Antes mesmo de estrear, Valerian e a Cidade dos Mil Planetas dividia a crítica internacional. Mesmo apresentando uma avaliação inicial de 78% no site Rotten Tomatoes, hoje em dia o número decresceu para 51 %, evidenciando o real potencial da produção, apontada com um dos projetos mais ambiciosos do diretor Luc Besson. O filme também é considerado o maior investimento já feito para um longa francês, fato que é visível através dos efeitos incríveis e gráficos computacionais dignos de serem aplaudidos de pé.

Valerian e a Cidade dos Mil Planetas é baseado na série de quadrinhos Valerian e Laureline, publicado em 1967. A trama é uma mistura entre viagens espaciais, alienígenas dos mais diversos tipos, momentos de ação recheados de explosões e efeitos visuais, comédia e um pouco de romance, protagonizado pelo casal que dá nome a produção. Nas telas, Valerian é vivido por Dane Dehaan (de “O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro”) e Laureline por Cara Delevingne (de “Cidades de Papel), e não há como negar a química que existe entre os dois. Entretanto, é justamente na parte em que humanos tomam conta da situação que tudo desanda, oferecendo cenas vazias e sem fundamento, dando-nos a sensação de que a informação está sendo jogada para o espectador, sem presunção de explicar alguma coisa.

Durante diversos momentos temos a sensação de estar tendo um Déjà vu, revendo algo já exibido em outro filme de uma maneira diferente; ao mesmo tempo, Besson conseguiu atribuir um toque de originalidade, mesmo que pequeno, ao criar as raças alienígenas que habitam a grande massa Alpha. Entretanto, é justamente na parte em que humanos tomam conta da situação que tudo desanda, oferecendo cenas vazias e sem fundamento, dando-nos a sensação de que a informação está sendo jogada para o espectador, sem presunção de explicar alguma coisa.

Divulgação/Diamond Films

A trama deveria ter ficado no mundo fantástico, pois nenhum dos componentes do elenco foi capaz de convencer. Dehaan está mais para um personagem de filmes de comédia da sessão da tarde, enquanto Cara Delevingne apenas oferece mais do mesmo – um sorriso bonito e olhos marcantes estão longe de serem suficientes para uma boa atuação. Todo o talento de Clive Owen (de “A Identidade Bourne”) foi jogado fora, já que o ator interpreta um personagem bobo e paspalhão, ofuscado em meio a tanta informação. Os grandes nomes não param por aí, tendo ainda John Goodman (de “Argo”), Ethan Hawke (de “Boyhood: Da Infância à Juventude”) e Elizabeth Debicki (de “O Grande Gatsby”) na produção. O papel Rihanna nem merece ser mencionado, visto que a cantora só aparece durante alguns minutos e estampa diversos cartazes de divulgação do filme.

Graças à tecnologia, o filme de Luc Besson não é de todo mal e possui atributos que irão agradar principalmente ao público jovem. Mesmo com todos os defeitos citados, Valerian e a Cidade dos Mil Planetas é um trabalho extremamente bonito e bem feito nos efeitos visuais. Mesmo tendo consciência de que boa parte é obra de computadores, é possível transporta-se para o mundo fictício, com personagens bem desenhados e desenvolvidos beirando a realidade. As cenas que se passam fora do ‘quartel general’ dos humanos transbordam de elementos detalhados, mesmo que vistos de longe, e que se encaixam integralmente no contexto do filme. Os momentos protagonizados pela sociedade do Planeta Mül são, em minha opinião, os melhores de todo o enredo, pois seus personagens são sublimes e sem uma crítica negativa possível.

Através de uma pegada no maior estilo Avatar, Valerian e a Cidade dos Mil Planetas tinha tudo para ser um dos melhores filmes do ano, mas não foi. Os gráficos e fotografias incríveis foram prejudicados por atuações péssimas dos seres humanos que os acompanham, ainda que os mesmos possuam enorme talento para tal. O longa irá agradar ao público jovem e infantil, visto que desempenha tal caráter em sua exibição, recebendo créditos pela beleza exuberante de seus personagens e cenários fantásticos.

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