Chris Kyle se tornou o atirador de elite com maior número de mortes na história do exército norte-americano. Para os Estados Unidos, ele foi considerado um herói por combater o terrorismo, mas não foi bem assim. Todos sabemos que a invasão ao Iraque foi baseada em falsos argumentos durante o governo Bush, motivada durante o ataque às Torres Gêmeas.

Buscando uma resposta e apontar os vilões, os iraquianos sofreram as consequências. Torturas e humilhações de famílias foram constantemente vistas durante os noticiários, mas Sniper Americano, longa dirigido por Clint Eastwood, não está para criticar, mas enaltecer as ações de Kyle. Estranho perceber que todas as 160 mortes em seu currículo são vistas como merecidas durante o longa. Até quando a viúva de uma vítima afirma que ele carregava apenas um Alcorão, mas diante da impaciência do sniper acabou sendo abatido.

Escrito por Jason Hall a partir da autobiografia do atirador de elite, a trama inicia mostrando um pouco da infância de Chris Kyle influenciada por um pai autoritário e responsável pelas primeiras aulas de tiro. Na juventude, Kyle decide se alistar e motivado pelo 11 de setembro se torna um sniper. Sua rotina resume em ir ao Iraque e voltar aos Estados Unidos. Se mostrando cada vez mais fiel ao serviço militar, Kyle começa a se distanciar da esposa e dos filhos, e apresenta sequelas de estresse provocado pelas missões.

Chega a ser compreensível o patriotismo americano depois das Torre Gêmeas. Como sabemos, Bush aproveitou essa fragilidade para invadir um país sob pretextos falsos e maquinados. Kyle foi uma marionete entre tantos outros soldados que deram sua vida pelo país. O mais estranho é que o longa também parece acreditar e acompanhamos um protagonista que toma ações nunca questionadas e incrivelmente é chamado de “mito” por assassinar pessoas. O roteiro não deixa dúvidas de ser ufanista e apresenta uma visão xenofóbica e belicista com a figura dos iraquianos como perigosos e como vilão um sniper que está eliminando vários SEALs. Daí, surge a figura de Kyle, que sempre deixa claro que está defendendo seu país e seus colegas abatidos.

Na verdade, Chris Kyle apresenta características de um psicopata e não de herói. Em sua biografia, o sniper demonstrava orgulho pelo número de vítimas e não aceitava que outro pudesse ultrapassar sua marca. No longa, vemos o atirador tratando os iraquianos como selvagens com a alegativa de que está fazendo isso para proteger sua família.

Diante de tudo isso, Sniper Americano parece ser um longa desprezível. Sim, por analisar sob o ponto de vista ufanista que o filme prega. Mas, aí que entra o talento narrativo e técnico de Clint Eastwood. O cineasta acerta em cheio ao estabelecer dilemas pessoais na figura de Kyle e aproveita a atuação competente e carismática de Bradley Cooper. Eastwood foi bastante feliz em fugir um pouco da biografia do atirador e buscar uma figura mais humanizada e fragilizada. Mesmo diante da psicopatia, Kyle se mostra um sujeito sob constante pressão e isso cria irreparáveis sequelas.

Fugindo de questões políticas, o diretor privilegia a habilidade do sniper criando ótimas e envolventes sequências de ação. Sob o ponto de vista de Kyle, o longa apresenta o lado solitário do atirador que, em determinado momento, procura ficar ao lado dos companheiros durante algumas missões de campo.

Sendo assim, Sniper Americano é um grande filme do ponto de vista técnico e narrativo, mas moralmente podre. Contudo, a direção impecável de Eastwood e a ótima atuação de Cooper, é capaz de fazer o público esquecer um pouco que todas as ações direcionadas ao Iraque poderiam ter sido evitadas e muitas vidas a partir daí teriam sido salvas, incluindo a do próprio Chris Kyle.

  • Bom
3

Resumo

Sniper Americano é um grande filme do ponto de vista técnico e narrativo, mas moralmente podre. Contudo, a direção impecável de Eastwood e a ótima atuação de Cooper, é capaz de fazer o público esquecer um pouco que todas as ações direcionadas ao Iraque poderiam ter sido evitadas e muitas vidas a partir daí teriam sido salvas, incluindo a do próprio Chris Kyle.

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