprensa onde ouvi suspiros altos e aplausos. Fãs devem preparar as emoções antes de embarcarem nessa história que te leva o céu e ao inferno. Vingadores: Guerra Infinita chegou para quebrar os corações e deixar queixos no chão. Thanos finalmente chegou

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