Vivemos tempos do racismo velado. As redes sociais está repleta de piadas atacando a cor, raça, mas travestido de que tudo não passa de uma “piada”. O cenário estadunidense é um grande exemplo com a política de extrema-direita usando discursos de ódio, expulsão de imigrantes, mas usando uma maquiagem democrática. Assim foi eleito Donald Trump e assim foi eleito Jair Bolsonaro no Brasil. Suas eleições despertaram supremacistas brancos e outros paranoicos que acreditam em seus discursos ao pé da letra.

Infiltrado na Klan é ambientado no período mais fervoroso durante o surgimento da Ku Kluk Klan. A parceria do diretor Spike Lee e do produtor Jordan Peele (Corra!) proporciona uma inteligente comédia que critica o racismo e discursos contra a minoria. Lee e Peele desmascaram o ódio e racismo escondidos naqueles considerados “cidadãos do bem”. Apesar do formato de comédia, o longa é baseado na trajetória de Ron Stallworth, um policial negro que conseguiu com êxito se infiltrar na Ku Kluk Klan com a ajuda do parceiro Flip, policial branco preparado para interpretá-lo nas reuniões presenciais.

Paralelos

Spike Lee usa a linguagem da comédia para explorar diversas vertentes. Mais do que denunciar o ódio, ele decide alfinetar de maneira eficaz o pensamento conservador de pessoas do mais alto escalão. Ron, mesmo sendo um policial, é questionado de sua capacidade por ser negro. Se durante a década de 60 e 70 havia poucos policiais negros, não mudou muita coisa nos dias atuais. Negro continua sendo tachado de marginal, enquanto o branco são pessoas do “bem”.

Ron e Flip

Lee acerta na construção de Ron, que mesmo sofrendo diante da desigualdade, mantém uma postura moderada e centrada. Outro cineasta poderia transforma-lo em uma figura vitimizada. Mesmo participando de discursos dos Panteras Negras, o policial percebe que há falhas, ora cegos diante do ódio. Combater violência com mais violência nunca é a melhor solução. Ótima performance de John David Washington.

Flip Zimmerman caiu como uma luva para Adam Driver. O ator desempenha uma atuação de alguém apenas com o foco de cumprir sua missão. De origem judia, Flip começa a perceber que sua vida não é diferente dos negros. Como infiltrado, Driver transforma Flip de um sujeito displicente para enérgico.

O que achamos?

Sem deixar de explorar a cultura negra com muita dança e o cenário do blaxploitation, Infiltrado na Klan é um alerta sobre ser negro no mundo atual. Uma produção que coloca o dedo na ferida nas ideias racistas presentes em todos os setores públicos. Se não ficou claro, Spike Lee e Jordan Peele  escancaram arquivos de fatos recentes nos EUA e os discursos de Donald Trump.

Uma comédia hilária e sagaz que alerta questões que tendem a ser mais discutidas diante do atual cenário político que viveremos nos próximos quatro anos.

4

Ótimo

Sem deixar de explorar a cultura negra com muita dança e o cenário do blaxploitation, Infiltrado na Klan é um alerta sobre ser negro no mundo atual. Uma produção que coloca o dedo na ferida nas ideias racistas presentes em todos os setores públicos. Se não ficou claro, Spike Lee e Jordan Peele  escancaram arquivos de fatos recentes nos EUA e os discursos de Donald Trump.

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